37
UM OLHAR SOBRE O ESTRESSE OCUPACIONAL
PELALENTEDOCONSTRUTIVISMO
A LOOK AT OCCUPATIONAL STRESS THROUGH THE LENS
OFCONSTRUCTIVISM
Paulo Eduardo Benzoni1
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XXI • ISSUE FASCÍCULO 2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2025 PP. 3751
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XXI.2.3
Submited on 26/10/2024 Submetido a 26/10/2024
Accepted on 26/11/2025 Aceite a 26/11/2025
Resumo
O estresse, sobretudo em seu aspecto ocupacional, tem sido apontado como atuando de forma
intensa sobre a população, constituindo um importante disparador para diversos problemas de
saúdesica e mental. Com sua concepção inicial fundada no modelo biomédico de saúde, vem
sendo discutido a partir de um referencial cognitivista de causa e efeito. Porém, com a neces-
sidade de atuar sobre o mesmo de uma forma ampliada, temos observado que o fenômeno se
caracteriza de forma multivariada e complexa. Esse ensaio objetivou apresentar um olhar sobre
o estresse ocupacional como uma manifestação do processo saúde/doença mental no trabalho, a
partir do referencial teórico do construtivismo. Foi realizada uma alise do fenômeno estresse,
não só como resultado de um processo de inputs estressores e outputs que caracterizam a res-
posta de estresse, mas o reconceituando como uma manifestação da dinâmica particular de cada
indivíduo, a partir de uma matriz sócio-histórica. Essa compreensão ampliada, ao possibilitar
uma compreensão do fenômeno para além dos riscos psicossociais à saúde mental no trabalho,
possibilita uma maior aproximação do conceito de percepção de estresse às diretrizes biop-
sicossociais de saúde mental e trabalho, propostas pela Organização Mundial da Saúde e funda-
menta ações de promoção, prevenção e intervenção sobre a saúde ocupacional.
Palavras-Chave: estresse. estresse ocupacional. construtivismo.
1 Universidade Paulista – UNIP / Brasil
Mestrado Profissional em Práticas Institucionais em Saúde Mental da UNIP
Campus Ribeirão Preto – SP.
Programa Individual de Pesquisa para Docentes da Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa – UNIP.
E-mail: paulo.benzoni@docente.unip.br
38
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
Abstract
Stress, especially in its occupational aspect, has been identified as acting strongly on the
population, constituting an important trigger for various physical and mental health problems.
With its initial conception grounded in the biomedical model of health, it has traditionally
been discussed by a cognitivist cause-and-effect framework. However, given the need for a
broader approach, we have observed that the phenomenon is characterized in a multivariate
and complex manner. This essay aimed to present a perspective on occupational stress as a
manifestation of the health/mental illness process in the workplace, based on the theoretical
framework of constructivism. An analysis of the phenomenon of stress was carried out, not only
as the result of a process of stressful inputs and outputs that characterize the stress response,
but reconceptualizing it as a manifestation of each individuals particular dynamics, within
a socio-historical matrix. This broader understanding, by enabling comprehension of the
phenomenon beyond psychosocial risks to mental health at work, aligns the concept of stress
perception with the biopsychosocial guidelines on mental health and work proposed by the
World Health Organization, and supports actions of promotion, prevention, and intervention
in occupational health.
Keywords: stress. occupational stress. constructivism
Introdução
A saúde mental e o estresse ocupacional têm se destacado após a pandemia da COVID 19,
visto as profundas transformações que se estabeleceram nas relações e modalidades de execu-
ção do trabalho (Antunes, 2020 e Russo & Terraneo, 2020). A demanda por compreensão e inter-
venção sobre o estresse ocupacional, tem levado pesquisadores e profissionais de saúde mental
do trabalhador a uma busca por modelos teóricos e métodos de intervenção cada vez mais apu-
rados, para que possam lidar eficazmente com as novas configurações nas relações e ambientes
de trabalho, bem como nos impactos advindos da pandemia (Baronia-Locson, 2023, Vindegaard
& Benros, 2020, Wirkner et al., 2021 e Xiong et al., 2020).
Nesse cenário, entendemos que o estresse ocupacional constitui um fenômeno multifacetado
e dimico, demandando um olhar ampliado e aprofundado, o que leva ao questionamento sobre
qual modelo teórico possibilitaria uma compreensão sistêmica e dimica do fenômeno estresse
ocupacional? Assim, com o objetivo de discutir esse questionamento, este trabalho consiste em
um ensaio teórico direcionado a discutir as possibilidades de se olhar para o estresse ocupacional
a partir de uma perspectiva construtivista e, dessa forma estabeleceremos o tema a ser discutido,
o estresse ocupacional na atualidade, a partir de um panorama do mesmo e apresentaremos nos-
sas proposições ao tema (Lee, 2025 e Soares, Picolli & Casagrande, 2018). Buscaremos apresentar
um olhar sobre o estresse ocupacional para além da clássica resposta de luta e fuga proposta por
Selye (1950, 1959), expandindo o conceito a partir da perspectiva do construtivismo, em especial
o construtivismo proposto pela escola chilena de pensamento representada por Humberto Matu-
rana e Francisco Varela.
39
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
Um panorama inicial sobre o estresse e o trabalho
O termo estresse tem sido utilizado de forma tão disseminada que, de acordo com Biener-
to-Vašků, Lenart e Scheringer (2020), essa disseminação acaba por dificultar uma definição
exata, sendo que sua interpretação fica sempre atrelada ao contexto no qual está sendo utilizado.
De modo recorrente na literatura, o estresse é definido como uma resposta de luta e fuga, envol-
vendo uma reação neuropsicofisiológica de autopreservação do organismo a eventos externos e
internos que são avaliados pelo indivíduo como ameaçadores à sua integridade física e/ou psico-
gica (Selye, 1950, 1959; Silva & Torres, 2020 e Pereira et al., 2018).
Concebido, inicialmente, a partir de um referencial biomédico, Zambotto (2022) pontua que,
para Selye, o estresse corresponde a uma resposta não específica do corpo a uma demanda qual-
quer que venha a afetar a homeostase do organismo e, essa reação se dá em fases de acordo com
o grau em que se apresenta, fases essas que podem ser denominadas como estágio de alerta ou
alarme, estágio de defesa ou resistência e estágio de exaustão ou esgotamento. Portanto, consiste
basicamente na resposta do corpo a agentes ou situações estressantes, que ocasionam mudanças
físicas, mentais, emocionais e sociais desagradáveis (Silva, et al., 2020).
Uma das mais recentes abordagens sobre o estresse consiste na teoria da segurança social,
apresentada por Slavich (2019, 2020). O autor conceitua o estresse como uma reação inflamatória
fisiológica, essencial para a autopreservação do organismo, porém, além de colocá-lo como uma
resposta evolutiva, considera que tal resposta consiste numa reação previa do sistema imunoló-
gico, voltada a proteger o organismo contra patógenos ambientais, para os quais o indivíduo não
possui as resistências imunológicas necessárias e que podem estar presentes em grupos sociais
estranhos ao indivíduo e, portanto, considerados potencialmente perigosos. Essa abordagem da
teoria da segurança social, passa a considerar o processo sócio-histórico na modulação da res-
posta de estresse, uma vez que o aprendizado social, advindo do processo socializario (Berger
& Luckmann, 1990) desempenharia importante papel para a identificação dos grupos sociais
estranhos e potencialmente perigosos.
No contexto do trabalho, a expressão “estresse ocupacional” passou a ser usada para especi-
ficar um tipo de estresse particular. Gunasekra e Pereira (2023), em uma revisão sistemática da
literatura, identificaram querias definições para o que é chamado de estresse ocupacio-
nal, como “estresse no trabalho, “estresse no emprego” e “estresse no local de trabalho, todas
referindo-se ao mesmo fenômeno e concluíram que o estresse ocupacional é uma subcategoria
do estresse geral. Especificamente, o estresse ocupacional pode ser definido como o processo
pelo qual as exigências psicológicas do trabalho, os chamados estressores ocupacionais, causam
alterações de curto e longo prazo na saúde mental e física de uma pessoa (Zhang, 2021). Isso
pode levar a sentimentos de exaustão, cinismo, negatividade e distanciamento do próprio traba-
lho (Cruz et al., 2020). Segundo Simonelli (2020), diversos fatores podem aumentar os níveis de
estresse, incluindo a própria ocupação, as pressões e demandas de trabalho que não correspon-
dem às habilidades do trabalhador, e a falta de apoio de gestores e colegas.
O cssico modelo demanda-controle, proposto por Karasek (1979) para o estresse ocupacio-
nal, tem sido o mais adotado por pesquisadores nos estudos na área (Colin-Chevalier et al., 2022;
Fushimi, 2022; Javed, 2021; Rocha et al., 2021; Ricciardelli & Carleton, 2022) e tal modelo baseia-
-se em duas variáveis: a demanda psicológica proveniente do trabalho e o controle do trabalha-
dor sobre as demandas e tarefas (Karasek, 1979). Assim, fundamentando-se em uma perspectiva
40
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
cartesiana de causa e efeito, o modelo demanda-controle compartilha, a princípio, da compreen-
são de que o estresse corresponde a uma resposta a eventos estressantes, numa relação linear de
inputs – processamento – outputs, tal como conceituado inicialmente por Selye (1950) no modelo
de luta e fuga que posteriormente foi alargado conceitualmente por Lazarus no modelo relacional
de estresse (Lazarus, 1966, 1995 e 2000) e por Holmes e Rare (1967) no modelo de eventos vitais.
O lugar e a importância do estresse no trabalho
Em 2012, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Ecomico – OCDE, já apon-
tava para a importância de compreender e cuidar do estresse relacionado ao trabalho, de modo a
se evitar condições do seu prolongamento, uma vez que o mesmo é considerado potencializador
de graves problemas de sde mental (OECD, 2012). Por sua vez, em 2019, a Agência Europeia
para a Seguraa e Saúde no Trabalho, apontou que os transtornos mentais comuns, entre eles
a ansiedade e depressão leve, a incapacidade de trabalhar, longos períodos de licença saúde e o
absenteísmo mostravam-se diretamente vinculados ao estresse ocupacional (EU-OSHA, 2019).
Sobretudo após o advento da pandemia do COVID 19, com o aumento significativo da percep-
ção de estresse na população em geral e em determinados grupos ocupacionais (Alfani et al.,
2024, Bassi, Negri & Accardi, 2020, Promotion Santé Suisse, 2022 e Benzoni et al., 2022), com a
elevada e profunda alteração da organização do trabalho, envolvendo novas formas de con-
tratação (Neves, 2022), crescimento exponencial do trabalho por meio de plataformas digitais
(Antunes, 2020), dispositivos de controle neo-gerenciais que se fundamentam na tecnologia da
informação (Cukier, 2020) e consequente precarização do trabalho (Irvine & Rose, 2024; Blustein
et al., 2022; Inanc, 2020), a saúde mental nos contextos ocupacionais vem ganhando cada vez
mais atenção e necessidade de estudos, tendo o estresse ocupacional assumido papel de desta-
que nesse universo.
Considerando o período da pandemia do COVID 19 e suas consequências na saúde mental da
população mundial, Poracachia et al. (2023) apontam que a produção científica desenvolvida no
período relata uma piora generalizada dos sintomas de insônia e baixa qualidade do sono e, nessa
linha, Gloster et al. (2020), por meio de um estudo conduzido com 9565 indivíduos de 78 países,
no auge do bloqueio da convivência social provocada pela pandemia, apontam que a maioria da
população estudada considerou a fase da pandemia como moderadamente estressante e 11% da
população considerou como altamente estressante, além de relatarem ter apresentado sintomas
de depressão e tédio.
Retomando a questão do estresse advindo do trabalho, Alfani et al. (2024) colocam que os
efeitos socioeconômicos causados pela pandemia podem ser considerados, sem precedentes,
como altamente estressantes, uma vez que ocasionou um aumento exponencial na desigual-
dade de renda nos EUA e no Brasil em fuão do trabalho em ambiente domiciliar, incapacida-
des de trabalhar e barreiras para a procura de emprego. Em especial, entre os profissionais de
saúde que atuaram durante a pandemia em Lombardia, na Itália, de 653 pessoas pesquisadas,
39,8% apresentavam um diagnóstico de transtorno de estresses-traumático (Bassi, Negri &
Accardi, 2020).
No contexto pós pandemia, o Job Stress Index (Promotion Santé Suisse, 2022), aponta que
em consequência da pandemia e das modificações que esta gerou no trabalho, a proporção de
41
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
trabalhadores suíços que se sentem emocionalmente exaustos ultrapassou a marca de 30% pela
primeira vez desde 2014, com uma taxa de 30,3% em 2021.
Nessa corrente de estudos, em 2022 a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou as
“Diretrizes Sobre Saúde Mental no Trabalho” (OMS, 2022), que se fundamentam no conceito de
que a sde mental se configura como um estado de bem-estar que permita às pessoas lidarem
com os estressores diários, possibilitando trabalharem de forma adequada e contributiva à socie-
dade. Abordando seis enfoques, essas diretrizes indicam a necessidade de uma atuação sistê-
mica e integral sobre o fenômeno da saúde mental e estresse no trabalho, com especial enfoque
à promoção da saúde mental como um recurso prévio. Assim, compreender sistemicamente o
estresse e seus efeitos sobre o indivíduo e sua saúde mental, configura-se como uma necessidade
central das ações junto aos trabalhadores, uma vez que o estresse elevado pode ser considerado
disparador para problemas mais complexos de saúde mental.
O percurso que temos percorrido nas pesquisas sobre o estresse como manifestação
das condições de saúde mental no trabalho, tem nos levados a olhá-lo de uma forma mais
ampla, para além da configuração de uma resposta neuropsicofisiológica de autopreservação,
advinda diretamente das condições ocupacionais. Dentre as diferentes perspectivas concei-
tuais que abordam o tema, partimos do modelo de percepção de estresse, inicialmente pro-
posto por Cohen, Kamarck e Mermelstein (1983), que preconiza que, sendo o evento estres-
sor avaliado pelo indivíduo, nessa avaliação estarão agindo diversos processos perceptivos
particulares a cada pessoa e, naturalmente, ocorrerão mediações emocionais que afetarão a
avaliação de modo diferente de uma pessoa a outra, estando as mesmas expostas aos mesmos
estressores (Cohen, Kamarck & Mermelstein, 1983). Sobretudo quando observamos o trabalho
de Bekiros, Jahanshahi e Muñoz-Pacheco (2022), passamos a considerar, de modo mais intenso
essa questão, permitindo refletir que o modelo de percepção de estresse tem um alcance para
além de uma resposta de causa e efeito. Esses autores apontam que o estresse geral percebido
é um dos preditores mais robustos da maioria dos resultados de saúde, sobretudo quando liga-
dos a variáveis como idade, sexo, traços de personalidade e exposição ao estressor, compondo
possíveis diáteses subjacentes na constituição de estados de saúde e não saúde. Na mesma
linha há evidências que relacionam um elevado nível de percepção de estresse à ansiedade e
depressão (Besharart, et al., 2020; Shi, et al., 2020; Spada, et al., 2008), ao transtorno de estresse
pós-traumático (Wang, et al., 2019) e ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e derra-
mes (Booth et al., 2015; Wright et al. 2019).
No contexto ocupacional, alguns estudos que inclusive utilizaram o modelo demanda-
-controle (Karasek, 1979) e o expandiram incluindo na análise o suporte familiar e gerencial,
identificaram a imporncia desse suporte na melhora da percepção do estresse ocupacional
(Javed, 2021).
Partindo, então, das considerações até aqui expostas, observamos a necessidade de se com-
preender o fenômeno do estresse ocupacional por uma ótica ampliada, atribuindo uma maior
imporncia aos processos de percepção social dos fenômenos estressantes e o contextualizando
no universo fenomenológico do trabalhador, de modo a melhor atender às diretrizes sobre saúde
mental no trabalho, propostas pela OMS (2022).
42
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
O olhar construtivista
Num movimento que considera o estresse como originário de causas externas e internas,
sendo as externas representadas pelo que acontece na vida cotidiana e as internas referindo-se
aos pensamentos individuais, às crenças, valores e interpretações a respeito do mundo ao redor
de cada indivíduo (Silva & Torres, 2020), temos olhado para o estresse levando em consideração,
fundamentalmente, o lugar do trabalhador no contexto social mais amplo, combinado com a his-
tória de vida desse trabalhador e, assim, trazendo as proposições de Berger e Luckmann (1990)
sobre a construção da percepção social e nos aproximando da perspectiva construtivista.
O construtivismo entende a realidade como algo que é construído pelo indivíduo por meio de
sua interação com o mundo. Sabirovna (2022) destaca que, segundo o construtivismo, “a realidade
é pluralista, ou seja, tem uma aparência polimórfica” (p. 7165). Essa realidade deve ser obser-
vada a partir de referenciais culturais, históricos, fenomenológicos e geográficos e isso coloca o
modelo construtivista em uma posição que relativiza os fenômenos psicológicos. A realidade, a
sociedade e, especificamente, o universo do trabalho, são construídos, social e simbolicamente,
pelos indivíduos e seus significados surgem a partir da interação social (Mohajan & Mohajan,
2022).
Um dos principais expoentes do construtivismo, Francisco Varela (1996, 2000, 2003) consi-
dera que a ação humana ocorre por meio do que ele nomeia como micro identidades e seus micro-
mundos correspondentes. Para cada uma das infinitas situações cotidianas da vida, correspon-
dentes aos imeros micromundos, temos micro identidades que nos possibilitam atuar frente
às situações, porém, quando não uma coerente micro identidade para fazer face aos desafios
apresentados pela vida cotidiana, é estabelecido um processo de desestruturação, necessária à
criação de novos conhecimentos, capazes de reestabelecer novas micro identidades para tais
novos micromundos (Varela, 1996). Esse processo se dá por meio da autopoiese.
A autopoiese, do grego auto, próprio, e poiesis, criação, corresponde à capacidade inerente de
todos os organismos vivos se autoproduzirem, fundamentando-se na premissa de que todo sis-
tema vivo tende a um estado de equilíbrio, equilíbrio esse que, quando sofre alguma interferên-
cia e é alterado, passa por um processo de desorganização inicial, mas tem a habilidade natural
de se auto organizar novamente, se recriando em um estado superior ao anterior, como definido
pelos clássicos trabalhos de Maturana e Varela (1972, 2009), dois dos precursores do construti-
vismo na escola chilena de pensamento.
Mahoney (2005) que sistematizou o construtivismo no contexto psicoterápico, ao apresentar
os pressupostos da psicoterapia construtivista, pontua que a vida é uma constante mudança e
essa mudança é estressante, pois tendemos a organizar nossas vidas em padrões funcionais para
lidar com os desafios do viver e, tais padrões são realidades pessoais tácitas e únicas. Sandoval
e Guerra (2020) afirmam que enfrentamos os problemas do dia a dia de maneira inconsciente
e automática, através de experiências corporais e históricas que são únicas para cada indiví-
duo. Esse processo individual de construção do conhecimento é específico para cada um de nós.
Segundo os autores, buscamos uma forma razoável de resolver os desafios da vida e, assim, argu-
mentam que:
[...] o sentido de razoabilidade é subjetivamente corporificado em nós, garantindo assim
que o mundo nos é apresentado como um conjunto de fatos familiares, seja baseado em
43
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
capacidades biológicas pré-intencionais, seja em esquemas de ação e percepção que, através
do corpo, interagem com eles, em múltiplas circunstâncias do nosso contexto histórico-social
(p. 130).
Na discussão sobre o modelo do cognitivismo pós-racionalista, Arciero e Guidano (2018) con-
sideram que cada sistema de conhecimento, correspondendo aos micro mundos (Varela, 1996),
é uma parte integral de uma comunidade social, de uma história de pticas compartilhadas e
co-construídas a partir da interação ativa do indivíduo com seu meio e, nesse sentido, está ine-
xtricavelmente ligada a uma matriz sócio-hisrica compartilhada, ligada à história pessoal do
indivíduo e à sua organização biológica. Lax (1998), abordando o pensamento pós-moderno na
clínica psicológica, argumenta que as fronteiras das nossas narrativas pessoais, ou seja, de nosso
eu, “são construídas através de restrições e potenciais políticos, econômicos, sociais e culturais
(Lax, 1998 p. 88) que existem dentro de contextos pré-determinados historicamente.
Para o construtivismo, o processo de construção do conhecimento para lidar com os desafios
do mundo no qual vivemos, ou seja, a construção de micro identidades, não se estabelece por
meio de processos lineares de inputs e outputs nas atividades cognitivas, o que existe é a cons-
trução de redes neurais que vão se interconectando, fazendo novas conexões e se ampliando
através da experiência com o meio ambiente externo versus as representações internas (Varela,
2000, 1996), gerando assim representações da realidade que se integram ao universo fenomeno-
lógico de quem está representando. Tudo isso se estabelece a partir da dimica dos fenômenos
irreversíveis, flutuações, pontos de bifurcações e estruturas dissipativas como as defendidas por
Ilya Prigogine (Spire, 1999) e não retomam, vão sempre adiante, cada vez com novas represen-
tações e novos significados, no movimento da complexidade proposta por Edgar Morin (Morin,
2005; Cabral, Viana & Gontijo, 2020).
Trata-se de um movimento constante de apreensão do mundo, envolvido em mesclas e nego-
ciações de ações frente às demandas da vida, com atitudes envoltas em um universo simbólico
particular a cada um, tudo obedecendo a algoritmos não racionais e não cartesianos (Sandoval
& Guerra, 2020) e diretamente oriundos da história de vida do indivíduo e de uma matriz sócio-
-histórica na qual esse está inserido (Arciero & Guidano, 2018). Assim, cada pessoa em particular,
ao experienciar os fatos da vida cotidiana, tem um processo de percepção da realidade e ação
sobre a mesma a partir do que Maturana (1991/2020) denomina de correlação sensório-efetora,
resultante do acoplamento do indivíduo com seu meio sociocultural, ou seja, em outras palavras,
cada indivíduo percebe o mundo a partir de seu próprio mundo interno.
As emoções desempenham um papel importante na perspectiva construtivista. Mahoney
(1988, 2005) ressalta que as emoções sentidas por uma pessoa estão intimamente ligadas a mesma
e essa experiência pessoal é fortemente influenciada pela subjetividade, que conecta o indivíduo
ao seu ambiente e suas vivências. As emoções atuam como guias para a auto-organização (Maho-
ney, 1988; Neimeyer, 1997), direcionando nossa atenção e moldando a maneira como percebe-
mos os estressores. Dessa forma, elas podem intensificar ou minimizar a resposta ao estresse,
influenciando o grau de desestruturação emocional que experimentamos.
Neste ponto, abordamos o conceito de identidade. Segundo Arciero e Guidano (2018), a cons-
trão da identidade pessoal é um processo que ocorre por meio da relação entre o sentimento
de viver e a constante recomposição de significados associados a essa vivência. Trata-se de uma
permanência do eu em si mesmo, que se estabelece através da organização coerente de nossas
44
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
experncias e nossa história. Quando essa organização não é coerente e há uma desconexão
entre meu estado emocional e o mundo ao meu redor, isso pode gerar sofrimento. Esse sofri-
mento surge da necessidade de criar micro identidades para lidar com os micromundos que
enfrentamos. Além disso, o sistema de significados de cada um de nós, nossa cultura e o contexto
cio-histórico em que vivemos, atuam como mediadores nessa dinâmica, influenciando a com-
preensão e percepção da cognição social. Isso permite a formação de novos conceitos sobre o que
estamos vivendo, criando uma cadeia circular de causa e efeito (Sabirovna, 2022).
O estresse ocupacional pela ótica construtivista
Partimos da concepção de que, toda resposta de estresse, em seu arcabouço neuropsicofisio-
gico, é um fenômeno autopoiético que se estabelece a partir das peculiaridades de cada um de
nós e a depender da dinâmica estabelecida no movimento de desestruturação-reestruturação,
essa resposta pode nos levar ou não ao crescimento enquanto ser social. Se entendermos a rea-
ção desafiadora e desestruturante aos estressores, como algo que reflete as demandas cotidianas
da vida, que nos obriga a mudarmos, retomamos o que nos diz Mahoney (2005) de que a vida
consiste em constantes mudanças e essas mudanças são estressantes. O mesmo autor, ao propor
os cinco temas da psicoterapia construtivista, coloca a “desorganização como um componente
natural, fundamental para o movimento de ordenamento saudável da vida (Mahoney, 2005).
Sendo o evento estressor constituído por um novo micromundo, para o qual não dispomos de
micro identidade para lidar (Varela, 1996), entramos em um processo de perturbação, de desorga-
nização (Maturana & Varela, 1972, 2009) que pode se manifestar por meio de sintomas que acom-
panham o estado de estresse elevado. Portanto, é necessário que criemos, autopoieticamente,
novas micro identidades para alcançarmos a reorganização. Esse processo é único a cada pessoa
(Arciero & Guidano, 2018), se iniciando na forma como percebemos o estressor, em especial o
estressor ocupacional, e se dá em função das particularidades da história de vida, da condição
social, econômica, cultural e política (Lax, 1998), ou seja, da nossa constituição, enquanto sujeito,
que possibilitará que se reestabeleça uma nova organização, consoante com o novo micromundo
que precisa ser enfrentado. Se para Slavich (2019, 2020) o estresse é uma reação inflamatória
prévia, essencial para a autopreservação do organismo a pagenos ambientais de grupos sociais
estranhos ao mesmo, essa percepção de estranhamento advém da construção de um sistema de
significados culturais, os mediadores da relação do indivíduo com o seu mundo, propostos por
Sabirovna (2022). No mesmo sentido, Varela (1988/2013) pontua que o sistema imunológico con-
siste em uma das classes de sistemas ao qual o comportamento e a cognição se alinham, o que
vem ao encontro da teoria da segurança social.
Entendemos, então que o movimento perturbador provocado pelos estressores, leva a uma
busca de razoabilidade, garantindo que o mundo que enfrentamos seja composto por um con-
junto de fatos familiares, como propõe Sandoval e Guerra (2020).
Em trabalhos anteriores quando iniciamos a constrão do modelo de percepção do estresse
a partir da perspectiva construtivista, discutimos que a intensidade da perturbação vivenciada
é dimensionada pelo indivíduo de acordo com seus processos de percepção, apresentando com-
portamentos de resposta conforme o que percebe. As respostas apresentadas aos estressores
estão diretamente associadas à interação social em que a pessoa está imersa, enquadrando a
45
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
interpretação de tais respostas em um contexto psicossocial específico (Soto et al., 2025, Benzoni,
2019 e 2023).
O mundo do trabalho na atualidade, com suas novas configurações e consequências da pan-
demia, tem nos apresentados imeros novos micromundos que nos desafiam constantemente,
gerando a necessidade de um aprendizado de novas formas de atuação em um universo mutante.
Nesse contexto, a OMS coloca as diretrizes sobre saúde mental do trabalhador como sistêmicas,
ou seja, abarcando os aspectos biológicos, psicológicos e sociais que balizam o conceito de saúde
biospicossocial (OMS, 2022).
Como o processo de percepção do estresse é extremamente particular a cada pessoa, advindo
de uma matriz sócio-hisrica (Sandoval & Guerra, 2020), ou seja, carregado de singularidades,
consideramos que a dinâmica que configura o estresse ocupacional deve ser analisada e com-
preendida a partir do contexto que ocorre, levando em consideração aspectos sociais, culturais,
econômicos e históricos do grupo ao qual o trabalhador estressado se encontra, bem como da his-
tória de vida desse trabalhador. Deve-se levar em consideração, sobretudo a cultura organizacio-
nal à qual o trabalhador es submetido verificando o sentido que liga e mantém o trabalhador,
enquanto indivíduo social, a essa cultura.
Se tomarmos o modelo demanda-controle (Karasek, 1979) e focarmos somente nos aspectos
organizativos do trabalho, como condicionantes do estresse ocupacional, sem considerar a per-
cepção que o trabalhador tem da demanda de trabalho e do controle sobre o mesmo, deixamos
de considerar um espectro muito mais amplo da origem e dinâmica do estresse ocupacional. Por
outro lado, se adotarmos a perspectiva da percepção de estresse, que leva em consideração os
processos perceptivos particulares de cada indivíduo, com as mediações emocionais interferindo
nessa avaliação (Cohen, Kamarck & Mermelstein, 1983), e o ampliarmos para uma compreensão
dessa percepção a partir de uma matriz sócio-histórica e cultural envolvendo a cultura organi-
zacional e, também, considerando a história de vida do trabalhador em seus aspectos socializa-
rios (Berger & Luckmann, 1990), passamos a construir um olhar particularizado do estresse
ocupacional, um olhar que não compreende o estresse apenas como um rol de características
sintomatológicas, como ocorre nas classificações nosológicas.
Nessa perspectiva, Braz, Casadore e Hashimoto (2020), abordando a escuta na atuação em
saúde mental e trabalho, campo no qual o estresse ocupacional se insere, reforçam a necessidade
de que analisemos os fenômenos de modo a considerar as narrativas de vida e as angústias que
emanam da vida dos trabalhadores, indo ao encontro do que afirmam Maturana e Varela (2009),
de que uma crise, aqui no caso o estresse, é um fenômeno onde a vulnerabilidade humana é
colocada em linguagem, o que reforça a necessidade de se ater, não só à sintomatologia, mas à
narrativa do trabalhador sobre as condições estressantes que vivencia em sua vida, pois as mani-
festações do estresse, oriundas das pressões e demandas do trabalho, podem estar ocorrendo
para além do campo geográfico da organização.
Esse processo de escuta e permissão da linguagem como forma de expressão e reconstrução
da percepção dos estressores, mostra-se evidente na clínica do trabalho a partir de um referencial
construtivista, como o desenvolvido por Brustolin (2024) que trabalhando o estresse ocupacional
de professores dos ciclos iniciais de ensino no Brasil, deparou-se com relatos de estressores não
voltados à carga de trabalho, mas a questões familiares, financeiras e tarefas domésticas, ou seja,
o estresse ocupacional do qual a princípio os professores se queixavam, a partir do momento que
esses professores puderam ter voz nos encontros propiciados pela cnica do trabalho, mostrou-se
46
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
advindo de um aspecto muito mais amplo, que ultrapassava o campo específico do trabalho em si
sem, contudo, deixar de se manifestar nas atividades ocupacionais.
Para a OMS, que se fundamenta no conceito biopsicossocial de saúde, a saúde mental é defi-
nida como o estado de bem-estar, no qual o indivíduo percebe suas pprias habilidades, con-
segue lidar com as tensões normais da vida, trabalhando de forma produtiva e contribuindo
para com sua comunidade (WHO, 1986). Assim, olhar para o fenômeno do estresse desde uma
perspectiva ampliada, está condizente com o conceito de saúde biopsicossocial, ou seja, per-
mite olhar para o fenômeno multifacetado do estresse ocupacional, inicialmente uma resposta
biológica como propôs Selye (1950, 1959), de forma dinâmica, a partir de uma ótica relativizada
pela unicidade do trabalhador, ótica essa que o construtivismo nos possibilita. O indivíduo é um
subsistema vivo” em ação sobre seu meio mais amplo, meio esse que compreende um “sistema
de vida.
Considerações finais
Conceituadas organizações internacionais, tais como a Organização Mundial da Saúde (OMS),
a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Ecomico (OCDE) e a Agência Europeia
para a Seguraa e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), baseadas em estudos epidemiológicos, apon-
tam para os perigos do estresse no trabalho e para a saúde da população como um todo e, com-
plementando-se a isso, a intensa modificação das formas de se trabalhar, advindas sobretudo
do período pós pandemia do COVID 19, que levou à instauração da chamada precarização do
trabalho, apontam um cenário extremamente preocupante, de elevada insalubridade mental e
demandando ações urgentes que garantam a saúde da população trabalhadora em geral. Nesse
cenário instaurou-se uma busca por modelos teóricos e métodos de intervenção cada vez
mais apurados, capazes de lidarem eficazmente com essas novas configurações.
Modelos teóricos racionalistas, fundamentados na relação direta entre causa e efeito e
focados no controle ou eliminação de sintomas, são vistos como recursos rápidos para agir
sobre o estresse ocupacional sem, contudo, promoverem mudanças psíquicas e comporta-
mentais duradouras, capazes de habilitar o trabalhador para conseguir lidar eficazmente
com novas demandas estressoras que surgirão ao longo de sua vida.
Considerando o sujeito como acoplado a uma matriz social e histórica, acoplamento dentro
do qual ocorrem os processos autopoiéticos de desestruturação - reestruturação - crescimento
e, uma vez que partimos da concepção de que toda resposta de estresse é um fenômeno auto-
poiético que se estabelece a partir das peculiaridades individuais, concluímos que as respostas
apresentadas aos estressores estão diretamente associadas ao universo social no qual a pessoa
está imersa, enquadrando a interpretação de tais respostas em um contexto psicossocial amplo,
não só do trabalho, mas que compreende todas as esferas de vida da pessoa.
Assim, o estresse passa a ser compreendido não só como um fenômeno perturbador do sis-
tema neuropsicofisiológico, mas como um processo autopoiético que sendo adequadamente tra-
balhado, pode levar a uma ressignificação do cenário estressor, o que possibilita maior conso-
ncia do sujeito com seu meio e consequentemente melhoras nas condições de saúde mental.
Isso demonstra a importância de não se ater só à sintomatologia, mas à narrativa do trabalhador
sobre as condições estressantes que esse vivencia em sua vida como um todo.
47
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
Esse ensaio, tomou o construtivismo como referencial teórico e objetivou ampliar o olhar
sobre o estresse ocupacional, considerando-o como uma manifestação do processo saúde/doença
mental no trabalho. A manifestação da dinâmica de funcionamento do indivíduo, em interação
com seu entorno social, que vai muito am da esfera ocupacional e dos riscos psicossociais à
saúde mental no trabalho, conduz para uma compreensão ampliada do estresse. Observamos
que um olhar pela lente do construtivismo que proporciona uma articulação dinamicamente
integrada de diferentes fontes de informação, que considera o lugar social, histórico e cultural no
qual o trabalhador se insere, mostra-se como fundamental para a compreensão do fenômeno em
estudo, aqui no caso a manifestação do estresse.
o se trata de fornecer uma fórmula conceitual única para atuar, seja em pesquisas ou inter-
venção, sobre o estresse ocupacional, mas sim provocar um olhar ampliado sobre um fenômeno
multifacetado que acomete a saúde mental no trabalho. Nesse escopo, entendemos que o cons-
trutivismo, com seu arcaboo teórico fundado na autoprodução constante do indivíduo em seu
mundo, permite um olhar dinâmico e integrador, o que possibilita uma atuação holística junto ao
trabalhador que vivencia o estresse.
Referências
Alfani, F., Clementi, F., Fabiani, M., Molini, V., & Schettino, F. (2024). Subestimando a Pandemia: O Impacto
da COVID-19 na Distribuição de Renda nos EUA e no Brasil.Economias. https://doi.org/10.3390/eco-
nomies12090235 .
Antunes, R. (2020). Coronavírus: o trabalho sob fogo cruzado. A Terra é Redonda. São Paulo. Disponível
em: https://aterraeredonda.com.br/coronavirus-o-trabalho-sob-fogo-cruzado
Arciero, G., & Guidano, V. F. (2018). El modelo cognitivo post-racionalista. Hacia una reconceptualización
teórica y clínica (2ª ed.). Desclée de Brouwer.
Baronia-Locson, E. L. (2023). Effect of COVID-19 pandemic on the mental health of healthcare workers. Inter-
national Journal for Multidisciplinary Research (IJFMR), 5(4). https://www.ijfmr.com
Bassi, M., Negri, L., Fave, D., & Accardi, R. (2020). The relationship between post-traumatic stress and
positive mental health symptoms among health workers during COVID-19 pandemic in Lombardy,
Italy.Journal of Affective Disorders, 280, 1 - 6. https://doi.org/10.1016/j.jad.2020.11.065.
Bekiros, S., Jahanshahi, H., & Muñoz-Pacheco, J. M. (2022). A new buffering theory of social support
and psychological stress . PLOS ONE, 17(10), Article e0275364. https://doi.org/10.1371/journal.
pone.0275364
Benzoni, P. E. (2019). Construction and validation of the Adult Stressors Inventory (ASI). Trends in Psychi-
atry and Psychotherapy, 41(4), 375-386. http://doi.org/10.1590/2237-6089-2018-0079
Benzoni, P. E. (2023). Controle do estresse em 8 encontros: Guia para profissionais com protocolo cognitivo
para aplicação. Sinopsys.
Benzoni, P. E., Lopes, C. J. R., Santos, R. M., Angelillo, D. N. N., Castro, R. H. S., Melo, T. A., Vaz, R. F., &
Teixeira, E. E. (2022). A potencialização dos estressores ocupacionais pela pandemia da Covid-19:
um estudo com operadores de telemarketing. Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo, 26(42),
115-134.
48
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
Besharart, M. A., Khadem, H., Zarei, V., & Momtaz, A. (2020). Mediating role of perceived stress in the rela-
tionship between facing existential issues and symptoms of depression and anxiety. Iranian Journal
of Psychiatry, 15(1), 81.
Berger, P. L., & Luckmann, T. (1990). A construção social da realidade: Tratado de sociologia do conhecimento
(8ª ed.). Vozes.
Bienertová-Vašků, J., Lenart, P., & Scheringer, M. (2020). Eustress and Distress: Neither Good Nor Bad, but
Rather the Same? BioEssays, 42(3), 1900238. https://doi.org/10.1002/bies.201900238
Blustein, D., Allan, B., Davila, A., Smith, C., Gordon, M., Wu, X., Milo, L., & Whitson, N. (2022). Profiles of
decent work and precarious work: Exploring macro-level predictors and mental health outcomes.
Journal of Career Assessment, 31, 423-441. https://doi.org/10.1177/10690727221119473
Booth, J., Connelly, L., Lawrence, M., Chalmers, C., Joice, S., Becker, C., … Dougall, N. (2015). Evidence of
perceived psychosocial stress as a risk factor for stroke in adults: A meta-analysis. BMC Neurology,
15(1), 233. https://doi.org/10.1186/s12883-015- 0456-4
Braz, M. V., Casadore, M. M., & Hashimoto, F. (2020). Intervenção em psicossociologia: a construção da
escuta e a implicação nas organizações. Psicologia em Estudo, 25, e48468. https://doi.org/10.4025/
psicolestud.v25i0.48468
Cabral, M. F. C. T., Viana, A. L., & Gontijo, D. T. (2020). Utilização do paradigma da complexidade no
campo da saúde: Revisão de escopo. Escola Anna Nery, 24(3). https://doi.org/10.1590/2177-9465-
EAN-2019-0235
Brustolin, J. C. R. (2024). Estresse de professores de uma escola pública de Roraima: Uma intervenção cog-
nitivo-construtivista (Dissertação de mestrado, Universidade Paulista). Repositório Institucional da
Universidade Paulista. https://repositorio.unip.br/psicologia-dissertacoes-e-teses/estresse-de-pro-
fessores-de-uma-escola-publica-de-roraima-uma-intervencao-cognitivo-construtivista/
Cohen, S., Kamarck, T., & Mermelstein, R. (1983). A global measure of perceived stress. Journal of Health
and Social Behavior, 24(4), 385-396.
Colin-Chevalier, R., Pereira, B., Benson, A., Dewavrin, S., Cornet, T., & Dutheil, F. (2022). The protective
role of job control/autonomy on mental strain of managers: A cross-sectional study among Wittyfit’s
users. International Journal of Environmental Research and Public Health, 19. https://doi.org/10.3390/
ijerph19042153
Cruz, G. F., Cattafesta, M., Soares, F. L. P., Ferraz, A. F., Dantas, E. H. M., Viana, M. V., & Salaroli, L. B. (2020).
Estresse ocupacional e fatores associados: Um estudo em professores. Saúde e Pesquisa, 13(3), 583-
592. https://doi.org/10.17765/2176-9206.2020v13n3p583-592
Cukier, A. (2020). O neoliberalismo como “desdemocratização” do trabalho. Revista Direito e Práxis, 11(4),
2502-2516. https://doi.org/10.1590/2179-8966/2020/54904
EU-OSHA - European Agency for Safety and Health at Work. (2019). Psychosocial risks in Europe: Preva-
lence and strategies for prevention. Publications Office of the European Union. https://osha.europa.
eu/sites/default/files/Report%20co-branded%20EUROFOUND%20and%20EU-OSHA.pdf
Fushimi, M. (2022). Association between job stress and psychological distress among hospital physicians
in Japan: A comparison between two occupational stress models. Journal of Occupational Health,
64(1), e12324. https://doi.org/10.1002/1348-9585.12324
Gunasekra, K., & Perera, B. (2023). Definindo estresse ocupacional: uma revisão sistemática da literatura.
Revista FARU. https://doi.org/10.4038/faruj.v10i1.194
Gloster, A. T., Lamnisos, D., Lubenko, J., Presti, G., Squatrito, V., Constantinou, M., Nicolaou, C., Papacostas,
S., Aydın, G., Chong, Y. Y., Chien, W. T., Cheng, H. Y., Ruiz, F. J., Garcia-Martin, M. B., Obando-Posada,
49
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
D. P., Segura-Vargas, M. A., Vasiliou, V. S., McHugh, L., Höfer, S.,..., & Karekla, M. (2020). Impact of
COVID-19 pandemic on mental health: An international study. PLOS ONE, 15(12), e0244809. ht tps://
doi.org/10.1371/journal.pone.0244809
Holmes, T. H., & Rahe, R. H. (1967). The social readjustment rating scale. Journal of Psychosomatic Research,
11, 213-218. Pergamon Press. https://doi.org/10.1016/0022-3999(67)90010-4
Inanc, H. (2020). Varieties of precarity: How insecure work manifests itself, affects well-being, and is
shaped by social welfare institutions and labor market policies. Work and Occupations, 47, 504-511.
https://doi.org/10.1177/0730888420934539
Irvine, A., & Rose, N. (2024). How does precarious employment affect mental health? A scoping review
and thematic synthesis of qualitative evidence from Western economies. Work, Employment and
Society, 38(2), 418-441. https://doi.org/10.1177/09500170221128698
Javed, U. (2021). Job characteristics, family support and wellbeing: Testing an expanded version of the
Karasek model. The Journal of Contemporary Issues in Business and Government, 27, 4781-4810. ht tps://
doi.org/10.47750/cibg.2021.27.02.499
Karasek, R. A. (1979). Job demands, job decision latitude, and mental strain: Implications for job redesign.
Administrative Science Quarterly, 24(2), 285-308.
Lax, W. D. (1998). O pensamento pós-moderno na prática clínica. In S. McNamee & K. J. Gergen (Eds.), A
terapia como construção social (pp. 86-105). ArtMed.
Lazarus, R. S. (1966). Psychological stress and the coping process. McGraw-Hill.
Lazarus, R. S. (1995). Psychological stress in the workplace. In R. Crandall & P. L. Perrewé (Eds.), Occupa-
tional stress: A handbook (pp. 3-14). Taylor & Francis.
Lazarus, R. S. (2000). Toward better research on stress and coping. American Psychologist, 55(6), 665-673.
https://doi.org/10.1037/0003-066X.55.6.665
Lee, J. (2025). So, What is Theory?. Human Resource Development Review. https://doi.
org/10.1177/15344843241313150.
Luo, J., Zhang, B., Willroth, E., Mroczek, D., & Roberts, B. (2021). The roles of general and domain-spe-
cific perceived stress in healthy aging. Innovation in Aging, 5, 10-10. https://doi.org/10.1093/geronb/
gbab134
Maturana, H. R. (1991/2020). El sentido de lo humano. Paidós.
Maturana, H. R., & Varela, F. J. G. (1972). De máquinas y seres vivos. Editorial Universitaria.
Maturana, H. R., & Varela, F. J. G. (2009). El árbol del conocimiento humano. Editorial Universitaria.
Mahoney, M. J. (1988). Processos humanos de mudança: As bases científicas da psicoterapia. Artmed.
Mahoney, M. J. (2005). Psicoterapia constructiva: Una guía práctica. Paidós.
Mohajan, D., & Mohajan, H. K. (2022). Constructivist grounded theory: A new research approach in social
science. Research and Advances in Education, 1(4), 8-16. https://mpra.ub.uni-muenchen.de/114970/1/
MPRA_paper_114970.pdf
Morin, E. (2005). Introdução ao pensamento complexo (E. Lisboa, Trad.). Ed. Sulina.
Neves, D. (2022). A exploração do trabalho no Brasil contemporâneo. Katál., 25(1), 11-21. https://doi.
org/10.1590/1982-0259.2022.e82561
Neimeyer, G. J. (1997). O desafio da mudança. In R. A. Neimeyer & M. J. Mahoney (Orgs.), Construtivismo
em psicoterapia (pp. 95-106). Artmed.
50
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Paulo Eduardo Benzoni
OECD - Organisation for Economic Co-operation and Development. (2012). Sick on the job? In Mental
health and work. https://doi.org/10.1787/22257985
Organização Mundial da Saúde. (2022, September 28). Guidelines on mental health at work. https://www.
who.int/publications/i/item/9789240053052
Pereira, H. A., Cavalcante, C. E., & Albuquerque, R. S. (2018). COPING: Um estudo sobre o estresse e suas
estratégias de enfrentamento em uma multinacional em João Pessoa/PB. Qualitas Revista Eletrônica,
19(2), maio/agosto. http://dx.doi.org/10.18391/req.v19i2.3034
Promotion Santé Suisse. (2022). Job Stress Index 2022 – Monitorage des indicateurs du stress chez les person-
nes actives en Suisse (Feuille d’information 72). https://www.promotionsante.ch
Porcacchia, A., Tufik, S., Pires, G., Bezerra, A., Tufik, S., & Andersen, M. (2023). 0302 Impacto da pande-
mia de COVID-19 no padrão de sono de uma amostra populacional brasileira.SONO. https://doi.
org/10.1093/sleep/zsad077.0302
Ricciardelli, R., & Carleton, R. N. (2021). A qualitative application of the Job Demand-Control-Support
(JDCS) to contextualize the occupational stress correctional workers experience. Journal of Crime
and Justice, 45(2), 135151. https://doi.org/10.1080/0735648X.2021.1893790
Rocha, M., Marin, M., Seda, J., Borgato, M., & Lazarini, C. (2021). Social, health, and working condi-
tions among hospital workers. Revista Brasileira de Enfermagem, 74(2), e20200321. https://doi.
org/10.1590/0034-7167-2020-0321
Russo, C., & Terraneo, M. (2020). Mental well-being among workers: A cross-national analysis of job inse-
curity impact on the workforce. Social Indicators Research, 152, 421–442. https://doi.org/10.1007/
s11205-020-02441-5
Sabirovna, S. G. (2022). Experiencia, explicación, y la búsqueda de la coherencia. International Journal of
Early Childhood Special Education, 14(5).
Sandoval, J., & Guerra, A. (2020). Una perspectiva situada sobre el conocimiento de la vida cotidiana.
Cinta de Moebio, 68, 120-133. https://doi.org/10.4067/S0717-554X2020000200120
Selye, H. (1950). Stress and the general adaptation syndrome. British Medical Journal, 4667, 1383-1392.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2038162/pdf/brmedj03603-0003.pdf
Selye, H. (1959). Stress: A tensão da vida. Ibrasa.
Shi, J., Huang, A., Jia, Y., & Yang, X. (2020). Perceived stress and social support influence anxiety symp-
toms of Chinese family caregivers of community-dwelling older adults: A cross-sectional study. Psy-
chogeriatrics.. https://doi.org/10.1111/ psyg.12510
Silva, M. L., Dias, M. D., Cora, K. C., Rondina, R. C., Bastos, E. F., & Almeida, C. C. (2020). Vulnerabilida-
des na saúde mental de universitários em período de estágio clínico. Revista Saúde e Desenvolvimento
Humano, 8(3), 49-60. https://doi.org/10.5935/1808-5687.20140002
Silva, M. S. T., & Torres, C. R. O. V. (2020). Alterações neuropsicológicas do estresse: Contribuições da
neuropsicologia. Revista Científica Novas Configurações – Diálogos Plurais, 1(2), 67-80. http://dx.doi.
org/10.4322/2675-4177.2020.021
Simonelli, L. (2020). Occupational stress and alternatives of intervention: a bibliometric study. Research,
Society and Development, 3, e67932401. https://doi.org/10.33448/rsd-v9i3.2401
Slavich, G. M. (2019). Stressnology: The primitive (and problematic) study of life stress exposure and press-
ing need for better measurement. Brain, Behavior, and Immunity, 75, 3–5. https://doi.org/10.1016/j.
bbi.2018.08.011
51
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XXI • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2025 pp. 37-51
Um olhar sobre o estresse ocupacional pela lente do construtivismo
Slavich, G. M. (2020). Social safety theory: A biologically based evolutionary perspective on life stress,
health, and behavior. Annual Review of Clinical Psychology, 16(1), 265–295. https://doi.org/10.1146/
annurev-clinpsy-032816-045159
Soares, S. V., Picolli, I. R. A., & Casagrande, J. L. (2018). Pesquisa bibliográfica, pesquisa bibliométrica,
artigo de revisão e ensaio teórico em administração e contabilidade. Administração: Ensino e Pes-
quisa, 19(2), 308–339. https://doi.org/10.13058/raep.2018.v19n2.970
Soto Cárdenas, M. A., Yáñez Montecinos, J., Benzoni, P. E., & Wehmeyer, E. W. (2025). Adaptación y vali-
dación de contenido de instrumento para evaluar percepción de estrés. Contribuciones a las Ciencias
Sociales, 18(3), 1–27. https://doi.org/10.55905/revconv.18n.3-198
Spire, A. (1999). O pensamento de Prigogine. Instituto Piaget.
Spada, M. M., Nikˇcevi´c, A. V., Moneta, G. B., & Wells, A. (2008). Metacognition, perceived stress, and
negative emotion. Personality and Individual Differences, 44(5), 11721181. https://doi.org/10.1016/j.
paid.2007.11.010
Varela, F. (1988/2013). Conocer: las ciencias cognitivas – tendencias y perspectivas. Editorial Gedisa.
Varela, F. (1996). Ética y acción. Dolmen Ensayo.
Varela, F. (2000). El fenómeno de la vida. Dolmen.
Varela, F. (2003). El reencantamiento de lo concreto. Dolmen.
Vindegaard, N., & Benros, M. E. (2020). COVID-19 pandemic and mental health consequences: Systematic
review of the current evidence. Brain, Behavior, and Immunity, 89, 531–542. https://doi.org/10.1016/j.
bbi.2020.05.048
Xiong, J., Lipsitz, O., Nasri, F., Lui, L. M. W., Gill, H., Phan, L., Chen-Li, D., Iacobucci, M., Ho, R., Majeed, A.,
& McIntyre, R. S. (2020). Impact of COVID-19 pandemic on mental health in the general population: A
systematic review. Journal of Affective Disorders, 277, 55–64. https://doi.org/10.1016/j.jad.2020.08.001
Wang, Q., Xu, W., Ren, L., Wang, W., & Wang, Y. (2019). The relationship between hope and post-traumatic
stress disorder in Chinese shidu parents: The mediating role of perceived stress. Journal of Affective
Disorders, 251, 23–30. https://doi.org/10.1016/ j.jad.2019.03.049
Wirkner, J., Christiansen, H., Knaevelsrud, C., Lüken, U., Wurm, S., Schneider, S., & Brakemeier, E.-L.
(2021). Mental health in times of the COVID-19 pandemic: Current knowledge and implications from
a European perspective. European Psychologist, 26(4), 310322. https://doi.org/10.1027/1016-9040/
a000465
Wright, E. N., Hanlon, A., Lozano, A., & Teitelman, A. M. (2019). The impact of intimate partner violence,
depressive symptoms, alcohol dependence, and perceived stress on 30-year cardiovascular dise-
ase risk among young adult women: A multiple mediation analysis. Preventive Medicine, 121, 47–54.
https://doi.org/10.1016/j.
Zambotto, T. (2022). Como fatores estressantes vividos na infância influenciam no desenvolvimento neu-
ropsicológico e afetam a vida adulta: Uma revisão integrativa. Taboão da Serra. https://repositorio.
pgsscogna.com.br/browse?type=author&value=ZAMBOTTO%2C+Talita