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CONDIÇÕES DE SAÚDE E ENVELHECIMENTO BEMSUCEDIDO ENTRE
PESSOAS IDOSAS RURAIS RIBEIRINHAS AMAZÔNICAS
HEALTH CONDITIONS AND SUCCESSFUL AGING AMONG RURAL ELDERLY
PEOPLE RIVERSIDE THE AMAZON
Rodolfo Gomes Nascimento1; Ronald Cardoso2; Ketlin Jaquelline de Castro3;
Dora Beatriz Corrêa; Celina Magalhães4
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XXI • ISSUE FASCÍCULO 2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2025 PP. 1936
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XXI.2.2.
Submited on 23/09/2025 Submetido a 23/09/2025
Accepted on 26/11/2025 Aceite a 26/11/2025
Resumo
Objetivo: Conhecer as condições de saúdesica e mental e o Envelhecimento bem-suce-
dido (EBS) entre pessoas idosas rurais ribeirinhas da Amazônia. todo: Estudo descritivo-ob-
servacional em 11 ilhas fluviais do município de Cametá, Pará, Brasil, com 77 pessoas idosas
rurais ribeirinhas. Para a coleta de dados foram utilizados o questionário sociodemográfico, o
questionário sobre características de saúde e a Escala de Envelhecimento Bem-Sucedido (SAS-
B). Analisou-se os dados pela estatística descritiva através da distribuição de frequência, taxa
percentual, intervalos de confiaa de 95%,nimo,ximo, média e desvio-padrão. Resul-
tados: A maioria dos participantes eram pessoas idosas jovens (60-69 anos), do sexo feminino,
casadas, com baixa escolaridade e renda, e de religião católica. Observou-se que embora maior
parte dos participantes percebesse sua saúde como ruim, tinham suporte social satisfatório,
eram funcionalmente independentes e utilizam serviços institucionais de saúde. Em relação à
investigação do EBS, o desempenho das pessoas idosas rurais ribeirinhas alcançou pontuação
elevada (76.40±7.28), com destaque para o domínio “Engajamento com a Vida” que teve média
de 31.20 pontos (±3.21). Conclusão: As evidências demonstraram que embora haja importan-
tes vulnerabilidades sociais no contexto investigado, as pessoas idosas rurais ribeirinhas são
1 Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil.
e-mail: ronald.cardoso01@hotmail.com https://orcid.org/0000-0001-5938-4676
2 Universidade Estadual do Pará, Belém, PA, Brasil. e-mail: rodgn@hotmail.com https://orcid.org/0000-0002-4619-5646
3 Universidade Estadual do Pará, Belém, PA, Brasil. e-mail: ketlin.ket@gmail.com https://orcid.org/0000-0001-5642-1662
4 Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil.
e-mail: celinaufpa@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-1279-179X
Autor correspondente
Rodolfo Gomes do Nascimento
Rua Augusto Corrêa, 01, Campus Universitário do Guamá, Belém, PA. 66.075-110;
(91)3201-7662. http://orcid.org/0000-0002-4619-5646
Conflito de interesses: Em nome de todos os autores, o autor correspondente declara que não há conflito de interesses.
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capazes de envelhecer com sucesso sob influência de mecanismos biopsicossociais e compor-
tamentais compensatórios.
Palavras-chave: Pessoa idosa, Envelhecimento bem-sucedido, área rural, Amazônia.
Abstract
Objective: To understand the physical and mental health conditions and Successful Aging
(EBS) among rural elderly people living on the riverbanks of the Amazon. Method: Descrip-
tive-observational study on 11 river islands in the municipality of Cametá, Pará, Brazil, with 77
rural elderly people living on the riverbank. For data collection, the sociodemographic question-
naire, the health characteristics questionnaire and the Successful Aging Scale (SAS-B) were used.
Data were analyzed using descriptive statistics through frequency distribution, percentage rate,
95% confidence intervals, minimum, maximum, mean and standard deviation. Results: Most
participants were young elderly people (60-69 years), female, married, with low education and
income, and of Catholic religion. It was observed that although most participants perceived their
health as poor, they had satisfactory social support, were functionally independent and used
institutional health services. In relation to the EBS investigation, the performance of rural river-
side elderly people achieved a high score (76.40±7.28), with emphasis on the “Engagement with
Life” domain, which had an average of 31.20 points (±3.21). Conclusion: The evidence demon-
strated that although there are important social vulnerabilities in the investigated context, rural
riverside elderly people are capable of aging successfully under the influence of compensatory
biopsychosocial and behavioral mechanisms.
Keywords: elderly, aging; healthy aging, successful aging, rural área; Amazon
Introdução
Na Amazônia, as populações rurais ribeirinhas apresentam especificidades singulares, deri-
vadas das condições geográficas, sociais e culturais da rego. Estas populações vivem em con-
textos de isolamento geográfico, desigualdades sociais e desigualdades no acesso aos serviços de
saúde (Garnelo et al., 2020; Nascimento et al., 2019).
Apesar disto, na velhice, o estilo de vida ativo e engajado, associado ao forte suporte social
familiar e comunitário, bem como à valorização do idoso enquanto guardião dos saberes tra-
dicionais, constituem importantes fontes de resiliência, contribuindo para a preservação da
qualidade de vida. e a valorização do papel social enquanto guardiões dos saberes tradicionais
funcionam como importantes fontes de resiliência, favorecendo a manutenção da qualidade de
vida (Nascimento et al., 2022; Costa et al., 2021). Esse cenário sublinha a importância de uma
abordagem biopsicossocial da saúde, que considere os fatores ambientais e sociais específicos
das diferentes populações.
No Brasil, o envelhecimento populacional es ocorrendo de forma acelerada, delineando
um novo perfil epidemiológico que exige respostas adequadas da sociedade (Romero, 2022). As
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento impactam significativamente o desempe-
nho físico, o estado nutricional e aumentam o risco de doenças crônicas (Ikegami et al., 2020).
Este cenário destaca a necessidade de uma abordagem multidimensional sobre saúde que
além do modelo biomédico, integrando aspectos psicológicos, sociais e de funcionalidade para
atender às necessidades da população idosa.
O conceito ampliado de saúde, elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com-
preendido como “completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência
de doença ou enfermidade, abrange fatores econômicos, ambientais, culturais e individuais que
influenciam o bem-estar (OMS, 2020). Ele faz parte da promoção da saúde, que vê a saúde como
um direito humano fundamental e enfatiza a criação de condições favoráveis para uma vida sau-
dável. Este conceito é influenciado pelos princípios da Declaração de Alma-Ata (1978) e da Carta
de Ottawa (1986), que destacam a importância de um sistema de saúde acessível, abrangente e
equitativo, fundamentais para um bom envelhecimento (Alvergne, 2023; Raviglione, 2023).
Por sua vez, conceito de Envelhecimento Bem-Sucedido (EBS), introduzido por Rowe e Kahn
(1987), propõe que é possível envelhecer bem mantendo o bom funcionamento físico, cognitivo
e social. Para alcançar o EBS, é necessário viver sem doenças e incapacidades pelo maior tempo
possível, preservando a função cognitiva e física e adaptando-se psicologicamente (Rowe &
Kahn, 1997). Esse modelo reflete a definição da OMS, ao enfatizar não só a ausência de doença,
mas um estado completo de bem-estar.
Tal constructo gerontológico tem recebido uma atenção especial nos últimos anos, devido
à atratividade e importância da questão do envelhecimento no mundo moderno. Para tanto, o
paradigma lifespan ou “perspectiva do desenvolvimento ao longo do curso de vida, compreen-
dido como uma importante abordagem da psicologia do desenvolvimento, tem oferecido bases
para dialogar sobre as possibilidades de se envelhecer com sucesso, mantendo um bom fun-
cionamento em todos os aspectos de suas vidas. Este paradigma oferece uma base teórica para
entender o envelhecimento, considerando os mecanismos biológicos subjacentes às mudaas
relacionadas à idade e o papel dos fatores psicogicos e sociais (Baltes et al., 1990; Baltes & Bal-
tes, 1990; Baltes, 1997; Baltes & Singer, 2001). Assim, entende-se que o paradigma lifespan dialoga
com a definição de sde da OMS, ao reconhecer que a saúde é influenciada por uma interação
complexa de fatores ao longo da vida.
Portanto, a definição de saúde da OMS, que enfatiza o bem-estar físico, mental e social, está
profundamente conectada com o estudo do envelhecimento e com a compreensão dos diferentes
contextos em que as pessoas idosas vivem. O envelhecimento bem-sucedido, conforme os mode-
los teóricos apresentados, destaca a necessidade de políticas e práticas de saúde que promovam
não apenas a longevidade, mas também a qualidade de vida em todas as suas dimensões (OMS,
2015). Essa abordagem holística é fundamental para enfrentar os desafios do envelhecimento
populacional e para promover um envelhecimento ativo e bem-sucedido, especialmente em con-
textos diversos como o das populações ribeirinhas da Amazônia.
Conhecer as características biopsicossociais de pessoas idosas é crucial tanto para com-
preender as vulnerabilidades, quanto o sucesso no processo de envelhecimento. Desse modo, tais
investigações tornam-se relevantes para ampliar o conhecimento, preenchendo as lacunas da
literatura científica e fornecendo subsídios para respaldar projetos e políticas de saúde pública
no sentido da prevenção de agravos na velhice e da promoção de um envelhecimento mais ativo
e bem-sucedido. A partir das colaborações teóricas aqui apresentadas, esta pesquisa tem como
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objetivo conhecer as condições de saúdesica e mental e o envelhecimento bem-sucedido entre
as pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas.
1. Método
Delineamento do estudo
O estudo caracteriza-se como descritivo, abordagem quantitativa de coleta transversal dos
dados. Foi conduzido entre junho de 2022 e setembro de 2023 em ilhas do município de Cametá,
estado do Pará: ilha Tem-tem, ilha de Tem-tenzinho, ilha de Mutuacá, ilha de Mutuacazinho, ilha
de Joroca, ilha de Jorocazinho, ilha de Pacacanga, ilha de Itanduba de baixo, ilha de Maú, rio Fur-
tado e rio Juba. A pesquisa foi realizada seguindo os preceitos éticas estabelecidas pela resolução
nº 466/2012 CNS. O Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Núcleo de Medicina
Tropical da Universidade Federal do Pará (CEP/NMT/UFPA) aprovou o estudo sob o parecer de
número 6.546.850. As instituições envolvidas no estudo autorizaram formalmente a coleta de
dados e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
antes de serem incluídos na pesquisa.
Participantes
Participaram do estudo 77 pessoas idosas residentes no contexto rural ribeirinho, que faziam
uso dos serviços públicos de saúde do município, recrutadas de forma não probabilística por con-
veniência, de forma consecutiva considerando principalmente a receptividade dos indivíduos
para a coleta dos dados. Os critérios de inclusão envolveram idade igual ou superior a 60 anos,
residência em comunidades ribeirinhas tradicionais em situação de isolamento territorial. Para
garantir a confiabilidade dos dados foram excluídos do estudo indivíduos com possível decnio
cognitivo, observado através do 10-point cognitive screener - 10CS (pontuação menor ou igual a
sete de um total de 10 pontos), com incapacidade comunicativa e aqueles sob cuidados paliativos
ou em processo de finitude.
Instrumentos
Os instrumentos utilizados para caracterização geral da amostra foram elaborados pelos
pesquisadores e incluíram questionários com perguntas fechadas com múltiplas escolhas de res-
posta sobre dados sociodemográficos (idade, sexo, estado civil atual, raça, religião, arranjo de
moradia, escolaridade, estado ocupacional, propriedade da residência, chefia familiar e renda
mensal) e características de saúde (autopercepção de saúde, suporte social, tabagismo, alcoo-
lismo, alimentação saudável, prática de exercícios físicos, polipatologia – cinco ou mais doen-
ças crônicas, uso de medicamentos, polifarmácia – cinco ou mais medicamentos, esquecimento,
humor, independência funcional e uso de serviços de saúde).
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
Além disso, para a avaliação do EBS foi utilizada a Escala de Envelhecimento Bem-Suce-
dido (SAS-B), desenvolvida por Silva-Sauer et al. (2020) para mensurar as dimensões subjetivas
do envelhecimento de modo multidimensional.
Esta escala é uma versão adaptada da escala Successful Aging Scale proposta por Reker (2009),
é composta por 13 itens distribuídos em três domínios: (1) Estilo de Vida Saudável, que avalia o
bom funcionamento físico e mental; (2) Enfrentamento Adaptativo, que investiga a capacidade
em “lidar com situações adversas” e (3) Engajamento com a Vida, o qual avalia o envolvimento
em atividades produtivas. As respostas são avaliadas em uma escala do tipo Likert de sete pontos,
variando de um (concordo plenamente) para sete (discordo fortemente) e seu escore total varia de
14 a 98, com pontuações mais altas representando percepções mais positivas sobre o processo de
envelhecimento e adaptação do indivíduo à velhice. Vale ressaltar que para a versão portuguesa
brasileira da escala demonstrara uma confiabilidade aceitável, com coeficientes de confiabili-
dade de ω 0,70 para Hábitos de Vida Saudáveis, ω 0,69 para o Enfrentamento Adaptativo e ω 0,70
para Engajamento com a Vida.
Procedimentos
A coleta de dados foi realizada de maneira perdica e intensiva por quatro pesquisadores
nos equipamentos de saúde do município que atendem especificamente a população rural ribei-
rinha: Unidadesica de Saúde Chiquinho Nabiça e Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSf)
Comandante Ruy Demétrio Andrade. Cabe destacar que os servos da UBSf são itinerantes e
perdicos e tem como finalidade garantir o acesso dessas populações que vivem em áreas isola-
das, muitas vezes sem acesso contínuo aos equipamentos de saúde. Para mitigar qualquer viés de
informação, todos os pesquisadores passaram por um treinamento prévio que incluiu a aplicação
dos instrumentos de coleta de dados. No início do processo, os participantes receberam uma
explicação detalhada sobre os objetivos da pesquisa e, aqueles que concordaram em participar,
assinaram o TCLE. Cada coleta individual ocorreu em sessão única, com duração estimada que
variava em sua maioria entre 30 e 40 minutos.
Não houve remuneração ao público alvo pela participação no estudo. Embora os questioná-
rios pudessem ser autoaplicáveis, as escalas foram aplicadas aos participantes devido a algumas
dificuldades específicas, como analfabetismo e problemas visuais.
Analise estatística
Para a análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva dos dados através da distribui-
ção de freqncia, taxa percentual, intervalos de confiança de 95% (IC95%), mínimo, máximo,
média e desvio-padrão no programa estatístico Epi Info versão 7.2.3.1®.
2. Resultados
Participaram da pesquisa 77 pessoas idosas rurais ribeirinhas. A perda amostral foi de 19
indivíduos (18 por provável declínio cognitivo e um por incapacidade comunicativa). Em rela-
ção ao rastreio de declínio cognitivo pelo 10CS, vale citar que o escore médio dos participantes
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alcançou 9.31 (±1.36) e a média do teste de fluência verbal alcançou o escore médio de 12.70
(±3.28). Ambos representam excelente desempenho nos testes cognitivos aplicados.
No que se refere às características sociodemográficas do universo amostral, 54.55% (n=42) era
do sexo feminino, com a maioria na faixa-etária entre 60-69 anos de idade (58.44%; 45) e média
de idade de 68.33 (±6.65). Em relação ao estado civil, 85.71% (n=66) da amostra era casada; 61.04%
(n=47) se considerava de cor parda; 84.42% (n=65) era de religião calica e 33.77% (n=26) residia
com seus cônjuges e descendentes. A maioria só possuía o ensino fundamental (74.03%; n=57)
como nível de escolaridade. Sobre o aspecto do trabalho, 51.95% (n=40) referiu ainda exercer
atividades laborativas, onde a maior parte mencionou renda mensal estimada de ½ a um sario
mínimo (53,25%). Destes, 89.61% (n=69) chefiava suas famílias e 96.10% (n=74) era proprietários
de sua residência (Tabela 1).
TABELA1
Características sociodemográficas das pessoas idosas rurais ribeirinhas participantes da pesquisa,
Cametá,Pará, n = 77, 2023
Variável n%IC95%
Sexo
Masculino 35 45.45 34.06-57.21
Feminino 42 54.55 42.79-65.94
Faixa etária
60-69 45 58.44 46.4-69.57
70-79 27 35.06 24.53-46.78
80-89 5 6.49 2.14-14.51
Estado conjugal
Casado ou com companheiro(a) 66 85.71 75.87-92.65
Solteiro 5 6.49 2.14-14.51
Divorciado. separado ou desquitado 1 1.30 0.03-7.02
Viúvo 5 6.49 2.14-14.51
Cor da pele
Branca 11 14.29 7.35-24.13
Preta 18 23.38 14.48-34.41
Parda 47 61.04 49.25-71.95
Amarela 1 1.30 0.03-7.02
Religião
Católico 65 84.42 74.36-91.68
Não católicos 12 15.58 8.32-25.64
Arranjo domiciliar
Sozinho 1 1.30 0.03-7.02
Marido/ mulher/ companheiro 22 28.57 18.85-40.00
Com descendentes 4 5.19 1.43-12.77
Cônjuge e descendentes 26 33.77 23.38-45.45
Arranjos mistos 24 31.17 21.09-42.74
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
Variável n%IC95%
Nível de escolaridade
Nunca foi à escola 16 20.78 12.37- 31.54
Ensino fundamental 57 74.03 62.77- 83.36
Ensino médio 4 5.19 1.43- 12.77
Ocupação prossional
Sim 40 51.95 40.26-63.48
Não 37 48.05 36.52-59.74
Renda mensal familiar
Até ½ salário mínimo 3 3.90 0.81-10.97
Mais de ½ a 1 salário mínimo 41 53.25 41.52-64.71
Mais de 1 a 2 salários mínimos 32 41.56 30.43-53.36
Chea familiar (responsável pela provisão de recursos e pela
tomada de decisões no ambiente familiar)
Sim 69 89.61 80.55-95.41
Não 8 10.39 4.59-19.45
Proprietário(a) da residência
Sim 74 96.10 89.03-99.19
Não 3 3.90 0.81-10.97
NSR: Não soube responder.
Com relação à variável autopercepção de saúde, houve maior freqncia da resposta “ruim
pelos entrevistados (35.06%; n=27). Porém, 85.71% (n=66) apresentou suporte social satisfató-
rio, demonstrando ter sempre com quem contar quando precisava. Sobre os hábitos de vida,
maior parte das pessoas idosas era não tabagista (72.73%; n=56) e não etilista (71.43%; n=55).
Quando questionados sobre a variável alimentação, a maioria considerou ser saudável (74.03%;
n=57). Entretanto, apenas 12.99% (n=67) praticava algum tipo de exercíciosico regularmente
(Tabela2).
No que diz respeito às comorbidades múltiplas, foi identificado que 63.64% (n=49) das pes-
soas idosas investigadas não apresentou polipatologia, apesar da grande parte ter relatado o uso
de um ou dois medicamentos de modo contínuo (58.44%; n=45). Além disso, a maioria também
não apresentou polifarmácia (quatro ou mais medicamentos de uso contínuo) (97.40%; n=75). A
respeito do estado mental, 70.13% (n=54) negou esquecimento e, a pluralidade (67.53%) negou
alterações relacionadas ao humor. Sobre a variável “uso de serviço de saúde, 51,95% (n=40) afir-
mou utilizar regularmente serviços institucionais de saúde (Tabela 2).
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TABELA2
Condição de saúde das pessoas idosas rurais ribeirinhas participantes da pesquisa,
Cametá, Pará, n = 77, 2023
Variável n%IC 95%
Autopercepção de saúde
“Pensando de um modo geral, como o senhor(a) avalia a sua saúde no
momento atual?”
Muito boa 9 11.69 5.49-21.03
Boa 13 16.88 9.31-27.14
Regular 20 25.97 16.64-37.23
Ruim 27 35.06 24.53-46.78
Muito ruim 8 10.39 4.59-19.45
Suporte social
“Quando o(a) senhor(a) precisa de ajuda, pode contar com alguém que
atenda suas necessidades?”
Sempre 66 85.71 75.87-92.65
Às vezes 9 11.69 5.49-21.03
Nunca 2 2.60 0.32-9.07
Tabagismo
Sim 21 27.27 17.74-38.62
Não 56 72.73 61.38-82.26
Alcoolismo
Sim 22 28.57 18.85-40.00
Não 55 71.43 60.00-81.15
Alimentação saudável “O(a) senhor(a) considera sua alimentação
saudável?”
Sim 57 74.03 62.77-83.36
Não 18 23.38 14.48-34.41
NSR 2 2.60 0.32-9.07
Prática exercícios físicos
“O(a) senhor(a) pratica exercícios físicos regularmente? (ex. caminhada,
dança, natação, alongamento etc.)”
Sim 10 12.99 6.41-22.59
Não 67 87.01 77.41-93.59
Polipatologia (5 ou mais doenças)
Algum prossional de saúde já disse que o(a) senhor(a) tem ou teve:
Sim 28 36.36 25.70-48.12
Não 49 63.64 51.88-74.30
Uso de medicamentos (5 ou mais medicamentos)
Nenhum 24 31.17 21.09-42.74
1 - 2 45 58.44 46.64-69.57
3 - 5 7 9.09 3.73-17.84
>5 1 1.30 0.03-7.02
Polifarmácia
Sim 2 2.60 0.32-9.07
Não 75 97.40 90.93-99.68
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
Variável n%IC 95%
Esquecimento
Algum familiar ou amigo falou que o(a) senhor(a) está cando esquecido?”
Sim 23 29.87 19.97-41.38
Não 54 70.13 58.62-80.03
Humor
“No último mês. o(a) senhor(a) cou com desânimo, tristeza ou
desesperança?”
Sim 25 32.47 22.23-44.10
Não 52 67.53 55.90-77.77
Utilização serviços
“Em geral o(a) senhor(a) utiliza regurlamente serviços de saúde para
diagnóstico ou tratamento de alguma situação de saúde?”
Sim 40 51.95 40.26-63.48
Não 37 48.05 36.52-59.74
NSR: Não soube responder.
No que concerne à independência funcional (Tabela 3), ressalta-se que a maioria das pes-
soas avaliadas não necessitava de ajuda para realizar Atividades de Vida Diária Instrumentais –
AVDIs (atividades para apoio à vida diária em casa e na comunidade) (Gomes; Teixeira & Ribeiro,
2021). Porém, ao analisar as atividades que mais necessitavam de ajuda para realizar, destaca-
ram-se “usar telefone” (37.66%; n=29) e “locomoção/transporte” (24.68%; n=19).
TABELA3
Distribuição da amostra segundo a necessidade de ajuda para realizar as AVDIs, Cametá, Pará, n = 77, 2023
Atividade Necessitam de ajuda Não necessitam de ajuda
n%n%
Usar telefone 29 37.66 48 62.34
Locomoção/Transporte 19 24.68 58 75.32
Sair de casa sozinho(a) 18 23.38 59 76.62
Cuidar da casa 16 20.78 61 79.22
Fazer compras 15 19.48 62 80.52
Preparar refeição 14 18.18 63 81.82
Tomar remédios 13 16.88 64 83.12
Cuidar do dinheiro 9 11.69 68 88.31
Sobre a presença de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs), assinalam-se as mais
prevalentes deste estudo: 81.82% (n=63) das pessoas idosas entrevistadas referiu problemas oftal-
mológicos, como por exemplo catarata e glaucoma; 66.23% (n=51) queixou-se de sinais/sintomas
osteoarticulares e 48.05% (n=37) (apresentou hipertensão arterial sistêmica (Tabela 3).
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TABELA4
Distribuição da amostra segundo a presença de doenças crônicas, Cametá, Pará, n = 77, 2023
Doença crônica n%
Problemas oftalmológicos 63 81,82
Disfunções osteoarticulares 51 66,23
Hipertensão arterial sistêmica 37 48,05
Desconforto digestivo 36 46,75
Alterações do sono 34 44,16
Diabetes Mellitus 8 10,39
Incontinência urinária 15 19,48
Problemas de audição 13 16,88
Outras doenças cardiovasculares 8 10,39
Doenças pulmonares crônicas 7 9,09
Osteoporose 6 7,79
Embolia/Derrame 2 2,60
Incontinência fecal 2 2,60
Tumor maligno/câncer 1 1,30
Depressão 1 1,30
Outras 15 19,48
Quanto à investigação do EBS pela SAS-B, o desempenho das pessoas idosas rurais ribeiri-
nhas chamou atenção de modo positivo, alcançando o escore médio de 76.40 (±7.28). Em relação às
estratégias representadas pelos domínios da SAS-B, observou-se melhor desempenho no “Enga-
jamento com a Vida, o qual nos mostra que a média de 31.20 (±3.21) das pessoas idosas avaliadas
estava envolvida com atividades produtivas, seguido do domínio “Estilo de Vida Saudável, o
qual sugeriu que a média de 24.18 (±3.15) do total da amostra apresentou bom funcionamento
físico e mental. Acerca do domínio que analisou Enfrentamento Adaptativo, a média de 21.10
(±3.72) das pessoas idosas demonstrou capacidade em enfrentar situações adversas (Quadro 1).
QUADRO1
Escore médio da escala de envelhecimento bem-sucedido versão brasileira (SAS-B) e dos seus domínios,
Cametá, Pará, n = 77, 2023
Escala e domínios Média(dp) Mín.-Máx.
EBS 76.40(±7.28) 54-91
Estilo de Vida Saudável 24.18(±3.15) 10-28
Enfrentamento Adaptativo 21.10(±3.72) 13-28
Engajamento com a Vida 31.20(±3.21) 18-35
Nota: EBS - envelhecimento bem-sucedido/ dp – desvio padrão/ Min. -mínimo/ Máx. – máximo.
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
3. Discussão
Os resultados deste estudo preenchem algumas importantes lacunas na literatura sobre o
curso de envelhecimento em contextos rurais ribeirinhos, fornecendo evidências gerais sobre as
características sociodemográficas e clínicas, além da representação do EBS a partir da autoper-
cepção das pessoas idosas investigadas, apoiando uma melhor compreeno das experiências e
mecanismos de enfrentamento nesta fase da vida.
Com relação aos dados sociodemográficos, é importante notar que o perfil predominante da
amostra representado por pessoas idosas do sexo feminino, em faixa-etária mais jovem, casadas,
com cor da pele parda, laboralmente ativas foi semelhante aos resultados encontrados em outros
estudos com pessoas idosas rurais ribeirinhas amanicas (Costa et al., 2021; Scantbelruy et al.,
2023; Freire Junior et al., 2018).
Os resultados referentes à escolaridade e renda neste estudo também corroboraram perfis
de vulnerabilidade já anteriormente registrados. Um contraponto que merece destaque é que
embora a maioria das pessoas idosas em áreas rurais ribeirinhas tenha baixa escolaridade,
observa-se uma ampla valorização do conhecimento informal e das experiências acumuladas ao
longo da vida, conferindo destaque social aos mais velhos por parte dos integrantes das comuni-
dades tradicionais (Cerqueira Castro al., 2021). Além disso, esses mesmos autores ao analisarem
as representações sociais relativas à renda na velhice ribeirinha, especulam que ao conquistar
uma renda fixa por meio da aposentadoria acaba sendo um fator positivo na vivência do enve-
lhecimento, podendo inclusive aproximar a família, tendo em vista que esta renda é responsável
em grande parte pelo sustento das famílias ribeirinhas.
Deve-se ter em mente que as famílias rurais ribeirinhas apresentam um poder aquisitivo
muito baixo, subsistindo principalmente da pesca e agricultura. Nesse contexto, a prioridade
é a produção de alimentos para consumo pprio, e apenas o excedente é destinado à venda
para gerar alguma renda para a família (Gama et al., 2018). Ainda sobre a renda, para Ferreira
et al. (2017), algumas representões sociais acerca da renda para pessoas idosas revelam que o
dinheiro é percebido como um meio para melhorar as condições de vida, abrangendo aspectos
como moradia, lazer, poder de compra, alimentação, entre outros. Essas condições são consi-
deradas essenciais para satisfazer suas necessidades básicas, obter acesso a cuidados de saúde
adequados e proporcionar uma melhor QV e bem-estar às pessoas idosas.
Outro dado explicitado nesta investigação mostra que a maioria das pessoas idosas envol-
vidas no estudo chefiavam suas falias e eram proprietários de sua residência. Alguns estudos
revelam que a moradia desempenha um papel fundamental na velhice, uma vez que as pessoas
idosas passam a maior parte do seu tempo em seu domicílio (Oswald et al., 2007; E et al., 2024).
Essa maior permanência da pessoa idosa rural ribeirinhas em casa não apenas fortalece os laços
familiares, mas também pode refletir uma percepção de tranquilidade e descanso durante a
velhice. Além do mais, ter um ambiente seguro e acolhedor nesta fase da vida impulsiona o bem-
-estar físico, emocional e social dessas pessoas (Silva et al., 2011).
Os achados referentes ao suporte social demonstram que a maior parte das pessoas idosas
tinham sempre com quem contar quando precisavam. Os resultados dos estudos conduzido por
Nascimento et al., (2016) e Costa et al. (2021) em comunidades rurais ribeirinhas estão alinhados
com os encontrados nesta pesquisa. Para eles, essa população tende a ter uma melhor percepção
do seu curso de envelhecimento, possivelmente devido ao apoio familiar mais robusto. Em geral,
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Rodolfo Gomes Nascimento; Ronald Cardoso; Ketlin Jaquelline de Castro; Dora Beatriz Corrêa; Celina Magalhães
pessoas idosas nesse contexto vivem de maneira comunitária com seus familiares, o que reduz
os sentimentos de desamparo e solidão. Além disso, a maioria das pesquisas internacionais sobre
EBS destacam o papel crucial do apoio social sólido para se envelhecer com sucesso (Teater &
Chonody, 2020; Salamene et al., 2021; Gallardo-Peralta et al., 2022).
Outros autores corroboram com esta ideia, afirmando que a família desempenha um papel
fundamental como fonte de afetos positivos durante o envelhecimento, contribuindo significa-
tivamente para o bem-estar na velhice. Para pessoas idosas rurais ribeirinhas, o processo de
envelhecimento tende a fortalecer os laços familiares, tornando a família um alicerce importante
nessa fase. Ter bom apoio da família e amigos, bem como garantir o envolvimento e participação
social das pessoas idosas são estratégias fundamentais para se envelhecer com sucesso (Teater &
Chonody, 2020; Cerqueira Castro et al., 2021).
Sobre os hábitos de vida, os dados obtidos mostram que a maioria das pessoas idosas ava-
liadas era não tabagista e não etilista. A variável alimentação também destaca que a maioria
considerou sua alimentação saudável. Castro (2019) em sua investigação acerca da alimentação
de pessoas idosas nas comunidades rurais ribeirinhas da Amazônia identificou que, nestas loca-
lidades, a dieta é composta principalmente de peixe, frango, carne e farinha, com baixo consumo
de frutas e hortaliças entre pessoas idosas, que não reconhecem seu valor nutritivo. A maioria
dos alimentos é comprada na cidade devido à escassez local. Além disso, reitera que a industria-
lização, o crescimento das cidades, a escassez de mão de obra rural e as mudanças ambientais
interferem significativamente nesse aspecto. Os rios já não têm abundância de peixes e as roças
estão desaparecendo.
Também, élido salientar que a dieta geralmente é rica em carboidratos e pobre em vita-
minas e minerais, causando deficiências nutricionais significativas nas pessoas idosas, embora
ainda consumam bastante proteína de peixe. No entanto, o consumo de peixe tem diminuído
devido à escassez e à disponibilidade de frango. Por isso, observam uma transição nutricional,
com substituição de alimentos tradicionais por produtos industrializados, o que aumenta a pre-
valência de doenças crônicas não transmissíveis. Faltam incentivos governamentais para que
os jovens, com maior força produtiva nas atividades de subsistência, permaneçam no interior
(Castro, 2019; Glória & Piperata, 2019).
Os resultados deste estudo também confirmam descobertas anteriores, como a de Ferreira
et al. (2017), que evidencia a importância da alimentação na percepção de saúde entre pessoas
idosas. Essa relação entre alimentação e saúde é crucial para o bem-estar físico e mental, pois, o
alimento fornece nutrientes essenciais, fortalece o sistema imunológico e previne doenças crôni-
cas. Além disso, a alimentação saudável desempenha um papel importante no aspecto emocio-
nal e social, quando proporciona momentos de convívio e conexões sociais.
A respeito da pratica de algum tipo de exercício físico regularmente, apenas uma pequena
parcela da amostra relatou a adoção dessa prática, o que parece não ser um hábito comum nes-
sas comunidades. Para os pesquisadores do envelhecimento, o exercício físico é fundamental
para promover um EBS, pois, contribui com a prevenção da perda funcional, cognitiva, melhora
a saúde mental e promovendo o engajamento social (Szychowska et al., 2022). Vale destacar que
neste contexto embora essas pessoas não estejam engajadas em exercícios físicos, algumas evi-
dências tem mostrado que o estilo de vida é intensamente ativo e engajado, seja em atividades
de cunho dostico, de subsistência, ou até mesmo as sociais (Costa et al., 2021; Nascimento et
al., 2019).
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
No que concerne os resultados sobre comorbidades múltiplas, foi identificado que a maioria
dos indivíduos investigados não apresentaram politologia e não faziam polifarmácia. Talvez estes
achados se justifiquem pela utilização de plantas/ervas medicinais. Além disso, a maioria refe-
riu usar um ou dois medicamentos de rotina. Maia et al.(2020) em seu estudo ratifica o resultado
encontrado nessa pesquisa, pois, para eles, as pessoas idosas que não apresentam polipatologias
tem superioridade na capacidade clínico-funcional em relação aos seus pares, além de menos
impactos negativos na saúde e no curso de vida, e, consequentemente, um melhor envelheci-
mento. Ademais, concordância na literatura de que a presença de cinco ou mais condições
crônicas, bem como outras comorbidades, representam importantes fatores de risco para eventos
adversos relacionados aos medicamentos, como quedas, hospitalizações, sedação, depressão e
mortalidade de pessoas idosas, afetando diretamente o EBS (Pazan, 2021).
Sobre a presença de DCNTs, 81,82% das pessoas idosas entrevistadas referiu problemas oftal-
mogicos, 66,23% relatou ter disfuões osteoarticulares e 48,05% apresentaram hipertensão
arterial sistêmica. Além disso, de forma complementar viu-se que a maioria das pessoas idosas
eram independentes para realização das Atividades de Vida Diária Instrumentais (AVDIs). Os
resultados da pesquisa de Scantbelruy et al. (2023) corroboram parcialmente com os achados
deste estudo quando revela que 52.6% das pessoas idosas que residem em comunidades rurais
ribeirinhas apresentam uma alta prevalência de DCNTs, com destaque para a hipertensão arte-
rial (55.7%), dor lombar crônica (53.8%) e multimorbidade (43%). Ainda complementa afirmando
que ainda uma escassez de estudos epidemiológicos em populações tradicionais brasileiras,
uma vez que esses povos estão expostos desde cedo a atividades laborais insalubres, o que con-
tribui para essa alta prevalência (Scantbelruy et al., 2023).
Sobre essa alta incidência de alterações visuais entre as pessoas idosas ribeirinhas, o resul-
tado foi alarmante, visto que as estimativas da PNS (2019) mostram que cerca de 32.5% das pes-
soas idosas no Brasil enfrentam dificuldades de visão, parcial ou completamente (Romero, 2022).
Supõe-se que este aspecto está ligado a diversos agressores como a intensa emissão dos raios
solares, característica das regiões amazônicas; a maior exposição ao vento, principalmente rela-
cionada aos deslocamentos constantes em embarcações; somados à dificuldade no acesso ao ser-
viço especializado e aos tratamentos oftalmológicos. Apesar da capacidade visual ser crucial
para a autonomia intrínseca, pois seu declínio garante segurança na locomoção, acesso a infor-
mações e maiores interações interpessoais da pessoa idosa, alterações visuais como as identifi-
cas neste estudo são compreendidas como um agravante ao EBS (Organização Pan-Americana da
Saúde, 2023).
A respeito do estado mental, a maioria das pessoas idosas da pesquisa negou esquecimento
e alterações relacionadas ao humor, dados semelhantes aos de Nascimento et al. (2021) sobre o
desempenho cognitivo e aspectos relacionados ao humor das pessoas idosas em contexto rural
ribeirinho amazônico, o qual conclui que apenas 9.3% do total de sua amostra demonstraram
comprometimento cognitivo. Em relação ao rastreio de sintomas depressivos, apenas 13% aten-
deram aos critérios sugeridos para transtorno de humor.
Sobre a variável “uso de serviço de saúde, maior parte dos entrevistados afirmou utilizar
regularmente servos institucionais de saúde. Esse resultado pode ser explicado pelo local de
coleta dos dados, realizada em uma UBS e em uma UBS Fluvial do município, sendo esta última
responsável pela oferta de atendimentos itinerantes e periódicos à população. Sabe-se que nas
comunidades ribeirinhas da Amazônia Brasileira, o acesso aos servos contínuos de saúde é
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muitas vezes precário ou inexistente, o que leva as pessoas idosas a negligenciarem os cuidados
preventivos com sua saúde. Atualmente, uma parcela dessas comunidades conta, de modo pro-
gramado e esporádico com o suporte das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Ribei-
rinha e Fluvial, geralmente compostas por enfermeiros e Agentes Comunitários de Saúde (ACS)
(Castro et al., 2020).
Um dos principais desafios na prestação de cuidados de saúde às pessoas idosas nas áreas
rurais ribeirinhas é a necessidade de ajustar os serviços às características socioculturais dessa
população, especialmente relacionadas ao estilo de vida ativo e ao engajamento social nessas
comunidades, a fim de atender às suas verdadeiras necessidades de saúde. É importante reco-
nhecer que as pessoas idosas possuem singularidades próprias, e o processo de envelhecimento
é caracterizado por uma diversidade e complexidade significativas (Almeida Hammerschmidt &
Santana, 2020).
Complementando as informações relacionadas ao contexto, as populações rurais ribeirinhas
adotam um estilo de vida peculiar, adaptando-se e desenvolvendo estratégias para lidar com as
limitações dos serviços de saúde. O compartilhamento de conhecimentos tradicionais e a soli-
dariedade coletiva desempenham um papel fundamental no enfrentamento das doenças e da
dificuldade de acesso a serviços de saúde e equipamentos adequados. Essas ações colaborativas
refletem a capacidade das comunidades de se autorregularem e se apoiarem mutuamente diante
dos desafios enfrentados (Gama et al, 2018).
Com relação à investigação do EBS, vale destacar que embora tenham sido realizadas inúme-
ras pesquisas sobre o constructo em todo o mundo, o EBS raramente é estudado em populações
tradicionais, em situação de isolamento territorial e distanciamento dos grandes centros urba-
nos. Este é um dos primeiros estudos a examinar o EBS entre as pessoas idosas rurais ribeirinhas
e isto foi realizado por meio de uma medida multidimensional de autoavaliação. Neste estudo,
escore médio total da SAS-B (76.40; dp±7.28) foi consideravelmente superior às pontuações de
estudos internacionais com pessoas idosas usuárias de serviços da atenção primária à saúde
(48.84 ± 5.27) (Fırat Kılıç et al., 2023); pessoas idosas de servos ambulatoriais de um hospital
público (54.34 ±11.55) (Kars Fertelli & Deliktas, 2020) e pessoas idosas com diabetes tipo 2 (38.91
± 2.05) (Kolcu, et al., 2023).
Ao analisar o desempenho dos domínios do SAS-B, observou-se que o “Engajamento com a
Vida” foi o que mais contribuiu para o curso de EBS entre as pessoas idosas investigadas, com
média de 31.20 pontos (±3.21), o que representa um alto envolvimento em atividades produtivas
no contexto rural ribeirinho. Alguns estudos já realizados nessas comunidades amazônicas cor-
roboram com os achados desta pesquisa. Para eles, mesmo em idades avançada, a pessoa idosa
rural ribeirinha mantém uma participação ativa na comunidade, assumindo papéis como chefes
e provedores da família. Suas rotinas incluem uma variedade de tarefas relacionadas à produção,
subsistência no apoio às atividades domésticas e com crianças pequenas. O contexto ambiental
e a vulnerabilidade social influenciam suas vidas de maneira única, com as mulheres focadas
nas atividades manuais e do lar e os homens em trabalhos ligados à agricultura, extrativismo e
manutenção do ambiente (Silva et al., 2018; Nascimento et al., 2019).
A observação dos pesquisadores frente a essas comunidades revela que as pessoas idosas
também desempenham outras atividades produtivas e de cuidado dentro do domicílio, como por
exemplo o cuidado com os netos enquanto os pais estão no trabalho. Os netos acompanhavam os
avós tanto nas tarefas domésticas quanto no lazer. Essas relações intergeracionais entre avós e
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Condições de saúde e envelhecimento bem-sucedido entre pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas
netos permitem a transmissão de saberes e experiências de vida, contribuindo para a preserva-
ção da cultura por meio de narrativas compartilhadas pelos mais velhos e, assim, perpetuando
esses valores nas gerações futuras (Nascimento et al., 2019).
Um ponto importante que deve ser mencionado é que o EBS no contexto rural ribeirinho
amazônico parece ser um fenômeno complexo, dinâmico e multifacetado quando todos esses
resultados são reunidos. Em uma análise geral, embora haja adversidades sociais, o sucesso no
envelhecimento parece ser influenciado pela interação entre indicadores físicos, cognitivos e
comportamentais. Portanto, parte das influências positivas para se alcançar o EBS depende da
própria pessoa idosa, a exemplo do nível de atividade física, interações sociais e questões do
autocuidado. Por outro lado, entende-se que as responsabilidades sociais da família, da comuni-
dade em geral, juntamente com os serviços de saúde também são influentes no sentido de forne-
cer estragias de adaptação e enfrentamento na velhice (Estebsari et. al, 2020; Bosch, 2015; Reich
et. al, 2020).
4. Concluo
No presente estudo, constatou-se por meio de um instrumento multidimensional, que o escore
médio de EBS das pessoas idosas rurais ribeirinhas amazônicas foram elevados. Em relação às
estratégias representadas pelos domínios da SAS-B, observou-se melhor desempenho no “Enga-
jamento com a Vida, o qual indica de acordo com as predições do instrumento, que as pessoas
idosas avaliadas estavam envolvidas com atividades produtivas, seguido do domínio “Estilo de
Vida Saudável, o qual sugere que estas apresentavam bom funcionamento físico e mental.
Esse perfil de desempenho ressalta a importância de um modelo de atenção à saúde da pes-
soa idosa concebido como um fluxo contínuo de ações abrangendo educação em saúde, promoção
e prevenção de agravos e reabilitação. Para isso, é necessário criar uma linha de cuidado inte-
grada e alinhada ao cuidado integral, investindo em políticas públicas de prevenção, promoção e
recuperação da saúde das pessoas idosas. Essas medidas são cruciais não apenas para melhorar
a qualidade de vida, mas também para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde, propor-
cionando assistência mais eficaz e direcionada às necessidades espeficas em cada contexto.
No contexto rural ribeirinho, as políticas de saúde para as pessoas idosas devem ser inte-
gradas de forma abrangente com outras políticas públicas, visando garantir a universalidade e
integralidade da assistência, além de assegurar direitos fundamentais como saúde, segurança,
saneamento, educação, habitação, alimentação, cultura, esporte, lazer e outros. Para isso, é essen-
cial priorizar a regularidade e continuidade da assistência, garantindo o comprometimento dos
gestores e da equipe na provisão de condições adequadas para a assistência.
Embora este estudo tenha alcançado importantes evidências para o estudo da velhice em
contextos amazônicos, devem-se considerar a ocorrência de algumas limitações. Por se tratar
de um delineamento transversal, os achados não permitem estabelecer relações de causa-efeito;
além disso, o tamanho da amostra foi relativamente pequeno. Assim, sugere-se a realização de
estudos futuros com delineamentos longitudinais e com maiores amostras para confirmar tais
achados.
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