Issue 2 | 1st July – 31st December 2022
Fascículo 2 | 1 de julho – 31 de dezembro 2022
UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA
e-ISSN 2183-4806
FREE | GRATUITO
XVIII
VOLUME
UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA
e-ISSN 2183-4806
FREE | GRATUITO
Issue 2 | 1st July – 31st December 2022
Fascículo 2 | 1 de julho – 31 de dezembro 2022
XVIII
VOLUME
PSIQUE | Volume XVIII | Issue 2 | 1st July – 31st December 2022
Semiannual Publication. Scientic Journal of the Psychology Research Centre – CIP – from the Universidade Autónoma
de Lisboa – Luís de Camões.
PSIQUE is a scientic journal in Psychology published by the Psychology Research Centre of the
Universidade Autónoma de Lisboa.
Since 2005, PSIQUE has been publishing original papers in the scientic eld of Psychology, in its
several elds of specialization, in open access and free of charge.
From 2018, it is a semi-annual journal publication from 1st January to 30th June and from 1st July to
31st December.
Aims and Scope
It is particularly aimed at psychology researchers, lecturers and students but also at general readers
who are interested in this eld of science.
Psique publishes advances in basic or applied psychological research of relevance for understanding
and improving the human condition in the world. Contributions from all elds of psychology addressing
new developments with innovative approaches are encouraged. Articles that (a) integrate perspectives
from dierent areas within psychology; (b) study the roles of physical, social and cultural domains in
human psychological processes; or (c) include psychological perspectives from dierent regions in the
world are particularly welcomed.
The journal publishes papers in Portuguese, Spanish, French and English.
Directory: Repositório Cientíco de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP).
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PSIQUE | Volume XVIII | Fascículo 2 | 1 de julho – 31 de dezembro 2022
Publicação semestral. Revista Cientíca do Centro de Investigação em Psicologia – CIP – da Universidade Autónoma
de Lisboa – Luís de Camões.
A Psique é uma revista cientíca em Psicologia, editada pelo Centro de Investigação em Psicologia da
Universidade Autónoma de Lisboa.
Desde 2005 publica artigos originais e comunicações na área cientíca da Psicologia, nos seus vários
domínios de especialização, de acesso livre e gratuito.
É um periódico semestral, a partir de 2018, com data de publicação de 1 de janeiro a 30 de junho e de
1 de julho a 31 de dezembro.
Âmbito e Objetivos
Dirige-se particularmente a investigadores, docentes e estudantes em Psicologia, mas também aos lei-
tores em geral que se interessem pelo conhecimento desta ciência.
A Psique publica avanços na investigação cientíca básica ou aplicada, em Psicologia, com relevância
para compreender e melhorar a condição humana no mundo. A Psique encoraja a submissão de con-
tribuições de todos os campos da Psicologia, produzindo novos desenvolvimentos cientícos, através
de abordagens inovadoras. Particularmente bem-vindos são os artigos que: (a) integram perspetivas de
diferentes áreas da Psicologia; (b) estudam o papel dos domínios físico, social e cultural nos processos
psicológicos humanos; ou (c) integram perspetivas psicológicas de diferentes regiões do mundo.
A revista aceita artigos em Português, Espanhol, Francês e Inglês.
Diretórios: Repositório Cientíco de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP).
Base de Dados: Repositório Institucional da Universidade Autónoma de Lisboa (Camões).
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
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Title tulo: Psique
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This work was funded by national funds through FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia – as part
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
TABLE OF CONTENTS ÍNDICE
Nota Editorial
José Magalhães 7
Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de startups
Organizational culture and the perception of autonomy and work overload in startups
Manuel Armando dos Santos Dala, Filipa Sobral, Catarina Morais 8
Relação entre a qualidade do sono, a regulação emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
Relationship between sleep quality, emotional regulation and anxiety: study with adolescents
Patrícia Vala Silva, Ana Gomes, Fernanda Lyrio Heinzelmann 26
Diagnósticos e abordagem centrada na pessoa
Diagnosis and Person Centered Approach
João Hipólito, Odete Nunes, Rute Brites, Ana Jarmela 43
Avaliação e intervenção infantil na abordagem dopsicodrama: um estudo de caso
Child assessment and intervention in psychodrama approach:acase study
Marisa Becil Ferreira, Ana Maria Gomes 50
Author Instructions
Instruções aos Autores 66
Reviewers instructions
Instruções aos Revisores 74
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
NOTA EDITORIAL
Nesta edição da revista PSIQUE a consolidação e o rigor dos artigos publicados confirmam a linha de
assumida pela qualidade. O trabalho de equipa entre editores e autores no sentido tem permitido con-
firmar as expectativas e necessidades dos leitores e a imagem e notoriedade da publicação. Os artigos
publicados, nesta edição, abrangem temas pertinentes, e atuais, da Psicologia que correspondem, em
termos de investigação, ao momento de evolução e desenvolvimento das mesmas.
Todos os artigos publicados foram submetidos a uma revisão cega de pares e posteriormente analisados
e ratificados por assistência editorial cnica, com base em critérios científicos tendo em linha de conta
a multiplicidade dos temas. Os temas envolvem a abordagem centrada na pessoa, variáveis psicológicas
no âmbito infantil e da adolescência, adventos da cultura organizacional nas componentes do trabalho e
tomada de decisão no desporto.
As imporncias dos temas dos artigos vão ao encontro dos principais objetivos desta publicação que
pretende ser uma mais-valia para os leitores interessados ao nível de docentes, discentes e investigadores
sejam da área das ciências sociais ou de outras onde a multidisciplinaridade possa emergir como uma
forma cada vez mais crucial para se analisar a vida societária e organizacional.
A equipa da PSIQUE procura em cada edição no cumprimento dos prazos garantir uma aplicação escru-
pulosa dos critérios de validação e justificar os pressupostos do percurso para a indexação em que a
revista se encontra.
Após uma fase particularmente difícil, devido à pandemia da COVID-19, a coordenação geral da revista,
e os revisores, conseguiram revitalizar a dinâmica da produção científica possível devido ao querer
dos envolvidos na assunção do papel que a revista detém no contexto académico da psicologia, enquanto
ciência cada vez mais fundamental para a superação dos desequilíbrios e o desenvolvimento de práticas
mais saudáveis.
A equipa da PSIQUE congratula-se pelo cumprimento de mais esta edição.
José Magalhães
(Co-editor)
8
CULTURA ORGANIZACIONAL E A PERCEÇÃO DE AUTONOMIA
EEXCESSO DE TRABALHO EM CONTEXTO DE STARTUPS
ORGANIZATIONAL CULTURE AND THE PERCEPTION OF AUTONOMY
ANDWORK OVERLOAD IN STARTUPS
Manuel Armando dos Santos Dala1, Filipa Sobral2, Catarina Morais2
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XVIII • ISSUE FASCÍCULO 2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2022 PP. 825
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XVIII.2.3
Submited on 11.06.21 Submetido a 11.06.21
Acceptted on 20.05.22 Aceite a 20.05.22
Resumo
O contexto empresarial das startups é uma temática pouco explorada na literatura aca-
démica. No entanto, as características destas organizações levantam questões sobre como são
percecionados determinados conceitos teóricos, tais como a cultura organizacional. A cultura
organizacional representa a base sobre a qual se consti a estrutura das organizações, sendo
determinante para definir as características do trabalho presentes num dado contexto. Com base
no modelo teórico dos valores concorrentes, este artigo explorou as perceções de trabalhadores
de startups relativamente ao tipo de cultura organizacional presente na sua empresa e como os
diferentes tipos de cultura se relacionou com a perceção de autonomia e excesso de trabalho
dos respondentes. Para tal, foi aplicado um questionário a uma amostra de 292 trabalhadores
de startups. Os dados foram analisados recorrendo a modelos de regressão múltipla e ANOVAs
para medidas repetidas e demonstraram que a cultura empreendedora é a mais saliente em con-
texto de startups, diferenciando-se significativamente dos restantes tipos de cultura presentes no
modelo. Além disso, as culturas empreendedora e de equipa predizem positivamente a autono-
mia no trabalho, enquanto a cultura burocrática prediz negativamente a autonomia, mas não é
preditora do excesso de trabalho. Os resultados apontam para a imporncia de promover equi-
pas mais autónomas em startups, dando mais liberdade aos trabalhadores na tomada de decisão
sobre as suas tarefas. Mais especificamente, os resultados apontam para a imporncia destas
empresas desenvolverem e manterem um tipo de cultura que influencie positivamente a relação
dos trabalhadores com o seu trabalho.
Palavras-chave: controlo e exigências de trabalho, valores culturais concorrentes, cultura empreen-
dedora
1 Centro Interdisciplinar de Estudos e Investigação, Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica de Angola,
Luanda, Angola. E-mail: manuel.dala@ucan.edu
2 Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano, Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Por-
tuguesa, Porto, Portugal. E-mail: fsobral@ucp.pt, ctmorais@ucp.pt
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022 pp. 8-25
Manuel Armando dos Santos Dala, Filipa Sobral, Catarina Morais
Abstract
The business context of startups is a subject little explored in the academic literature.
However, the characteristics of these organizations raise questions about how certain theoretical
concepts, such as organizational culture, are perceived. Organizational culture represents the
basis on which the structure of organizations is built, being decisive to define the characteristics
of work present in a given context. Based on the theoretical model of competing values, this
article explored the perceptions of startup workers regarding the type of organizational culture
present in their company and how the different types of culture related to the respondents
perception of autonomy and overwork. To this end, a questionnaire was applied to a sample
of 292 workers from startups. The data were analyzed using multiple regression models and
ANOVAs for repeated measures and showed that the entrepreneurial culture is the most salient
in the context of startups, significantly different from the other types of culture present in the
model. Furthermore, entrepreneurial and team cultures positively predict autonomy at work,
while bureaucratic culture negatively predicts autonomy but is not a predictor of overwork.
The results point to the importance of promoting more autonomous teams in startups, giving
workers more freedom in making decisions about their tasks. More specifically, the results
point to the importance of these companies developing and maintaining a type of culture that
positively influences the relationship between workers and their work.
Keywords: control and work demand, competing cultural values, entrepreneurial culture
Introdução
A cultura é um conceito central no estudo das dinâmicas organizacionais e, por esse motivo,
a academia tem dedicado muita da sua investigação a esta temática (e.g., Chatterjee et al., 2018;
Russo et al.; 2012, Schein, 2004). No entanto, não existem estudos que se tenham debruçado espe-
cificamente sobre o estudo da cultura organizacional em contexto de startups. Embora não exista
uma definição formal de como como estas empresas se diferenciam das restantes (que se deno-
minarão de empresas estabelecidas), é apontando que as startups apresentam um maior dina-
mismo e inconstância no que se refere à sua estrutura orgânica, à definição das funções e tarefas,
aos relacionamentos da equipa e às recompensas, pois enfrentam maior risco face à dificuldade
de antecipar os processos da inovação (Freeman & Engel, 2012).
A compreensão da relação da cultura organizacional com outros domínios do comporta-
mento organizacional (e.g., satisfação, práticas de recursos humanos) tem tido algum espaço na
literatura (Bruno-Faria & Fonseca, 2014). Porém, uma lacuna no nosso conhecimento sobre
como a cultura organizacional se relaciona com as características do trabalho presentes num
dado contexto, nomeadamente a autonomia que é dada aos trabalhadores e o excesso de traba-
lho sentido (De Bruin & Taylor, 2006). Nesta linha, os estudos existentes sugerem que o tipo de
cultura organizacional existente nas startups propicia um ambiente de trabalho mais autónomo
e com baixo excesso de trabalho, devido ao grau de liberdade existente nas tarefas atribuídas aos
trabalhadores (Ahuja et al., 2002; Ferreira & Martinez, 2015; Rukh & Qadeer 2018).
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Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de startups
Partindo do modelo dos valores concorrentes (Helfrich et al., 2007), desenvolvido a partir
do trabalho de Muijen e colaboradores (1999), neste estudo, (a) verificou-se qual a cultura orga-
nizacional predominante em contexto de startups; e (b) avaliou-se a relação entre a perceção de
cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho nos trabalhadores téc-
nicos de startups. Examinar essas conexões é importante por razões teóricas e práticas. Do lado
teórico, há uma escassez de pesquisas sobre a perceção de cultura organizacional nas startups, e
o modelo resultante pode ajudar a preencher essa lacuna na literatura. Do lado ptico, os resul-
tados deste estudo podem ajudar os CEOs a reavaliarem as práticas e os valores referentes à sua
cultura organizacional, procurando eventualmente alcaar uma cultura que melhor se ajuste ao
seu tipo de empresa. Para que este ajuste seja eficaz, é necessário que gestores e colaboradores
ao implementarem a mudaa percebam a natureza desta e cuidem dos efeitos prováveis. Isto
permitirá tomarem melhores decisões sobre o grau de liberdade das suas equipas, estando mais
atentos ao equilíbrio entre o excesso e a autonomia do trabalho.
1. Cultura Organizacional: O Estado da Arte
Atualmente, a literatura em cultura organizacional apresenta a tese de que existem vários
fatores que devem ser considerados ao estudar a cultura de uma empresa, incluindo a liderança
(Schein, 2004), os valores (Fialho et al., 2010), o contexto da empresa (Tata, 2000), o contexto social
e cultural (Hofstede et al., 2010), ou os fundadores das empresas que desempenham um papel
importante na definição de normas e valores que se tornam a base da cultura organizacional
da mesma (Spencer & Skalaban, 2018). Neste sentido, observa-se que cada organização tem a
sua própria cultura que a torna diferente das restantes, tanto pelos aspetos mais intrínsecos ao
próprio trabalho, mas também pelos princípios que defende e pelas relações que os membros
estabelecem entre si e com a própria organização.
Para melhor diferenciar a cultura existente em cada organização os académicos centrados
nesta área desenvolveram, ao longos dos anos, alguns quadros para categorizar os comporta-
mentos, normas e crenças observados nas empresas (Spencer & Skalaban, 2018), sendo pos-
vel chegar a diferentes tipologias de cultura organizacional. Para Ankrah e Langford (2005), os
modelos ou tipologias de cultura não correspondem à realidade organizacional como um todo,
mas são construções teóricas que permitem que se busque a generalização de um objeto. No
entender destes autores, quando necessidade de lidar com ltiplas dimenes, e estudar
diferentes contextos organizacionais, as tipologias são utilizadas como uma alternativa para
prover a simplificação dos significados e aceder à cultura organizacional. Dos rios modelos
e dimensões existentes na literatura, salientam-se aqueles que têm sido mais estudados, como:
(a) a tipologia de Denison e Mishra (1995) que propõem a existência de quatro áreas centrais
para avaliar” a cultura de uma organização, sendo elas o envolvimento (e.g., poder de decisão,
perceção de objetivos comuns na equipa e de pticas de desenvolvimento de pessoas), a consis-
ncia (e.g., perceção de partilha dos valores fundamentais da organização e da liberdade para
criticar pontos negativos), a adaptabilidade (e.g., abertura à mudança, foco no cliente e aprendi-
zagem organizacional) e o senso de missão (e.g., intenção estragica, metas e objetivos e visão);
(b) as cinco dimensões da cultura nacional(Hofstede et al., 2010), como a distância de poder
(e.g., grau elevado ou baixo de afastamento social entre chefes e subordinados), individualismo/
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Manuel Armando dos Santos Dala, Filipa Sobral, Catarina Morais
coletivismo (e.g., orientação para competão individual versus harmonia interpessoal), mascu-
linidade/feminilidade (e.g., preferência pelo sucesso e competição versus bem-estar e harmonia
interpessoal), evitamento da incerteza (e.g., o grau elevado ou baixo de desconforto perante o
risco) e orientação de longo/curto prazo (e.g., o grau elevado ou baixo de preferência numa orien-
tação para o futuro); e (c) a estrutura de “valores culturais concorrentes(Helfrich et al., 2007),
envolvendo quatro tipo de culturas: burocrática (e.g., respeito à hierarquia), equipa (e.g., coesão
de grupo), mercado (e.g., competitividade e foco nos objetivos) e empreendedora (e.g., inovação e
criatividade). Esta última tipologia é uma das mais amplamente citadas e estudadas (e.g., Bruno-
-Faria & Fonseca, 2014; Spencer & Skalaban, 2018) e, por isso, a adotada no presente estudo.
De acordo com o modelo da estrutura dos valores culturais concorrentes (Helfrich et al.,
2007, desenvolvido a partir do trabalho de Muijen et al. 1999), a cultura organizacional contempla
duas dimenes: Flexibilidade versus Controlo e Orientação Interna versus Orientação Externa
que resultam em quatro quadrantes nos quais, atendendo a um conjunto de indicadores ou cri-
térios de eficácia organizacional (Ferreira & Martinez, 2015), é possível posicionar a cultura de
cada empresa. Deste posicionamento decorrem quatro tipos de culturas diferentes: Equipa (clã),
Burocrática (ou racional), Empreendedora (ou adocrática) e de Mercado, (Helfrich et al., 2007),
conforme ilustra a Figura 1.
FIGURA1
Modelo dos Valores Culturais Concorrentes (Figura adaptada de Helfrich et al., (2007)
Cada uma das quatro culturas resultantes das duas dimensões do modelo da estrutura dos
valores culturais concorrentes representa o modo operandi e vivendi de uma organização, mas
nenhuma é superior a outra, sendo mesmo possível encontrar numa mesma organização aspetos
de cada um dos tipos de cultura que o modelo apresenta (Helfrich et al, 2007).
A cultura de equipa caracteriza-se pela orientação interna e pela flexibilidade dos processos,
e enfatiza a partilha de valores e objetivos, coesão, participação e coletivismo num estilo do
tipo familiar (Cunha et al., 2016). As organizações que possuem este tipo de cultura defendem
o trabalho em equipa e os programas de envolvimento (Cameron & Quinn, 2011). Estas caracte-
rísticas são evidentes nas equipas de trabalhos semiautónomas que são remuneradas em fuão
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Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de startups
do desempenho coletivo e não individual (Ferreira & Martinez, 2015). Para estes autores, um dos
pressupostossicos deste tipo de cultura é que a gestão da envolvente pode ser mais eficaz atra-
vés do trabalho em equipa, da existência de políticas de desenvolvimento dos colaboradores e da
gestão de clientes. Nesta cultura as melhores práticas de gestão estão associadas à delegação de
responsabilidades, facilitando deste modo a participação e fidelidade dos colaboradores (Cunha
et al., 2016). As organizações com esse tipo de cultura são consideradas ainda como locais de tra-
balho com bons espaços para trabalhar e os trabalhadores são chamados a participar ativamente
no desenvolvimento da organização (Rukh & Qadeer, 2018).
Por seu turno, a cultura burocrática é mais mecanicista e de orientação interna (Cunha et al,
2016), valoriza uma forma metódica de conduzir o negócio e destaca as regras e os modos esta-
belecidos de funcionamento como garantes de previsibilidade e bom funcionamento (Helfrich et
al., 2007; Rukh & Qadeer, 2018)political and economic environment. Scholars and practitioners
also affirm that examining the culture of public organizations is a very complex and challen-
ging task. It is well-known that any organizational development initiatives through a change of
culture failed dramatically because the culture diagnosis is either ignored or not understood.
Incidentally, in the public sector, empirical findings of the cultural diagnosis are either non-exis-
tent or sketchy. Therefore, we comprehensively diagnose the culture of a public organization
by utilizing the most widely used competing values framework through sequential explanatory
mixed method approach (a survey, observations and in-depth interviews. De acordo com a lite-
ratura, é um dos tipos de cultura organizacional mais amplamente adotados pelos gestores, prin-
cipalmente em entidades governamentais (Rego et al., 2018). Os trabalhadores das organizações
com cultura burocrática possuem regras bem definidas e estão predispostos a segui-las, sendo
que a maior recompensa do trabalho é a estabilidade no emprego (Ferreira & Martinez, 2015).
Estas organizações não são favoveis ao risco e à incerteza e, por isso, orientam-se por práticas
recompensadoras que provavelmente acentuarão o foco na previsibilidade e na certeza (Bussin
et al., 2016; Herkenhoff, 2002; Saini & Plowman 2007).
A cultura de mercado é caracterizada pela estabilidade e pelo foco externo, resultando numa
organização competitiva que enfatiza os resultados e o alcance de metas (Cameron & Quinn,
2011). É o tipo de cultura presente nas organizações com funções semelhantes a um mercado, ou
seja, focada em transações externas com comunidades que interagem com a organização, como
os fornecedores, clientes, licenciados, sindicatos e reguladores (Ferreira & Martinez, 2015). Pela
necessidade de permanecer competitivas, alguns estudos têm mostrado que as organizações que
têm uma cultura de mercado predominante, apresentam um sistema de remuneração baseado
em competências, em vez de um sistema de remuneração baseado no trabalho (Janićijević, 2013;
Madhani, 2014).
Por fim, na cultura empreendedora o foco é colocado no meio envolvente, e a organização
reforça a capacidade de deteção, interpretação e tradução de sinais ambientais em respostas
organizacionais (Helfrich et al., 2007). Os valores centrais são a inovação, a resposta rápida e o
espírito empreendedor, pois as premissas deste tipo de cultura referem que a inovação e as ini-
ciativas de pioneirismo levam ao sucesso (Ferreira & Martinez, 2015). As organizações com este
tipo de cultura estão, assim, vocacionadas para o desenvolvimento de novos produtos e serviços.
O princípio de gestão focaliza a criatividade e assume que, a adaptação à envolvente e a aposta
em arriscar levam a obtenção de novos recursos, enfatizando uma visão criativa do futuro e,
diferenciando-se de uma cultura do tipo burocrático, a cultura empreendedora não tem o poder
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centralizado ou mesmo relações de autoridade (Rukh & Qadeer, 2018). Este tipo de cultura ade-
qua-se ao estilo das startups, pois tem o nero de ambientes turbulentos (Freeman & Engel, 2007;
Tata, 2000), na medida em que se carateriza pela nica no decréscimo dos ciclos de vida dos
produtos (Cunha et al., 2016).
1.1. Cultura Organizacional das Startups
O encontro europeu de monitorização de startups convencionou a definão de startups
enquanto empresas com as seguintes caractesticas: (a) até 10 anos de exisncia; (b) que apre-
sentam tecnologias (altamente) inovadoras e / ou modelos de negócios bastante inovadores; e
(c) que têm (lutam por) crescimento significativo de trabalhadores e/ou vendas (Kolmann et al.,
2017). Dadas as particularidades das startups, muitos investigadores têm encontrado motivos
suficientes para estudarem as relações de trabalho, os valores defendidos e as crenças partilha-
das, ou seja as características da envolvente interna e externa que se traduzem no modus vivendi
e operandi destas organizações (Engelen et al., 2014; Kim et al., 2018). Devido à sua pequena
dimensão estrutural, as startups tamm têm poucos recursos financeiros e humanos o que mui-
tas vezes dificulta o desenvolvimento de novos processos de inovação (Bogers, 2011; Wymer &
Regan, 2005). Simultaneamente, e face a ao seu grande dinamismo, estas organizações concedem
aos seus trabalhadores uma elevada autonomia no exercício de suas tarefas, o que pode facili-
tar a inserção na empresa e a criação e o desenvolvimento de referenciais cognitivos e éticos
comuns (Rosenfield, 2004). Comparativamente a um modelo organizacional de produção taylo-
rista, caracterizado pela rigidez do aparelho de produção, pela gica de especialização e de
divisão de tarefas (Rosenfield, 2004), a estrutura organizacional inicial de uma startup é plana e
desorganizada, sem hierarquia ou distiões, com papéis e tarefas indefinidos e fluidos (Saini &
Plowman, 2007). Ou seja, a cultura das startups reflete uma atmosfera participativa, colaborativa,
familiar e unida, sendo que o ambiente de trabalho é dinâmico, divertido, informal e carregado
de energia e emoção (Saini & Plowman, 2007). Como tal, os valores culturais destas empresas
refletem a multitarefa, a flexibilidade e a adaptabilidade no comportamento dos trabalhadores,
cujo perfil frequentemente corresponde a indivíduos jovens, inteligentes, agressivos, amigáveis,
enérgicos e entusiasmados, cientes do risco que enfrentam mas que querem contribuir para o
sucesso do negócio dada a flexibilidade e autonomia que encontram nesses espaços (Giardino et
al., 2014; Ouimet & Zarutskie, 2014).
A adoção de práticas flexíveis de trabalho são fruto da cultura organizacional de empresas
que primam pela inovação. Portanto, é presente na cultura das startups os discursos de resis-
ncias, que se ligam com a participação no mercado de trabalho, o crescimento, a valorização,
o retorno sobre o investimento inicial e os gostos dos empreendedores e colaboradores (Bogers,
2011). Por estes motivos, espera-se que:
Hipótese 1- Em startups a cultura empreendedora é mais saliente do que os outros tipos de
cultura (i.e., cultura de equipa, burocrática e a de mercado).
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Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de startups
2. Autonomia e Excesso de Trabalho
O modelo do Controlo das Exigências do Trabalho desenvolvido originalmente por Karasek
(1979) e que atualmente é analisado pela perspetiva do modelo de Quantificação das Exigências
e da Autonomia (e.g., Castanheira & Chambel, 2013) assenta em duas dimensões do ambiente de
trabalho: a autonomia e o excesso de trabalho. A autonomia no trabalho é concetualizada como
o grau de liberdade do trabalhador para tomar as suas próprias decisões e a variedade de com-
petências que o mesmo usa no trabalho (De Bruin & Taylor, 2006), enquanto que o excesso de tra-
balho se refere ao tempo em que a carga de trabalho é pesada, o ambiente de trabalho acelerado
e onde existe conflito de funções (Kim et al., 2016). De acordo com este modelo, os trabalhado-
res que experimentam elevadas exigências psicológicas e baixos níveis de autonomia são mais
propensos a adquirirem doenças psicossociais e físicas, assim como transtornos mentais (Huang
et al., 2011). Importa ressalvar que, embora seja um modelo de stress ocupacional, ele não mede
necessariamente este conceito, mas antes um conjunto de situações do ambiente de trabalho
capazes de afetar mentalmente o trabalhador (Karasek, 1998). Assim, uma implicação potencial-
mente importante do modelo é que as consequências de tensão mental dos altos níveis de pro-
dução organizacional podem depender da flexibilidade e da equidade da estrutura de decisão
organizacional (Karasek, 1998). Isto parece significar que uma maior flexibilidade no trabalho
resulta de uma cultura que pauta pelo equilíbrio entre as exigências e a autonomia no trabalho.
A autonomia no trabalho é ainda considerada uma característica do trabalho incorporada na
posição de um colaborador e no ambiente organizacional circundante (Ahuja et al., 2002). Alguns
estudos concluíram que, quando os trabalhadores têm menos autonomia, o desempenho diminui
devido à monotonia das tarefas (De Bruin & Taylor, 2006). De facto, autonomia no trabalho é o
grau em que o trabalho oferece liberdade, independência e discrição substanciais ao indivíduo
no agendamento do trabalho e na determinação dos procedimentos a serem utilizados na sua
execução (Dedahanov et al., 2019). O modelo sugere que, quando o contexto de trabalho é carate-
rizado por altas exigências e baixo controlo, o trabalhador emprega muito tempo a tentar alterar
a situação de trabalho, deixando-o sem outra opção a não ser aumentar os esforços para atender
às exigências da situação (Castanheira & Chambel, 2013). Estas situações de maior ou menor grau
de autonomia e excesso de trabalho variam muito de acordo com o tipo de cultura dominante em
cada organização. É assim que alguns estudos (e.g., Rosenfield, 2004; Rukh & Qadeer, 2018; Tata,
2000) sugerem que existem culturas organizacionais que promovem maior autonomia nos seus
trabalhadores e outras que tendem a facilitar o excesso de trabalho.
Uma das mais ilustrativas influências da cultura organizacional é precisamente a de pro-
mover um ambiente de trabalho em que os membros da organização estejam todos alinhados
com o propósito da empresa, e que sintam que gozam de liberdade na execução das suas ativi-
dades (Ferreira & Martinez, 2015). As duas dimensões culturais do modelo de valores culturais
concorrentes (Helfrich et al., 2007) sugerem que as organizações com orientações internas são
contrias às de orientação externa, assim como as organizações com ênfase na flexibilidade dos
processos são contrias àquelas com ênfase no controlo ou rigidez dos processos. Assim, equi-
pas com altos níveis de autonomia serão provavelmente mais eficazes em empresas com culturas
orientadas para a flexibilidade e estruturas orgânicas (Tata, 2000). Em contraste com as empre-
sas com culturas orientadas para o controlo (i.e., Cultura Burocrática ou Cultura de Mercado),
as empresas com sistemas de valores orientados para a flexibilidade (i.e., Cultura de Equipa ou
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Cultura Empreendedora), tentam descentralizar a tomada de decisão (Tata, 2000). Nestas últimas,
os problemas são resolvidos assim que ocorrem e os trabalhadores dessas empresas são multi-
-qualificados por causa da variedade de tarefas executadas e da complexidade das suas funções.
Especificamente, nas culturas empreendedoras, a autoridade na tomada de decisão, no diagnós-
tico de problemas e na implementação de soluções é delegada às equipas (Ferreira & Martinez,
2015). Nestes contextos, é menor a dependência de mecanismos de controlo vertical e maior a fle-
xibilidade e da velocidade da coordenação (Tata, 2000). Assim, é mais provável encontrar neste
tipo de empresas equipas com níveis mais altos de autonomia onde as chefias capacitam os mem-
bros da equipa e delegam autoridade, em vez de dirigir e controlar as decisões da equipa (Tata,
2000). É, portanto, esperado que a cultura organizacional influencie a autonomia no trabalho em
contextos de startups, sendo que esta relação e o valor preditivo da cultura pode variar entre as
quatro tipologias, mais especificamente:
H2a. Startups onde a cultura empreendedora e de equipa são mais salientes predizem positiva-
mente a perceção de autonomia no trabalho.
H2b. Startups onde a cultura burocrática e de mercado são mais salientes predizem negativa-
mente a perceção de autonomia no trabalho.
Por sua vez, os sistemas de valores orientados para o controlo tentam consolidar a autoridade
de gestão centralizando a tomada de decisões nas mãos dos gerentes e diminuindo a autonomia
dos trabalhadores (Ruhk & Qadeer, 2018). Frequentemente, o controle externo decorrente de fato-
res como sindicalização e propriedade do governo pode resultar em tomadas de decisão centra-
lizadas, aspetos presentes em culturas burocráticas e de mercado (Herkenhoff, 2002; Bussin et
al., 2016). Nessas empresas, a coordenação e a resolução de problemas ocorrem em níveis mais
altos da hierarquia. Parece improvável que as equipas nessas organizações reconheçam os pro-
blemas à medida que ocorrem, isto porque o entendimento do processo geral é limitado, e mesmo
quando os membros da equipa identificam problemas, eles não têm autoridade para corrigi-los
sem a aprovação do gestor, provocando assim uma perceção de excesso de trabalho (Bussin et
al., 2016). Neste caso, é mais provável que esse tipo de empresa implemente efetivamente equi-
pes com níveis mais baixos de autonomia, nas quais os gestores seguem os papéis tradicionais
de planeamento, organização, direção e controlo de equipas, sendo o cumprimento das horas de
trabalho uma condão essencial (Tata, 2000). Entende-se assim, que é muito difícil implemen-
tar equipas com elevada autonomia em uma empresa mecanicista orientada para o controlo do
tempo e do trabalho e para o cumprimento rígido das normas e a apresentação de resultados em
tempos planeados. Portanto, espera-se que a cultura organizacional explique o excesso de tra-
balho, mas espera-se também que esta relação e o respetivo valor preditivo varie entre os quatro
tipos de cultura, especificamente:
H3a. Startups onde a cultura empreendedora e de equipao mais salientes predizem negativa-
mente a perceção de excesso de trabalho.
H3b. Startups onde a cultura burocrática e de mercado são mais salientes predizem positiva-
mente a perceção de excesso de trabalho.
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Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de startups
3.todo
Participantes
A amostra é composta por trabalhadores de várias startups a operar em Portugal, que ocu-
pavam cargos de nível técnico. Os participantes são maioritariamente homens (58%) entre os 21
a 30 anos (71%), com uma idade média de 29 anos (M = 28.73, DP = 5.59). Ainda de salientar que
77% dos respondentes eram solteiros e uma pequena parte (26%) casados ou em união de facto, e
maioritariamente (86%) sem filhos. Ao nível das habilitações académicas, a maioria dos partici-
pantes tinha uma licenciatura ou mestrado (37% e 46%, respetivamente). Quanto à carga horária
semanal, 53% dos participantes diz ter uma carga horária semanal compreendida entre 21 e 40
horas, enquanto 43% dizem que a carga semanal está compreendida entre 41 e 60 horas de traba-
lho (M = 41.92, DP = 8.41).
Instrumentos
Cultura Organizacional Percebida
Para medir esta variável foi aplicada a escala de cultura organizacional percebida (Helfrich
et al., 2007).Esta escala é composta por 23 itens e as respostas são dadas através de uma escala
de Likert de 1 a 7 (1 = Discordo totalmente, 7 = Concordo totalmente). O instrumento está dividido
em quatro tipos de cultura: empreendedora (e.g., “Os gestores desta empresa assumem riscos,
6 itens, α = .87), cultura burocrática (e.g., “Nesta empresa, os trabalhadores sentem que seguir
as políticas, regras e procedimentos é importante, 6 itens, α = .74), cultura de equipa (e.g., “Os
gestores desta empresa preocupam-se e são próximo, 6 itens, α = .91) e cultura de mercado (e.g.,
“Os gestores desta empresa incentivam os trabalhadores a cumprir metas e objetivos”, 5 itens, α=
.70). Foi calculado, para cada um dos tipos de cultura, a média dos seus itens, e os valores mais
elevados corresponderam a maior perceção da presença dessas culturas.
Autonomia e Excesso de Trabalho
As variáveis autonomia e excesso de trabalho foram avaliadas através da escala de Quan-
tificação das Exigências e da Autonomia adaptadas do modelo de Controlo das Exigências do
Trabalho desenvolvido originalmente por Karasek (1979), depois de traduzida e adaptada para
o contexto português (Castanheira & Chambel, 2013). Este instrumento é composto por 11 itens
e as respostas são dadas através de uma escala de Likert de 1 a 7 (1 = Discordo totalmente, 7 =
Concordo totalmente). O instrumento está dividido em duas dimenes: autonomia do trabalha-
dor para tomar decisões relacionadas ao trabalho (e.g., Tenho a possibilidade de decidir como
organizar o meu trabalho, 4 itens, α = .88) e o excesso de trabalho percecionado pelo trabalhador
(e.g., “Sinto que não tenho tempo para terminar o meu trabalho, 7 itens, α = .83). Foi calculado,
para cada uma das dimensões, a média dos seus itens, sendo que valores mais elevados corres-
ponderam a maiores níveis de autonomia e de excesso de trabalho, respetivamente.
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Procedimentos de Recolha de dados
A cnica de amostragem foi por conveniência e, inicialmente, contava com 328 participan-
tes que indicaram que a sua empresa era uma startups. Os mesmos foram contactados a partir
das redes sociais, sobretudo através da rede social Linkedin. A recolha de dados ocorreu online,
através da plataforma Qualtrics, entre Março e Abril de 2020. Os questionários continham uma
folha de rosto com informação explicativa sobre o objetivo da pesquisa, e onde era igualmente
assegurada a confidencialidade e anonimato de todos os dados recolhidos. Apenas os respon-
dentes que concordaram com a informação apresentada tiveram acesso ao questionário, e como
tal, a participação foi voluntária. Apenas 302 startups estavam também de acordo com o critério
estabelecido pela agência europeia de monotorização de startups segundo a qual só se consi-
dera startups aquelas empresas com até dez anos de existência. Destes 302 questionários foram
eliminados 10 porque os inquiridos não tinham respondido a pelo menos metade dos itens das
escalas das variáveis em estudo. Após a aplicação destes critérios, foram considerados lidos
para efeito deste estudo um total de 292 participantes.
Procedimento de Análise de Dados
Depois de recolhidos, os dados foram analisados atras do programa Statistical Package for
the Social Sciences, (SPSS), na sua versão 25.0. Procedeu-se à análise de tabelas de frequências
para os dados sociodemográficos com número de casos, a média e o desvio padrão. Utilizou-se
ainda a correlação de Pearson de ordem zero para todas as variáveis no sentido de analisarmos
as relações entre elas. Fez-se uma ANOVA de Medidas Repetidas para averiguar se existia dife-
renças de média entre as diferentes culturas e um post-hoc com o critério Benferroni para ver se
a significância da diferença de médias. Para analisar o valor preditivo das variáveis de Cultura
Organizacional sobre a Autonomia no Trabalho, utilizou-se uma Regressão Linear Múltipla.
4. Resultados
Estatística descritiva
A Tabela 1 sumariza a estatística descritiva e a correlação entre as variáveis. É possível veri-
ficar que a perceção de autonomia no trabalho es positivamente correlacionada com a idade,
cultura empreendedora e cultura de equipa, e negativamente correlacionada com a cultura buro-
crática. Por outras palavras, perceções mais elevadas de autonomia no trabalho estão associa-
das a trabalhadores com mais idade, perceções mais elevadas de cultura empreendedora e de
equipa e mais baixas de cultura burocrática, e vice-versa. Por seu turno, a perceção de excesso
de trabalho está positivamente associada ao número de horas de trabalho semanal e à cultura
burocrática, e negativamente associada às culturas empreendedora e de equipa. Isto é, quanto
mais horas de trabalhos os participantes sentem que fazem e quanto mais forte a sua perceção de
cultura burocrática na startup na qual trabalham, maior a perceção de excesso de trabalho. Por
outro lado, quanto mais os trabalhadores percecionam as culturas empreendedora e de equipa
como sendo elevadas no seu contexto de trabalho, menor a perceção de excesso de trabalho, e
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vice-versa. Por fim, a autonomia e excesso de trabalho estão negativamente correlacionadas; ou
seja, quanto maior a perceção de autonomia, menor a perceção de excesso de trabalho.
TABELA1
Estatística descritiva e correlação de ordem zero para todas as variáveis (n = 292)
Variáveis M DP 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
1. Idade 28.73 5.59
2. Hora trabalho semanal 41.92 8.41 .083
3. Cultura empreendedora 4.78 1.28 .040 .099
4. Cultura burocrática 2.38 1.08 .035 .008 .009
5. Cultura de equipa 4.42 1.38 .126* -.111 .531** .018
6. Cultura de mercado 3.49 1.31 .085 .067 .237** .232** .167**
7. Autonomia 4.74 1.38 .125* .004 .403** -.176** .341** .012
8. Excesso de trabalho 3.01 1.30 .037 .228 ** -.199** .118* -.319** .036 -.270**
*p < .050, **p < .010
Perceção dos tipos de cultura presentes (H1)
A primeira hipótese (H1) postulava que a cultura empreendedora fosse a cultura mais saliente
em contextos de startups. Uma ANOVA para medidas repetidas mostrou que a diferença de
médias nos tipos de cultura percecionadas pelos participantes é significativa, [F (3, 87) = 264.20,
= p < .001, ŋp2 = .48]. As análises Post-hoc utilizaram o critério Benferroni e indicaram que a cul-
tura empreendedora tem a média significativamente mais alta comparada com as outras culturas
do modelo utilizado (Tabela 1). Os resultados apoiam a H1 e sugerem que os participantes perce-
cionam a cultura empreendedora como sendo a cultura predominante nas startups.
Relação entre o tipo de cultura e autonomia e excesso de trabalho (H2 e H3)
Quanto à hipótese H2 esperava-se que as startups onde as culturas empreendedora e de
equipa fossem salientes predizessem positivamente a autonomia no trabalho (H2a) e, naque-
las startups onde as culturas burocrática e a de mercado fossem salientes seriam preditoras do
excesso no trabalho. No teste das segundas hipóteses (H2a e H2b) o modelo de regressão múltipla
foi significativo [F (4, 287) = 20.34, p < .001, R2 = .22] e sugere que 22% da variação total dos níveis
de autonomia é explicada pelo modelo testado, ou seja, pelos quatro tipos de cultura (Tabela 2).
Conforme esperado na hipótese H2a, a cultura empreendedora prediz positivamente a auto-
nomia no trabalho e o mesmo acontece com a cultura de equipa (Tabela 2). Este resultado sustenta
a ideia de que quanto mais forte for a cultura empreendedora e de equipa de uma organização,
maior será a autonomia que os trabalhadores percecionam.
A H2b do presente estudo previa que a cultura burocrática e a cultura de mercado predisses-
sem negativamente a autonomia no trabalho. Os resultados relativos à cultura burocrática supor-
tam a hipótese, pelo que, quanto mais os trabalhadores percecionam a empresa como adotando
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uma cultura burocrática, menor a sua perceção de autonomia no trabalho. Não obstante, a rela-
ção entre cultura de mercado e autonomia no trabalho não é significativa, pelo que H2b foi ape-
nas parcialmente suportada.
TABELA2
Regressão múltipla das variáveis da Cultura Organizacional como preditoras da Autonomia no trabalho
Preditores b t β p
Cultura Empreendedora 0.33 5.13 .32 .001
Cultura Burocrática -0.21 -3.15 -.17 .002
Cultura de Equipa 0.17 2.97 .18 .003
Cultura de Mercado -0.06 -1.00 -.06 .316
No que diz respeito ao valor preditivo dos tipos de cultura no excesso de trabalho (H3), foi
realizada uma regressão linear múltipla. O modelo de predição mostrou-se significativo [F (4, 287
= 10.11, p < .001, R2 = .12], mostrando que 12% da varião total do excesso de trabalho pode ser
explicada pelas quatro culturas. A Tabela 3 sumariza os coeficientes de regressão para cada tipo
de cultura. A hipótese H3 postulava que as culturas empreendedora e de equipa predissessem
negativamente o excesso de trabalho. O resultado desta regressão mostrou que, embora haja uma
relação negativa da cultura empreendedora com o excesso de trabalho, elao se mostrou esta-
tisticamente significativa. Contudo, e conforme esperado, a cultura de equipa prediz negativa-
mente o excesso de trabalho em contexto de startupsassim, quanto mais elevada a perceção de
cultura de equipa da startup, menor a perceção de excesso de trabalho, suportando parcialmente
a H3a.
Por seu turno, H3b propunha que a cultura burocrática e a cultura de mercado predisses-
sem positivamente o excesso de trabalho. Contudo, embora o sentido da relação seja positivo, as
regressões não se apresentaram estatisticamente significativas (no caso da cultura burocrática, o
resultado é marginalmente significativo), pelo que H3b não foi corroborada.
TABELA3
Regressão múltipla das variáveis da Cultura Organizacional como preditoras do Excesso de trabalho
Preditores b t β p
Cultura Empreendedora -0.06 -0.85 -.06 .396
Cultura Burocrática 0.13 1.88 .11 .062
Cultura de Equipa -0.29 -4.65 -.30 < .001
Cultura de Mercado 0.08 1.29 .08 .198
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5. Discussão
O presente estudo procurou analisar, do ponto de vista de trabalhadores de startups, qual
a tipologia de cultura organizacional mais proeminente nos seus contextos de trabalho, assim
como a relação entre estas tipologias e a sua perceção de autonomia e excesso de trabalho. Os
resultados comprovam que, dentre os quatro tipos de cultura organizacional, a cultura empreen-
dedora é, na perspetiva dos trabalhadores, a mais predominante em contexto de startups. Nesta
mesma direção, os trabalhadores técnicos de startups percecionaram a cultura empreendedora
e a cultura de equipa como predizendo positivamente a autonomia no trabalho. Por outro lado,
quanto mais forte a cultura burocrática menor a autonomia no trabalho percecionada. No entanto,
apenas a cultura de equipa prediz negativamente o excesso de trabalho.
A literatura sugere que as startups possuem um ambiente dimico e muito inovador, com
alto risco e produtos novos, dando mais opções ao mercado. Paralelamente, uma startup geral-
mente tem menos capital, menos cientistas e engenheiros, menos legitimidade ou presença de
marca, menos alianças estratégicas, estruturas organizacionais em evolução e processos de
negócios incompletos ou até inexistentes (e.g., Giardino et al. 2014; Kim et al., 2018; Maran &
Soro, 2010). Num nível mais abstrato, essas empresas jovens têm responsabilidades de apresenta-
rem novidade, portanto, fracassam em taxas mais altas do que seus concorrentes maiores e mais
velhos (Freeman & Engel, 2007). Embora a literatura já tenha apresentado alguns resultados que
associavam certas características das startups ao ambiente empreendedor (Tata, 2000), estes não
eram muito precisos quanto ao tipo de cultura predominante nesses contextos. De acordo com o
presente estudo, foi possível confirmar que os valores da inovação, a resposta rápida e o espírito
empreendedor, fazem das startups contextos predominantemente de cultura empreendedora
(Tata, 2000), mas se verificou também que as startups podem ter algumas características da cul-
tura de equipa, nomeadamente pela sua preocupação com a coesão das equipas e flexibilidade
dos processos (Rukh & Qadeer, 2018).
Estas dinâmicas de trabalho explicam o motivo das startups se caracterizarem como contex-
tos de trabalho que privilegiam a autonomia dos seus trabalhadores, o que foi também demons-
trado neste estudo. Alguns estudos anteriores (e.g., Brunia et al., 2016; Mann & Holdsworth, 2003)
tinham mostrado que permitir que os trabalhadores assumam o seu próprio horário de tra-
balho, escolham seu local de trabalho e organizem as suas tarefas sem o controlo ou monotori-
zação do trabalho, aumenta a autonomia percebida dos trabalhadores. Esta ideia é fortalecida
pela ausência de correlação entre a perceção de autonomia e o número de horas de trabalho
semanal reportado pelos trabalhadores (Tabela 1). De facto, a criatividade e a flexibilidade, não
encontram espaço em organizações centradas no controlo rigoroso das tarefas e das horas de
trabalho, como é caso das organizações com cultura burocrática (Ferreira & Martinez, 2015). Em
vez disso, a criatividade e a flexibilidade parecem aumentar quando a organização é centrada
nas suas equipas e aberta à mudança (Freeman & Engel, 2007). Assim, equipas com altos níveis
de autonomia são frutos de uma cultura organizacional orientada para a flexibilidade e estru-
tura orgânica, a exemplo da cultura empreendedora e a de equipa (De Bruin & Taylor, 2006; Tata,
2000), obtendo alguns efeitos positivos sobre o stresse ocupacional, desapego psicológico do tra-
balho e necessidade de recuperação (Mache et al., 2020).
Este estudo foi mais longe e demonstrou ainda que, embora a cultura predominante nas star-
tups (cultura empreendedora) predissesse a autonomia sobre a decisão do trabalho, não significa
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que prediga menos excesso de trabalho, deixando em aberto a possibilidade de se estudar o
grau alto ou baixo de excesso de trabalho nesses contextos. Uma possível explicação para este
resultado pode advir do estudo de Rosenfield (2004), que concluiu que contextos organizacionais
percetíveis como autónomos podem ser fontes de excesso de trabalho. A autora chama a esse
fenómeno de autonomia outorgada, ou seja, uma pseudo-perceção de liberdade e flexibilidade
no trabalho que leva a que os trabalhadores possam usar esta aparente autonomia para fazerem
tarefas fora do horário estabelecido ou mesmo fora do trabalho. De facto, os trabalhadores pode-
rão ter alguma dificuldade em perceber o excesso de trabalho em ambientes flexíveis, pois que-
rem atender à expectativa de ser adaptáveis, flexíveis e, se necesrio, geograficamente móveis
(Harvey, 2008). As consequências pessoais da flexibilidade exigem mobilidade, disponibilidade,
aceitação da incerteza, gosto pela complexidade, mobilização mental e psíquica e adaptabilidade
(Gaulejac, 2007). Contudo, essas exigências são muitas vezes sentidas e ignoradas pelos trabalha-
dores uma vez que eles não são obrigados a isso, fruto da autonomia outorgada apresentada pela
empresa (Rosenfield, 2004).
No que se refere à cultura de equipa, e à sua capacidade de predizer negativamente o excesso
de trabalho, supõem-se que o esrito de entreajuda na equipa, a delegação de responsabilidade
pode estar na base deste resultado (Ferreira & Martinez, 2015). Ainda de salientar que este estudo
demonstrou que a cultura do tipo burocrático prediz negativamente a autonomia no trabalho,
como era esperado, mas não se mostrou preditora do excesso de trabalho. De facto, as organiza-
ções com culturas do tipo burocrático estão muito atentas ao respeito da hierarquia e ao cumpri-
mento escrupuloso das normas e horários de trabalho, mesmo que não hajam tarefas por realizar
(Bussin et al., 2016; Herkenhoff, 2002). Na base destes resultados, poderá estar subjacente que o
conceito de autonomia e excesso de trabalho não sejam necessariamente opostos e que medir a
amplitude destas características no ambiente organizacional é importante para se perceber em
que medida uma está mais presente que a outra e, desta forma, fomentar práticas que promovam
a característica de trabalho mais inclinada à cultura da organização.
6. Conclusão
Os resultados deste estudo fornecem novas informações sobre a cultura organizacional pre-
dominante em contextos de startups incluindo sobre como as diferentes culturas predizem a
autonomia e o excesso de trabalho. O estudo mostrou que os participantes percecionam que as
startups m uma cultura do tipo empreendedor e que esta prediz positivamente a autonomia
no trabalho, característica de trabalho que fornece ao trabalhador certa liberdade para tomar
decisões sobre a sua tarefa. Outra cultura organizacional que parece encontrar também algum
espaço nas startups é a do tipo equipa que nesse estudo não só mostrou que se assemelha ao tipo
empreendedor ao predizer positivamente a autonomia como se mostrou negativamente predi-
tora do excesso de trabalho. Estes mesmos trabalhadores, não parecem percecionar traços de
cultura burocrática e de mercado nos seus locais de trabalho, o que mostra que estas estruturas
tradicionais focadas no controlo rígido dos processos diferenciam-se de certa forma das novas
formas de se organizar o trabalho. Este estudo constitui, assim, uma base para futuras pesqui-
sas sobre os efeitos das diferentes culturas organizacionais sobre as características de trabalho
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Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de startups
principalmente em contextos de startups. Estes estudos são necessários para investigar diferen-
tes relações entre a cultura predominante em startups e o excesso de trabalho, principalmente.
Limitações e estudos futuros
Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas, e os estudos futu-
ros devem estar atentos a estas lacunas. Primeiro, foram apenas identificadas como startups as
empresas em que os participantes as consideravam como tal e não se fez, por exemplo, uma reco-
lha de informações junto das empresas para a devida verificação dos critérios. Para contornar
essa limitação, além de perguntar aos trabalhadores se consideravam ou não as suas empresas
startups, incluiu-se o critério de apenas considerar startups as empresas com até 10 anos de exis-
tência. Segundo, o estudo foi feito apenas com trabalhadores técnicos de startups, e, por conse-
guinte, os resultados mostram apenas as perceções desses trabalhadores. Em estudos futuros
pode ser importante contrastar essas perceções dos trabalhadores técnicos com a perceção de
participantes em cargos de lideraa (e.g., CEOs). Terceiro, é necessário explorar o papel da
cultura de mercado nas variáveis em estudo, uma vez que não se mostrou preditora de nenhuma
característica do trabalho. Quarto, este estudo foi feito em tempos da pandemia da covid-19,
o que pode ter implicação nos resultados, pois muitas empresas foram obrigadas a alterar as
formas de trabalho, embora tenha sido pedido aos participantes que pensassem “numa semana
típica de trabalho, pelo que é importante replicar estes resultados num contexto pós-pandémico.
Implicações para a teoria e para a prática
Este estudo tem rias implicações para o conhecimento do comportamento organizacional
em startups. Tendo por base os resultados do estudo, podemos concluir que estas empresas m,
da perspetiva dos trabalhadores, uma cultura predominantemente empreendedora e que, por via
da cultura vigente, as características de trabalho são percebidas como promotoras de autonomia.
Outro importante contributo prende-se com o facto ter sido possível compreender que para além
da cultura empreendedora, aspetos da cultura de equipa como o espírito de entre ajuda e coe-
são grupal são frequentes em startups, o que vai em linha com as posições de Helfrich e colegas
(2007) que indicam ser possível encontrar numa determinada empresa aspetos das diferentes
tipologias de cultura, de acordo com o modelo dos valores concorrentes as dimenes não são
estanques entre si. Estudos anteriores (e.g, Ahuja et al., 2002; De Bruin & Taylor, 2006; Rosenfield,
2004) demonstraram ainda que ambientes que promovem a autonomia têm equipas mais felizes
e eficazes e com menos riscos psicossociais. Este estudo mostrou que é preciso compreender que
embora as startups tenham ambientes mais flexíveis e autónomos, os trabalhadores podem per-
cecionar algum excesso de trabalho talvez em função de uma autonomia outorgada, conceito que
explica a falsa sensação de ausência de excesso de trabalho.
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Manuel Armando dos Santos Dala, Filipa Sobral, Catarina Morais
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RELAÇÃO ENTRE A QUALIDADE DO SONO, A REGULAÇÃO
EMOCIONAL E A ANSIEDADE: ESTUDO COM ADOLESCENTES
RELATIONSHIP BETWEEN SLEEP QUALITY, EMOTIONAL REGULATION AND
ANXIETY: STUDY WITH ADOLESCENTS
Patrícia Vala Silva1, Ana Gomes2, Fernanda Lyrio Heinzelmann3
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XVIII • ISSUE FASCÍCULO 2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2022 PP. 2642
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XVIII.2.2
Submited on 21.12.21 Submetido a 21.12.21
Acceptted on 3.05.22 Aceite a 3.05.22
Resumo
A adolescência é uma fase de evolução e de mudaa a nível biológico, psicológico e social.
Osono é uma necessidade básica que manipula e é manipulado pelas variadas atividades, con-
textos e papéis, que são condições fundamentais para os adolescentes. Um sono inadequado pode
prejudicar, severamente, a qualidade de vida dos jovens e influenciar as suas competências em
regular as emoções. A capacidade em regular as emoções é fundamental para preservar o equi-
brio interno do indivíduo, assim como possibilitar relações sociais adequadas e favorecer a saúde
mental. Estratégias de regulão emocional inadequadas ou insuficientes podem desencadear
sentimentos desagradáveis, e provocar nos indivíduos sofrimento psicológico, que ao longo do
tempo pode evoluir para uma perturbação de ansiedade. Uma regulação emocional insuficiente
associa-se a uma segurança reduzida nas capacidades em controlar a ansiedade. Este estudo pre-
tendeu averiguar a existência de uma relação significativa entre a sonolência diurna, a regulação
emocional, os níveis de ansiedade e as questões de género associadas, nos alunos do 3.ºCiclo
do Ensino Básico. A amostra consistiu em 64 adolescentes, dos 12 aos 15 anos. Os resultados
demonstraram correlações significativas entre sonolência diurna e as estratégias de regulação
emocional (correlação negativa), entre sonolência diurna e os níveis de ansiedade, entre regula-
ção emocional e os níveis de ansiedade. No que se refere ao nero, as participantes do género
feminino tiveram valores superiores às do género masculino em quatro subescalas da regulação
emocional e níveis de ansiedade: responsividade situacional, componente motora, componente
vegetativa e componente do sistema nervoso central.
Palavras-Chave: Adolescência; Sonolência Diurna; Regulação Emocional; Ansiedade.
1 Universidade Autónoma de Lisboa. E-mail: patriciavlsilva@gmail.com
2 CIP-Centro de Investigação em Psicologia da Universidade Autónoma de Lisboa. E-mail: ana.m28.gomes@gmail.com
3 CIP-Centro de Investigação em Psicologia da Universidade Autónoma de Lisboa. E-mail: flyrio@autonoma.pt
Corresponding author
Ana Gomes, E-mail: ana.m28.gomes@gmail.com
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Patrícia Vala Silva, Ana Gomes, Fernanda Lyrio Heinzelmann
Abstract
Adolescence is a phase of evolution and change at a biological, psychological and social
level. Sleep is a basic need that manipulates and is manipulated by the various activities,
contexts and roles, which are fundamental conditions for adolescents. Inadequate sleep can
severely impair the quality of life of young people and influence their ability to regulate
their emotions. The ability to regulate emotions is fundamental to preserving the individuals
internal balance, as well as enabling appropriate social relationships and fostering mental
health. Inadequate or insufficient emotion regulation strategies may trigger unpleasant feelings
and cause psychological distress, which may develop into an anxiety disorder over time.
Insufficient emotion regulation is associated with reduced confidence in ones ability to control
anxiety. This study aimed to assess the existence of a significant relationship between daytime
sleepiness, emotional regulation, anxiety levels and associated gender issues in students in the
3rd cycle of basic education. The sample consisted of 64 adolescents aged between 12 and
15 years old. The results showed significant correlations between daytime sleepiness and
emotion regulation strategies (negative correlation), between daytime sleepiness and anxiety
levels, and between emotion regulation and anxiety levels. With regard to gender, female
participants had higher values than male participants in four subscales of emotion regulation
and anxiety levels: situational responsiveness, motor component, vegetative component, and
central nervous system component.
Keywords: Adolescence; Daytime Sleepiness; Emotional Regulation; Anxiety.
Introdução
A adolescência caracteriza-se por ser uma fase de evolução e de mudaas biológicas, psi-
cológicas e sociais. O sono é uma necessidade básica que manipula e é, sincronicamente, mani-
pulado pelas variadas atividades do contexto adolescente. Na era digital, com possibilidades de
ligação permanente à internet, muitos adolescentes consideram o sono uma intrusão indesejável
na vida social. A hora de dormir por vezes é atrasada, resultando numa menor duração total de
sono (Seton & Fitzgerald, 2021). Este atraso da hora de dormir pode estar relacionado à ansiedade
e à depressão, sendo comum que os adolescentes com privação de sono apresentem estados de
humor alterados. Entre os efeitos da privação do sono, constam problemas cognitivos, físicos e
de saúde mental. A privação do sono persistente ou crónica, pode levar à sonolência diurna, a
queixas psicológicas, somáticas, ansiedade, sintomas depressivos e até a dificuldades cognitivas
associadas à redução da motivação para estudar e piores resultados académicos (Seton & Fitz-
gerald,2021). Investigações que procuram analisar as associações entre regulação emocional e
sono, sugerem que é provável que exista uma relação recíproca (Petz, Rogge & O’Connor, 2019;
Orchard et al., 2020). Os adolescentes com propensão para a depressão e ansiedade são susce-
tíveis a mais perturbações do sono, o que, por sua vez, intensifica os sintomas de depressão e
ansiedade (Brown, et al. 2018). Desta forma, controlar a ansiedade e preservar uma boa quali-
dade do sono é essencial para alcaar uma satisfatória e suficiente saúde mental, emocional e
física (Silva et al., 2020).
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Relão entre a qualidade do sono, a regulão emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
A desregulação emocional, resultante das perturbações de ansiedade ou dos seus indícios,
pode ser vivenciada de distintas formas. Indivíduos que sofrem de perturbação da ansiedade
generalizada apresentam uma maior propensão em manifestar uma elevada veemência emo-
cional, juntamente com problemas na perceção de emoções. Segundo Woodward et al. (2018), os
sujeitos que apresentam uma elevada desregulação emocional manifestam uma reduzida segu-
rança na competência em controlar a sua ansiedade.
De acordo com o modelo neurobiológico de Jamieson, et al. (2021), a qualidade do sono,
ansiedade e regulação emocional no início da adolescência, entre os 12 e os 14 anos de idade
estão significativamente relacionadas. Esta relação acontece uma vez que a qualidade do sono
influencia a existência de uma conectividade bidireccional entre a amígdala e os centros de
controlo executivo no córtex pré-frontal. O que equivale a uma correlação negativa ente a
qualidade do sono, ansiedade e regulação emocional. Este modelo empiricamente apoiado e
baseado num quadro teórico centra-se na forma como a má qualidade do sono durante a pri-
meira adolescência desempenha um papel crucial no desenvolvimento inicial das perturba-
ções de ansiedade e de regulação emocional (Jamieson, et al. 2021). A duração e a qualidade
do sono, são fatores determinantes para a saúde mental. Em geral, características como o sono
insuficiente e de má qualidade estão associadas a uma pior regulação do humor e das emoções,
bem como, a uma maior probabilidade de desenvolver uma perturbação de humor ou de ansie-
dade, e a um risco acrescido de ideação suicida (Short, et al. 2019).Visto que a adolesncia cos-
tuma ser marcada por uma maior autonomia dos indivíduos sobre suas próprias rotinas, existe
também uma maior vontade de regular as emoções face aos acontecimentos antagónicos e
stressantes. Desta forma, uma regulação emocional satisfaria pode dificultar o aparecimento
de alguma psicopatologia, nomeadamente a ansiedade (Young et al., 2019). Diversos estudos
confirmam que os problemas de regulação emocional nos adolescentes podem ser conside-
rados uma condição de risco para o surgimento da perturbação de ansiedade (Loevaas et al.,
2018; Davis et al., 2019).
A literatura sugere ainda que existem diferenças de género no que se refere aos hábitos de
sono. Mulheres tendem a dormir menos horas (Doi & Minowa, 2003; Hislop & Arber, 2003; Venn
et al., 2008; Maume, Sebastian & Bardo, 2010; Burgard & Ailshire, 2013), uma vez que histori-
camente a jornada diária de trabalhos não remunerados (tarefas domésticas, cuidados com a
família e organização da vida familiar) destas, costuma ser maior que a dos homens (Venn et al.,
2008; Anxo et al., 2011; Coelho, 2011, 2017) comparativamente. Esta disparidade entre os géneros
parece ser estabelecida desde cedo, e começa a ser percebida na adolescência. Portanto, parece
relevante considerar diferenças nos níveis de ansiedade e regulação emocional em relação ao
género.
As questões supracitadas apontam a pertinência de se refletir sobre a qualidade do sono e
os seus efeitos na regulação emocional na adolescência, em homens e mulheres bem como as
consequências de ambos para um maior ou menor nível de ansiedade. Desta forma, o presente
estudo buscou averiguar a existência de uma relação significativa entre a sononcia diurna, a
regulação emocional, os níveis de ansiedade e as questões de género associadas, nos alunos do
3º Ciclo do Ensino Básico.
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Patrícia Vala Silva, Ana Gomes, Fernanda Lyrio Heinzelmann
Método
Problema
De acordo com a revisão de literatura surgiu a seguinte questão de investigação: “Será que se
verifica uma relação entre a sonolência diurna, a regulação emocional e os níveis de ansiedade
em alunos do 3ºciclo?
Objetivos
Objetivo Geral
O objetivo geral desta investigação é estudar a relação que existe entre a sonolência diurna,
a regulação emocional e os níveis de ansiedade em alunos do 3º ciclo.
Objetivos Específicos
Verificar a sonolência diurna, a regulão emocional e os níveis de ansiedade nos alunos do
ciclo; observar as diferenças entre o género na sonolência diurna, na regulação emocional e
nos níveis de ansiedade;
Analisar se existe uma relação entre a sonolência diurna e a regulação emocional;
Analisar se existe uma relação entre a sonolência diurna e a ansiedade; Analisar se existe
uma relação entre a regulação emocional e os níveis de ansiedade.
Participantes
A amostra é composta por 64 adolescentes do Ciclo do Ensino sico, de uma escola pri-
vada na área metropolitana de Lisboa, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos. Dos
adolescentes incluídos na amostra, 27 são do género feminino (n= 42.2%) e 37 do género mascu-
lino (n= 57.8%). Relativamente à distribuão por nível de escolaridade, cerca de 21 adolescentes
frequentam o ano (32.8%), 12 frequentam o ano (18.8%) e 31 frequentam o ano (48.4%),
como se pode verificar na tabela 1. Em relação às questões éticas, foi realizada uma declaração
de Acordo de Consentimento Informado”, a qual foi entregue aos encarregados de educação
ou aos titulares da responsabilidade parental do adolescente, de forma a assegurar a confiden-
cialidade dos mesmos. Importa salientar que esta declaração cumpre todos os princípios éticos
da Declaração de Helsínquia e também foi autorizada pela Comissão de Ética da Universidade
Autónoma de Lisboa. O único critério de inclusão está relacionado com o consentimento dos
encarregados de educação ou dos titulares da responsabilidade parental, de modo a que o aluno
participe nesta investigação, através do Acordo de Consentimento Informado” e como critério
de exclusão são os alunos que não apresentem este consentimento.
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Relão entre a qualidade do sono, a regulão emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
TABELA1
Caracterização Sociodemogfica (N=64)
N %
Género
Masculino 37 57.8
Feminino 27 42.2
Idade
12 anos 17 26.6
13 anos 11 17.2
14 anos 31 48.4
15 anos 05 07.8
Escolaridade
ano 21 32.8
ano 12 18.8
ano 31 48.4
Instrumentos
Foram utilizados quatro instrumentos adaptados à medão das variáveis que se encontram
em estudo. São eles: Questionário Sociodemográfico com dados biogficos, sociais e familiares;
Pediatric Daytime Sleepiness Scale (PDSS) - validado para a populão portuguesa por Moreno
(2012); Emotion Regulation Index for Children and Adolescents (ERICA) - validado para a população
portuguesa por Reverendo & Machado (2010); e Self Anxiety Scale (S.A.S.) - validado para a popu-
lação portuguesa por Ponciano, Relvas & Serra (1982).
Questionário Sociodemográfico
O questionário sociodemogfico é constituído por respostas simples e diretas, e foi elabo-
rado com base na população específica desta investigação. Procurou caracterizar os indivíduos
participantes, recolhendo informações como dados biogficos, sociais e familiares, além de
informações sobre género, escolaridade, nacionalidade e com quem vivem.
Pediatric Daytime Sleepiness Scale (PDSS)
A Pediatric Daytime Sleepiness Scalefoi elaborada por Christopher Drake, em 2003, e con-
tinha 32 itens, com questões ltiplas referentes à sonolência, aos modelos do sono, atividades
extracurriculares, entre outras (Drake et al., 2003). Posteriormente, foi modificada e passou a ser
constituída por 8 itens, variando entre 0 (Nunca); 1 (Raramente); 2 (Por vezes); 3 (Frequentemente)
e 4 (Sempre), e a pontuação que pode chegar aos 32 valores (Drake et al., 2003). O coeficiente de
consistência interna Alfa de Cronbach é de 0.8 (Drake et al., 2003).
Emotion Regulation Index for Children and Adolescents (ERICA)
A escala Emotion Regulation Index for Children and Adolescents(ERICA) foi elaborada por
MacDermott, Gullone, Allen, King & Tonge (2010), como instrumento de autorrelato para analisar
a qualidade da regulação emocional em crianças e adolescentes entre os 9 e 16 anos (Machado &
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Reverendo, 2012). É composta por 16 itens, variando entre 5 (Concordo Totalmente); 4 (Concordo);
3 (o Concordo nem Discordo); 2 (Discordo); 1 (Discordo Totalmente), em três subescalas (con-
trolo emocional, autoconsciência emocional e responsividade situacional), com pontuação que
pode chegar aos 80 valores. Apresenta um coeficiente de consistência interna Alfa de Cronbach
de 0.75 na escala em geral, sendo que alterna entre .60 e .73, individualmente nas três subescalas
(MacDermott et al., 2010).
Self-Anxiety Scale (S.A.S.)
A Self-Anxiety Scale (S.A.S.) foi desenvolvida por Zung (1971) como um instrumento de avalia-
ção da ansiedade (Bobrowicz-Campos et al., 2017; Dunstan & Scott, 2020). Esta escala é formada
por 20 itens que tem quatro respostas possíveis que vão de “nenhuma ou raras vezes” à “a maior
parte ou totalidade do tempo(Costa et al., 2018). A escala analisa ainda quatro subescalas que
são importantes na ansiedade: a subescala cognitiva (item 1 ao 5), a subescala motor (item 6 ao 9),
a subescala vegetativa (item 10 ao 18) e a subescala sistema nervoso central (item 19 e 20) (Amo-
rim, 2014). A pontuação varia entre 20 a 80 pontos (Amorim, 2014).
A consistência interna, para o total da escala, e para as subescalas, revela uma boa fidedigni-
dade (α = 0,88 para o total da escala; α = 0,87 para o C. C.; α = 0,74 para o C. M., α = 0,71 para C.
V e α = 0,88 para C. S.N.C.) (Amorim, 2014).
Procedimento
Este estudo obteve parecer positivo da Comissão de Ética do ||blind for review|| e foram
seguidos todos os procedimentos relativos à proteção de dados pessoais. A aplicação dos instru-
mentos ocorreu após obtenção de um parecer favorável da direção da escola participante, dos
encarregados de educação e dos alunos em questão. Para tal, foram entregues os consentimentos
informados com a finalidade de comunicar e informar pormenorizadamente, sobre toda a inves-
tigação e como se iria processar a aplicação dos instrumentos, de modo, a que estes aprovassem
a participação.
A bateria de instrumentos de avaliação utilizada foi administrada aos adolescentes após a
obtenção do Consentimento Informado dos encarregados de educação. Os consentimentos fica-
ram na posse dos Diretores das escolas para que não existisse qualquer tipo de cruzamento de
informação e consequente violão da privacidade e anonimato a que os questionários estavam
sujeitos. A recolha de dados foi efetuada em contexto de sala de aula, estando presentes os Dire-
tores de Turma que supervisionaram o preenchimento dos questionários. Para além da recolha
de dados em escolas recorreu-se também a Associações Desportivas e Humanitárias, seguindo-
-se o procedimento anterior.
Análise dos Dados
Para a análise estatística dos dados recolhidos foi utilizado o software IBM SPSS (Statisti-
cal Package for the Social Sciences) Statistics 26. Inicialmente, foi feita uma análise descritiva
(frequências absolutas e relativas, médias e respetivos desvios-padrão) e posteriormente, uma
alise inferencial. Neste sentido, recorreu-se ao coeficiente de consistência interna Alfa de
Cronbach, ao teste-t de Students para amostras independentes, e ao coeficiente de correlão de
Pearson.
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Relão entre a qualidade do sono, a regulão emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
Resultados
Estatística Descritiva e Diferenças entre Grupos
Nas diversas variáveis foi analisado o coeficiente de consistência interna de Alfa de Cronbach.
Nas escalas, a que avalia a sononcia diurna é representada por um alfa de Cronbach de .708. A
que avalia a regulação emocional, teve o alfa de Cronbach de .811. E na que avalia os níveis de
ansiedade, o alfa de Cronbach foi de.838, tal como se pode verificar na tabela 2.
TABELA2
Consistência Interna
Alfa de Cronbach Nº de Itens
Escala de Sonolência Diurna .708 8
Escala de Regulação Emocional
Controlo Emocional .707 9
Autoconsciência Emocional .521 3
Responsividade Situacional .731 4
Total .811 16
Escala de Ansiedade
Componente Cognitiva .748 5
Componente Motora .476 4
Componente Vegetativa .543 9
Componente Sistema Nervoso Central .248 2
Total .838 20
Sonolência diurna, regulação emocional e níveis de ansiedade
Os adolescentes apresentam uma média de 12.66 na escala de sonolência diurna, valor ligei-
ramente superior ao ponto médio da escala. Na escala de regulação emocional, a média é de 59.55,
significativamente elevada, se comparada ao ponto médio da escala. Nas subescalas, o “controlo
emocionalapresenta a média mais elevada. a escala que avalia a ansiedade apresenta uma
média de 43.77, valor ligeiramente superior ao ponto médio da escala. E a subescala que demons-
tra média superior é a “componente vegetativa, tal como se pode verificar na tabela 3.
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TABELA3
Análise Estatística Descritiva
Mínimo Máximo Média Desvio-Padrão
Escala de Sonolência Diurna 1 25 12.66 5.26
Escala de Regulação Emocional
Controlo Emocional 15 42 30.31 5.59
Autoconsciência Emocional 5 15 11.77 2.22
Responsividade Situacional 7 20 17.47 2.57
Total 33 77 59.55 8.61
Escala de Ansiedade
Componente Cognitiva 6 20 11.23 3.37
Componente Motora 5 15 8.91 2.53
Componente Vegetativa 14 30 19.10 4.04
Componente Sistema Nervoso Central 3 10 4.53 1.76
Total 29 69 43.77 9.86
Género, regulação emocional e níveis de ansiedade
As diferenças entre os géneros foram significativas na responsividade situacional (t (56) =
-2.99, p <.01), na componente motora (t (62) = -1.96, p <.01), na componente vegetativa (t (62) =
-2.13, p <.05) e na componente do sistema nervoso central (t (62) = -2.25, p <.05). Os valores para
o género feminino foram superiores aos do género masculino nas quatro subescalas: responsivi-
dade situacional: feminino (M= 18.4, DP=.28) e masculino (M= 16.8, DP=.49); componente motora:
feminino (M= 9.95, DP=.52) e masculino (M= 8.14, DP=.35); componente vegetativa: feminino (M=
20.3, DP=.77) e masculino (M= 18.2, DP=.64); componente do sistema nervoso central: feminino
(M= 5.09, DP=.36) e masculino (M= 4.12, DP=.26), tal como se pode verificar na tabela 4.
TABELA4
Diferenças de Género
Feminino Masculino
M DP M DP t
Escala de Sonolência Diurna 13.70 .97 11.89 .88 -1.371
Escala de Regulação Emocional
Controlo Emocional 29.89 1.17 30. 62 .86 .515
Autoconsciência Emocional 12.11 .37 11.51 .40 -1.066
Responsividade Situacional 18.44 .28 16.76 .49 -2.997
Escala de Ansiedade
Componente Cognitiva 12.18 .28 10.54 .47 -1.880
Componente Motora 9.95 .52 8.14 .35 -3.011
Componente Vegetativa 20.32 .77 18.21 .64 -2.127
Componente Sistema Nervoso Central 5.09 .36 4.12 .26 -2.248
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Relão entre a qualidade do sono, a regulão emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
Sonolência diurna e a regulação emocional
Na correlação entre a escala PDSS e a escala ERICA, apenas a correlação entre as dimensões
PDSS e Controlo emocional é estatisticamente significativa e negativa (r= -.416**). Isto sugere que
quanto mais elevado são os níveis de sonolência diurna, menores são os recursos a estragias de
regulação emocional, como se verifica na tabela 5.
TABELA5
Correlações PDSS e ERICA
PDSS
Controlo Emocional -.416**
Autoconsciência Emocional .024
Responsividade Situacional -.040
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades)
Sonolência diurna e a ansiedade
Na correlação entre a escala PDSS e a escala S.A.S., uma grande parte das correlões apre-
senta uma correlação positiva, sendo a correlação mais elevada entre as dimenes Componente
Cognitiva e o PDSS (r=.374**). Isto sugere que quanto mais elevado são os níveis de sononcia
diurna, maiores são os níveis de ansiedade, tal como se pode verificar na tabela 6.
TABELA6
Correlações PDSS e S.A.S.
PDSS
Componente Cognitiva .374**
Componente Motora .354**
Componente Vegetativa .212
Componente Sistema Nervoso Central .274*
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades)
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades)
Regulação emocional e os níveis de ansiedade
Na correlação entre a escala ERICA e a escala S.A.S., existem diversas correlações signifi-
cativas negativas, e a correlação mais elevada ocorre entre as dimenes Controlo Emocional
e a Componente Motora (r= -.374**). Isto sugere que, quanto mais elevados são os recursos de
estratégias de regulação emocional, menores são os níveis de ansiedade, tal como se pode veri-
ficar na tabela 7.
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TABELA7
Correlações ERICA e S.A.S.
ERICA
Controlo Emocional Autoconsciência
Emocional
Responsividade
Situacional
Componente Cognitiva -.368** -.245 .010
Componente Motora -.374** -.249* .059
Componente Vegetativa -.187 -.075 .068
Componente Sistema Nervoso Central -.265* -.171 -.052
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades).
Discussão
No nosso estudo, os adolescentes revelaram uma sonolência diurna normativa, demons-
trando uma média de 12.66. Um estudo de Randler et al. (2019) confirma que os valores diminuem
conforme a idade dos adolescentes, e portanto, são mais elevados em adolescentes mais velhos.
Segundo estes mesmos autores, a idade é uma condição essencial para o nível de sononcia
diurna. Ou seja, os adolescentes mais velhos necessitam descansar por mais tempo para alcançar
o mesmo grau de desempenho cognitivo. Uma vez que a sononcia diurna não apresentou níveis
elevados, entende-se este como um sinal favorável de atendimento das necessidades drias rela-
cionadas com o sono (Altan et al., 2018).
Em relação à regulação emocional, os adolescentes apresentaram valores relativamente ele-
vados, com uma média de 59.55. Este resultado vai ao encontro do estudo de Reverendo (2011),
que demonstrou média semelhante, de 59.7. Também segundo este autor, os valores mais elevados
referem-se a adolescentes que apresentam uma regulação emocional apropriada, ajustada e fun-
cional. Lennarz et al. (2019) mencionam que uma regulação emocional adaptativa e funcional é
essencial para o funcionamento psicossocial e, posteriormente, para o desenvolvimento da saúde
mental. Para Sanchis-Sanchis et al. (2020), a aquisição de competências para articular as respos-
tas emocionais, no período da adolescência, encontra-se, profundamente, associada à matura-
ção que delineia distintos níveis, nomeadamente o nível cognitivo, fisiológico e comportamental.
Quanto à ansiedade, os adolescentes apresentaram uma média de 43.77. Segundo Sequeiros
(2009), estes valores demonstram uma ansiedade dentro de valores normativos, contudo, no
limiar de uma ansiedade moderada. Bertuol & Valentini (2006), relacionam estes valores com a
fase maturacional dos adolescentes, uma vez que os mais velhos manifestam níveis mais eleva-
dos de ansiedade. A ansiedade, em dimensões equilibradas, proporciona uma redução na “exibi-
ção inconsciente e irrefletida a determinados perigos, característica própria da adolescência, e,
por consequência, uma diminuição de morbidade (Silva & Silva, 2013).
De acordo com Nelemans et al. (2014), os indícios de ansiedade pertencem ao desenvolvi-
mento regular de todos os indivíduos. Os adolescentes deparam-se com novas situações no seu
processo de amadurecimento, e os indícios de ansiedade oscilam ao longo do mesmo. Hale et
al. (2008) e Van Oort et al. (2009) também referem que os indícios de ansiedade são comuns no
começo da adolescência e vão diminuindo com o decorrer da mesma.
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Relão entre a qualidade do sono, a regulão emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
Sonolência diurna, regulação emocional e ansiedade
Os resultados do nosso estudo revelam ainda que a sonolência diurna afeta, negativamente,
as estratégias de regulação emocional. O estudo de Rhie et al. (2011) comprovou o mesmo: ele-
vados valores de sonolência diurna conduzem a reduzidas estratégias de regulação emocional,
revelando como consequências uma maior instabilidade emocional e uma diminuão do ren-
dimento escolar. Para Kendall & Peterman (2015), a adolescência é uma fase caracterizada por
diversas modificações, tanto ao nível biológico como ao nível social, e estas prejudicam seve-
ramente a qualidade do sono, conduzem à sonolência diurna, contribuindo para uma reduzida
regulão emocional. O efeito deste ciclo pode ser percebido pelo aumento de violência/agressi-
vidade, dificuldades de comportamento, temperamento negativo, rendimento académico redu-
zido e dificuldades em moderar e regular as emoções comuns na adolescência (Spilsbury et al.,
2007). Outros estudos evidenciam ainda que a relação entre um sono desajustado e as dificulda-
des emocionais podem evoluir para o desenvolvimento de problemas afetivos (Sarchiapone et al.,
2014; Short, et al. 2019; Jamieson, et al. 2021).
Com base nos dados do nosso estudo, foi possível também averiguar que a sonolência diurna
afeta, negativamente, os níveis de ansiedade. Os autores Chung et al. (2020) identificaram os pro-
blemas psiquiátricos que mais afetam e manipulam o sono, em especial a ansiedade e a depres-
são, uma vez que afetam a estabilidade do ritmo circadiano. Num estudo de Orchard et al., (2020),
os adolescentes demonstraram níveis mais elevados de sonolência diurna ao apresentarem
níveis mais elevados de ansiedade. Moore et al., (2009) referem que os adolescentes que apresen-
tam maiores níveis de ansiedade necessitam de um maior descanso, comparativamente a outros
indivíduos, dado o maior gasto diário de energia. Estes adolescentes manifestam também uma
perceção e conhecimento negativo sobre o seu sono e sonolência.
No que diz respeito à relação entre a regulação emocional e a ansiedade, verificou-se que as
estratégias de regulação emocional conduzem a menores níveis de ansiedade. A adolescência
caracteriza-se por ser uma fase de maior risco para o surgimento de perturbações de ansiedade
(Young et al., 2019), visto que, os adolescentes experienciam mais regularmente e intensamente
as emoções negativas devido aos desafios desta etapa da vida (Schäfer et al., 2017). Situações de
maior stress, assim como, determinadas contrariedades na inncia, representam condições de
risco para o desenvolvimento de patologias futuras.
Contudo, existem fundamentos que referem que a competência para regular as emoções em
situações de maior stress pode cumprir uma função de mediador. Mathews et al. (2014) afirmam
que os indivíduos que não detém um conhecimento ou compreensão sobre as suas emoções apre-
sentam maiores probabilidades de desenvolverem indícios de ansiedade. A regulação emocional
adequada e adaptativa considera-se uma seguraa perante os indícios psicopatológicos, visto
que possibilitam ao adolescente superar acontecimentos ou eventos que sejam emocionalmente
estimulantes. Pelo contrário, uma regulação emocional inadequada ou desadaptativa pode con-
duzir a experncias mais veementes e demoradas de emoções negativas (Schäfer et al., 2017).
Em síntese, constata-se que o sono é uma condição fundamental para a saúde mental e sica,
sendo, para os adolescentes um fator essencial para o seu desenvolvimento. O sono está asso-
ciado a questões de nível emocional, sendo importante na promoção de um crescimento saudá-
vel e com menor hipótese de desenvolver ansiedade, ou outras perturbações. Os indivíduos que
apresentam um sono insuficiente sofrem de sonolência diurna, que perante situações de maior
ansiedade potencia uma reação emocional mais intensa.
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Diferenças entre os géneros
Em relação às diferenças de género, a escala que avalia a sononcia diurna demonstrou uma
maior prevalência desta no género feminino (13.70). Contudo, não foram constatadas diferenças
significativas na comparação com o género masculino (11.89). Este resultado alinha-se ao repor-
tado por Fatani et al. (2015), em estudo realizado na Arábia Saudita, que constatou maior sono-
lência diurna em adolescentes do género feminino. Destaca-se, entretanto, que tais diferenças só
foram significativas quando medidas no grupo dos participantes que relataram dormir menos
de 6 horas por noite. Os autores atribuíram os resultados obtidos ao estilo e hábitos de vida, sem
mencionar os motivos para tal redução de horas de sono, ou se as participantes do género femi-
nino relataram dormir menos horas no geral.
Não surpreende que meninas durmam menos e sofram mais com problemas de sonolência
diurna. Conforme mencionado, a literatura aponta que mulheres tendem a dormir menos horas
(Doi & Minowa, 2003; Hislop & Arber, 2003; Venn et al., 2008; Maume, Sebastian & Bardo, 2010; Burgard
& Ailshire, 2013), e esta disparidade de horas de sono entre os géneros parece ser estabelecida logo
cedo. Tais desigualdades de género podem ter origem também na ideia naturalizada de que as meni-
nas são mais responsáveis em relação aos estudos e atividades extracurriculares (Garbarino, 2021;
Gleyse, 2021; Carvalho, 2001), logo, dedicariam mais tempo a estas tarefas, reduzindo horas de sono.
Esta expectativa pode ser traduzida na forma de uma cobrança social para que meninas reprodu-
zam determinados comportamentos, o que explicaria parte dos resultados obtidos em relação aos
níveis de ansiedade no género feminino. No nosso estudo, o género feminino apresentou valores
mais elevados que o masculino, com diferenças significativas em todas as subescalas da escala
de ansiedade. Na escala que avalia a regulação emocional, as participantes do género feminino
também tiveram valores mais elevados. E a subescala “responsividade situacionalapresentou
diferenças significativas em fuão do género, sendo as do feminino significativamente superio-
res. Este resultado se alinha ao estudo de Reverendo (2011) que também demonstrou diferenças
significativas na subescala “responsividade situacional, relacionada com as atitudes emocio-
nais socialmente adaptativas. Sancho et al. (2019) também demonstraram que o género feminino
apresenta menos dificuldade na regulação emocional. Os autores atribuíram estes dados a uma
maior propensão feminina em abordar o próprio estado emocional e, desta forma, utilizar estra-
gias de regulação emocional mais adequadas.
Já o género masculino teria mais dificuldades em utilizar estratégias de regulação emocional
apropriadas (Sancho et al., 2019). De acordo com Zhang et al. (2020), o nero feminino tende a
utilizar estratégias de reavaliação cognitiva, com a finalidade de regular as suas próprias emo-
ções, enquanto o género masculino é mais propenso a utilizar a supressão manifesta. Dados que
reforçam constatações dos estudos sobre as masculinidades, que reiteradamente relatam a difi-
culdade masculina em elaborar e falar sobre as próprias emoções, e os prejuízos que tal estra-
gia pode causar a longo prazo (Connell, 1995; Aboim, 2017).
Limitações
A presente amostra foi constituída, apenas, por alunos de uma instituição privada, sendo uma
instituição com características muito próprias no que se refere às variáveis sócio-demogficas.
Também o mero reduzido de participantes também poderá ter influenciado os resultados do
mesmo. O facto de a amostra ter sido escolhida por conveniência devido à localização geográfica
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Relão entre a qualidade do sono, a regulão emocional e a ansiedade: estudo com adolescentes
é outro fator que pode ter limitado a investigação. Além disso, a carência de estudos com esta
população-alvo em particular, dificultou a comparação dos resultados com outros estudos.
Conclusão
O sono é considerado uma condão fundamental para os sujeitos conseguirem manter uma
vida saudável e equilibrada, sendo também um fator determinante para a estabilidade emocional
e para o desenvolvimento de diversas perturbações, nomeadamente a ansiedade. Neste estudo,
apesar das particularidades entre géneros, os adolescentes apresentaram um sono adequado, no
sentido de possibilitar um desenvolvimento e crescimento normativo, um melhor desempenho
escolar e uma boa saúde psicológica e física. Foi possível também, compreender a importância
da sonolência diurna e da regulação emocional nos adolescentes, sobretudo nas mulheres, visto
que níveis elevados de sonolência provocam uma regulão emocional desajustada, podendo
resultar em comportamentos desadequados (comportamentos de risco), uma maior irritabilidade
e oposição.
A sonolência pode ser responsável, não apenas por desencadear uma diversidade de esta-
dos emocionais, mas também pela perda de controlo nas respostas emocionais, o que resulta
num quadro de adolescentes emocionalmente instáveis e mais reativos com as pessoas, ori-
ginando dificuldades sociais e de interação. A presente investigação ressalta a imporn-
cia de abordar as dificuldades do sono para melhorar a aplicão de estratégias de regu-
lação emocional adaptativas pelos adolescentes, posteriormente no seu desenvolvimento.
É ainda imprescindível o conhecimento e supervisão da manifestação de ansiedade e quais as
situações onde essa característica tende a ocorrer com mais frequência. A ansiedade é uma con-
dição essencial à sobrevivência humana, ainda que por vezes, seja caracterizada como uma expe-
riência desagradável que origina uma grande tensão ou desconforto pela previsão de perigo. Os
indícios de ansiedade podem aumentar a competência que o adolescente têm em confrontar as
situações, tanto de perigo, quanto positivas, porém desafiadoras. Neste contexto, os indícios de
ansiedade podem ser referidos como recursos. A ansiedade é considerada uma das consequên-
cias mais relevantes da sonolência, uma relação bidireccional, visto que os problemas de sono
desencadeiam ansiedade, assim como a ansiedade pode desencadear problemas de sono.
No contexto escolar é viável reconhecer a presença de diversas variáveis que podem influen-
ciar o processo de aprendizagem e a vida do adolescente fora do âmbito da escola. A ansiedade
pode surgir em qualquer idade e contexto, inclusive no contexto escolar, mesmo em alunos com
um bom desempenho. Adolescentes ansiosos podem demonstrar respostas afetivas como a apa-
tia, irritabilidade e desmotivação na aprendizagem. A experimentação de emoções negativas no
funcionamento diário contribui para o desenvolvimento de sintomas de ansiedade. As estraté-
gias de regulação emocional desadaptativas encontram-se mais relacionadas com a evolução de
patologias do foro mental. Desta forma, afetam mais gravemente, o funcionamento individual,
do que a inexistência de estratégias de regulação emocional adaptativas. Para concluir, portanto,
importa salientar a relevância de os adolescentes expressarem as suas emoções e que possuam
consciência das mesmas.
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DIAGNÓSTICOS E ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA
DIAGNOSIS AND PERSON CENTERED APPROACH
João Hipólito1, Odete Nunes1, Rute Brites1, Ana Jarmela2
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XVIII • ISSUE FASCÍCULO 2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2022 PP. 4349
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XVIII.2.1
Submited on 2.02.22 Submetido a 2.02.22
Acceptted on 4.05.22 Aceite a 4.05.22
Abstract
It has been widely held that Carl Rogers was strongly negative towards diagnoses as
useless and even harmful. However, during the analysis of his work, it appears that he used,
without prejudice, the traditional diagnoses of psychopathology, as can be seen in works such
as Psychotherapy and Personality Change (1954), Psychotherapy and its Impact (1967) and On
Personal Power (1977). In our opinion, your attitude would be based on a pragmatic approach
to communication. However, with the paradigm shift assumed in December 1940, from the
biomedical to the “new therapies, C. Rogers started to use, without expressly mentioning
it, a new diagnostic device. This “tool”, based on the six necessary and sufficient conditions
for therapeutic change, constitutes a relational means of diagnosis and, in our perspective,
consistent with the attitude of trust in the clients capacity for self-organization, a fundamental
element for the development of the therapeutic process. In this sense, the present article aims to
describe C. Rogersjourney” and his consistency of thought regarding the diagnostic process
and its use.
Keywords: ACP; diagnoses; biomedical model; self-organizing model; therapeutic response.
Resumo
Tem sido largamente disseminada a ideia de que Carl Rogers possuía uma posição franca-
mente negativa face à elaboração de diagnósticos, considerando-os inúteis e, mesmo, nocivos.
Contudo, no decorrer da análise do seu trabalho, constata-se que utilizava, sem preconceitos, os
diagnósticos tradicionais da psicopatologia, como é possível verificar em obras como Psychothe-
rapy and Personality Change (1954), Psychotherapy and its Impact (1967) e On Personal Power (1977).
Em nossa opinião, a sua atitude basear-se-ia numa abordagem pragmática da comunicação. No
entanto, com a mudança de paradigma assumida em dezembro de 1940, do biomédico para o
1 Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, Portugal. Centro de Investigação em Psicologia (CIP/UAL)
2 Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, Portugal
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João Hipólito, Odete Nunes, Rute Brites, Ana Jarmela
das novas terapias, C. Rogers passou a utilizar, sem expressamente o mencionar, um novo apa-
relho diagnóstico. Esta ferramenta, baseada nas seis condições necessárias e suficientes para
a mudança terapêutica, constitui um “meio de diagsticorelacional e, na nossa perspetiva,
coerente com a atitude de confiaa na capacidade de auto-organização do cliente, elemento
fundamental para o desenvolvimento do processo terapêutico. Neste sentido, o presente artigo
tem como objetivo descrever o percursode C. Rogers e a consistência do seu pensamento no
que se refere ao processo de diagnóstico e sua utilização.
Palavras-chave: ACP; diagnósticos; modelo biomédico; modelo auto-organizativo; resposta terapêu-
tica.
In the theoretical and clinical world of Client Centered Therapy / Person Centered Approach
there seems to be a common beliefthat Rogers was deeply against the use of diagnoses in
therapy. This belief is probably based on texts by the author such as: “I’m forced to the conclusion
that such diagnostic knowledge is not essential to psychotherapy. .... a colossal waste of time
(Rogers, 1957, p. 95-103).
As mentioned in the Journal of Humanistic Psychology (1986c), Carl Rogers evolved and
made his thinking more complex, in order to pass from a young diagnostic-prescriptiveclinical
psychologist to one who had come to trust the great potential residing within the individual
for self-understanding and self-direction(Rogers, 1990). This article presents a chronology of
Rogers’ perspective on the diagnostic process.
In Rogers first published book, Measuring Personality Adjustment in Children Nine to Thirteen
Years of Age (1931/1972) he developed an instrument, referred yet nowadays (Burchinal et al.,
1958; Westbury, 2011).
This book was followed on 1939 by The Clinical Treatment of the Problem Child, being the
diagnostic quite present as a previous condition for treatment project, framing it on a quite
traditional biomedical paradigm. In his next book, Counseling and Psychotherapy (1942), Rogers
described the client’s journey in five stages, one of which, the fourth, involves “positive planning
and actions” suggesting a prior diagnosis. The path is described thus: (1) The client comes to help
(2); He expresses emotionalized attitudes freely (3); This leads to the development of insights (4;
These results in positive planning and actions (5) The client terminates the contact. Regarding
“Insight”, Rogers referred that, when the client develops insight into his personality, there is a
reorganization of old facts that occurs (Rogers & Wallen, 1946, p. 53).
It should be noted that the biomedical paradigm is based on the diagnosis, which is expected
to be etiological, allowing a successful specific treatment. Psychological diagnostic tools, like all
other diagnostic tools used within the biomedical model, must more or less inevitably contribute
to achieving this goal.
In the conference entitled Newer Concepts in Psychotherapy, held on December 11st, 1940
at the University of Minnesota, Rogers introduced a new paradigm, shifting from a biomedical
model to the first approach to positive psychology embodied in a holistic approach centered on
self-organization and self-reliance of the organism. In his speech, the following is mentioned: (1)
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Diagsticos e Abordagem Centrada na Pessoa
() It relies much more heavily on the individual drive toward growth, health and adjustment;
(2) (), places greater stress upon the emotional elements, than upon the intellectual aspects
()”; (3) “() places greater stress upon the immediate situation than upon the individuals past”;
4 “() the therapeutic contact is itself a growth experience” (Rogers, 1942, 42-44)
Rogers was surprised by the reactions his speech provoked. He later regarded this conference
as the birth of Client-Centered Therapy (Kirshenbaum, 2007, p. 109).
In his book entitled Counselling and Psychotherapy (1942), a basic hypothesis on Counselling
was presented: “Effective counselling consists of a definitely structured permissive relationship
which allows the client to gain an understanding of himself to a degree which enables him to
take positive steps in the light of his new orientation(Rogers, 1942, p. 18). Posteriorly, Rogers
presented the following provisional indication criteria for carrying out a therapeutic process: (1)
The individual is under a degree of tension (); (2) The individual has some capacity to cope with
life. (); ( 3) There is an opportunity for the individual to express his conflicting tensions in ();
(4) He is able to express these tensions and conflicts either verbally or (); (5) He is reasonably
independent, either emotionally or spatially, of close family control; (6) He is reasonably free from
excessive instabilities, particularly of an organic nature; (7) He possesses adequate intelligence
to cope with his life situation, (); (8 ) He is of suitable age old enough (), young enough ()
roughly from ten to sixty. (1942, p. 76-77).
Rogers (1942) also mentioned the conditions of non-applicability of the Client-Centered
Therapy model: The component factors of the individuals adjustment situation are so adverse
that (); (2) The individual is inaccessible to counselling (); (3) Effective environmental treatment
is simpler and more efficient (); (4) The individual is too young or too old, or too dull, or too
instable ()” (p. 78-79).
From a broader theoretical context, Rogers, in 1957, presented a “second diagnostic system,
the Necessary and Sufficient Conditions of Therapeutic Personality Change - six conditions are
postulated as necessary and sufficient conditions for the initiation of a process of constructive
personality change:
(1) Two persons are in psychological contact; (2) The first, whom we shall term the client,
is in a state of incongruence, being vulnerable or anxious; (3) The second person, whom
we shall term the therapist, is congruent or integrated in the relationship; (4) The thera-
pist experiences unconditional positive regard for the client; (5) The therapist experien-
ces an empathic understanding of the client’s internal frame of reference and endeavors
to communicate this experience to the client; (6)The communication to the client of the
therapist’s empathic understanding and unconditional positive regard is to a minimal
degree achieved” (p. 95-103).
According to this new conception, “diagnostic knowledge is not essential for psychotherapy.
However, in a footnote, Rogers (1957) states: “there is no intent here to maintain that diagnosis
evaluations are useless. We have ourselves made heavy use of such methods in our research
studies of change in personality. It is usefulness as a precondition to psychotherapy which is
questioned” (Kirschenbaum & Henderson, 1990, p. 232).
Georges Engels (1977) also showed the insufficiency of this biomedical model and proposed a
new paradigm, not really a paradigm shift but an enrichment of the old model who become, the
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022 pp. 43-49
João Hipólito, Odete Nunes, Rute Brites, Ana Jarmela
“Bio psycho social model. Later Engels’ model got some “improvements” to become as including
as Bio psycho socio anthropological and noetic. However, a deeper analysis of the model or of his
utilization shows its strong main biomedical roots.
Some authors, as Lisbeth Sommerbeck, followed Rogers on the benefits of using
psychopathology diagnosis, as a way of keep communication or understand other professionals
(2003). As already mentioned, psychiatric diagnosis is not a problem in Client-Centred Therapy
(...) However, both because of clientsquestions about their diagnosis and because of the language
of the medical model and psychiatric diagnosis which is dominant in the psychiatric hospital
environment, the client-centred therapist must be able to communicate in this language with
other staff and professionals when integrated in this professional culture. The therapist should
thus be able to decode the perspective of the medical model but also from the client-centred
perspective.
It should be noted that in the work Psychotherapy and Personality Change, Rogers mentioned
“some of their clients’ diagnosis: neurotics, borderline, normal (...)”, “more acute schizophrenic,
more chronic schizophrenics, normal and neurotics (...)” (Rogers & Dymond, 1954, pp. 41, 67).
In the book On Personal Power, Rogers also referred: There is one perspective (...) which I,
and most other humanistic psychologists, are reluctant to admit. This is the possibility that there
was a chemical factor (...) His positive responses to a correct lithium dosage occurred twice
once in his depression and once when he was maniac and forces me to consider this possibility”
(Rogers, 1977/ 1986a, p. 232).
In fact, these quotations show that we are dealing with two different paradigms:
1. An essential biomedical, needing diagnostics to prescribe a treatment, even within
psychodynamic orientated models, like the example of the “The Hamburg short psychotherapy
comparison experiment” (Kimm et al., 1981; Meyer, 1981), where it was possible to find a well-
structured study of brief psychoanalytic orientated psychotherapy using Malans focus theory
to support his therapeutic approach within a biomedical model. The study compares a sample
of patients getting this treatment on a base of a biomedical diagnostic psychoanalytically
orientated using Malans brief focus theory to support his therapeutic approach, with another
sample of patients getting time-limited therapy by Client-centered therapists, ignoring
completely the psychoanalytical biomedical criteria for this treatments choice, ignoring the
basic psychoanalytical etiological hypotheses and using another therapeutic paradigm.
2. A holistic new paradigm offering to all the adequate clients the same therapeutic approach:
Client-centered Therapy/Nondirective Therapy.
This new paradigm has, however, his own diagnostic system, which is based on the six
necessary and sufficient conditions of therapeutic personality change proposed and discussed
by Rogers: Either all the Six Conditions are present or not. If not, client-centered therapy it’s not
possible3.
3 What can we do to make those missing available?
For example, Garry Prouty (1994) worked mainly with the first condition, but the same principles can be applied
to all the remaining conditions. For Prouty (1994), “Pre-Therapy, in broad terms, is presented as the development
of the psychological functions necessary for psychotherapy: reality, affective, and communicative contact.
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Diagsticos e Abordagem Centrada na Pessoa
In fact, several professionals recognize the importance of the six conditions. However, some
of them claim that they are necessary but not sufficient; for others, they may be neither necessary
nor sufficient, thus departing from Rogers’ position.
The concept of the Person-Centered Approach appears as the philosophy behind all Carl
Rogers interventions and the “core conditions” as
growth promoting climate, whether we are speaking of the relationship between thera-
pist and client, parent and child, leader and group, teacher and student, or administrator
and staff. The conditions apply, in fact, to any situation in which the development of the
person is a goal (Rogers, 1986b, p. 9).
The core conditions” are congruence, unconditional positive regard, and empathic
understanding. Later, Rogers added a fourth condition, presence (Brodley, 2011, p.140).
Barbara Brodley (2011) has demonstrated that Carl Rogers therapeutic practice and
intervention remained quite stable and similar along all his life, no matters the evolution of his
thinking, or as we would prefer, the unfolding of his reflections. She pretends that if Rogers
position on diagnostic and psychometrics usefulness changed within his lifespan, his practice
remained constant.
Barbara Brodley studied 34 Rogersinterviews from 1940 to 1986. Although it was possible
to find
evidence of a radical shift from a theoretical to a functional nondirectivity and empathic
understanding () between (circa) 1941 and (circa) 1945; there was possible to note that
between 1944 and 1986 there is evidence of a development () towards a more personal
expression of himself in his interaction with his clients (). They are also, almost always,
consistent with Rogerstheoretical and personal views that the only goals, when working
with a client, are the goals for oneself to be real, to be acceptant and to be empathic
(2011, p.326).
In a personal communication, Brodley expressed her opinion that the stability in the Rogers
practice along those 45 years, was constant together with his theoretical evolution.
Conclusion
In the new paradigm, the diagnostic system is based on the Six Necessary and Sufficient
Conditions of Therapeutic Personality Change. According to our reflection and practice and
following Rogers’s proposal, we consider that these six necessary and sufficient conditions for
therapeutic personality change can be used as a relational diagnostic system (Hipólito et al., 2014).
This requirement points out the importance of other approaches when one of these conditions is
not present, either to promote them or to find other applicable therapeutic proposals (Brites, et
al., 2016).
Once the six conditions are present, it does not matter which psychiatric or psychological
label” or diagnosis was used, or which classification system was adopted, ICD-11 (World
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João Hipólito, Odete Nunes, Rute Brites, Ana Jarmela
Health Organization, 2022) or DSM-V (American Psychiatric Association, 2014). The indication
for psychotherapy is present and the client can improve to become more and more a fully
functioning person” (Rogers, 1963, p.17).
Despite some psychiatrists may consider psychotherapy not indicated for certain psychiatric
diagnoses, even considering the non-use of neuroleptics or the exclusive use of psychotherapy as
a bad practice, research shows that the client can find a positive evolution, either associating
psychotherapy or community therapy.
Soterias programs showed it, against medical opposition and preconceived ideas. We
developed this approach in a 2007’s paper, New Versions of Schizophrenia: psychotherapeutic
advances (Hipólito, 2007).
As Sommerbeck (2003) mentioned, the psychiatric diagnostic might be useful, not only for
research proposes, epidemical studies, or to share with other non-Client-centered clinicians, but
to help to relief suffering in clients where the six condition are not present, or until they became
present.
We can agree with Rogers (1951/ 2003) that: “…client-centered therapy has been at the end of
the continuum in stating, as its point of view, that psychological diagnosis as usually understood
is unnecessary for psychotherapy and may actually be a detriment to the therapeutic process.
(p.220).
We can also agree with him in his statement:
The therapist must lay aside his preoccupation with diagnosis and his diagnostic shrewd-
ness, must discard his tendency to make professional evaluations, must cease his endea-
vors to formulate an accurate prognosis, must give up the temptation subtly to guide the
individual, and must concentrate on one purpose only; that of providing deep unders-
tanding and acceptance of the attitudes consciously held at this moment by the client as
he explores step by step into the dangerous areas which he has been denying to cons-
ciousness. Diagnostic knowledge and skill are not necessary for good therapy (Rogers,
1946, p. 421).
In the same way we have to coexist with Systemic and Cartesian paradigms, we will have to
cope with the two paradigms in Therapy: the old Biomedical and the “New therapies “of Rogers
holistic Client Centered Therapy. In any case we should be aware of the need of being congruent
in our therapeutic approach and most of all in every circumstance being congruent with this
new way of being, the Person-Centered Approach.
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50
AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO INFANTIL NA ABORDAGEM
DOPSICODRAMA: UM ESTUDO DE CASO
CHILD ASSESSMENT AND INTERVENTION IN PSYCHODRAMA
APPROACH:ACASE STUDY
Marisa Becil Ferreira1, Ana Maria Gomes2
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XVIII • ISSUE FASCÍCULO 2
1ST JULY JULHO  31ST DECEMBER DEZEMBRO 2022 PP. 5065
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XVIII.2.4
Submited on 06.12.21 Submetido a 06.12.21
Acceptted on 15.03.22 Aceite a 15.03.22
Resumo
O objetivo geral do presente artigo é apresentar um estudo de caso de uma criança a partir
da abordagem do Psicodrama. O objetivo específico deste trabalho é detalhar a avaliação psi-
cológica a que foi submetida a criaa e o início da intervenção psicoterapêutica. A criaa em
análise tem sete anos de idade e uma família nuclear constituída por pai e mãe. A avaliação psi-
cológica envolve uma parte qualitativa, com uma entrevista feita em separado com os pais e três
encontros apenas com a criança, com a aplicação de testes projetivos e da técnica psicodramática
átomo social, para verificar a microscopia familiar da criança nas suas relações nucleares, e uma
parte quantitativa com a aplicação do Teste Matrizes Progressivas Coloridas de Raven Escala
Especial para crianças. Os dados também foram obtidos a partir da entrevista com a equipa psi-
copedagica da escola e também a partir da aplicação do instrumento Multimodal Treatment
Assessment Study - MTA-SNAP-IV aos pais da criança. As hipóteses diagnósticas elaboradas no
final da entrevista com os pais pautaram a escolha dos instrumentos psicométricos, e a aná-
lise dos resultados obtidos permitiu a elaboração das inferências diagnósticas que orientaram
os objetivos da intervenção no sentido de minorar o quadro de ansiedade e de comportamentos
de autoagressão e de heteroagressividade, bem como a aquisição de habilidades pró-sociais para
lidar de forma positiva nos seus ambientes sociais. A intervenção psicodramática foi feita com
dramatizações de cenas regressivas e do dia a dia da criança com a utilização de fantoches.
Palavras-chave: Psicodrama, criança, avaliação psicológica, intervenção psicoterapêutica
1 ABP-Associação Brasiliense de Psicodrama e Sociodrama. E-mail: marisa.becil@gmail.com
2 CIP-Centro de Investigação em Psicologia da Universidade Autónoma de Lisboa. E-mail: ana.m28.gomes@gmail.com, amgo-
mes@autonoma.pt
Corresponding author
Marisa Becil Ferreira. E-mail: marisa.becil@gmail.com
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022 pp. 50-65
Marisa Becil Ferreira, Ana Maria Gomes
Abstract
The general goal of this article is to present a child case study from the Psychodrama
approach. The specific goal of this work is to detail the psychological evaluation to which the
child was submitted and the beginning of the psychotherapeutic intervention. The child under
analysis is seven years old and has a nuclear family consisting of father and mother. The psycho-
logical assessment involves a qualitative part, with a separate interview with the parents and
three meetings only with the child, with the application of projective tests and the psychodra-
matic technique social atom, to verify the child’s family microscopy in its nuclear relationships,
and a quantitative part with the application of the Ravens Colored Progressive Matrices Test
Special Scale for children. The data were also obtained from the interview with the psycho-
-pedagogical school team and also from the application of the instrument Multimodal Treatment
Assessment Study - MTA-SNAP-IV to the parents. The diagnostic hypotheses elaborated at the
end of the interview with the parents guided the choice of psychometric instruments, and the
analysis of the results obtained allowed the elaboration of diagnostic inferences that guided the
interventions objectives in the sense of alleviating anxiety and self-harm behaviors and of hete-
roaggressiveness, as well as the acquisition of prosocial skills to deal positively in their social
environments. The psychodramatic intervention was carried out with dramatizations of regres-
sive scenes and the childs daily life with the use of puppets.
Keywords: Psychodrama, child, psychological assessment, psychotherapeutic intervention
Avaliação e intervenção infantil na abordagem do Psicodrama:
umestudodecaso
O presente artigo refere-se a um estudo de caso de uma criança de sete anos de idade com
o objetivo de proceder à sua avaliação psicológica, levantar hipóteses diagnósticas, estabelecer
diretrizes para o seu tratamento psicoterapêutico e descrever o início da intervenção a partir da
abordagem do Psicodrama.
A criança foi encaminhada pelo seu pedopsiquiatra com o objetivo de uma intervenção psi-
coterapêutica em virtude dos seguintes diagsticos elencados no laudo médico: Perturbação de
Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), do tipo misto/combinado com sintomas de desaten-
ção e sintomas de hiperatividade e impulsividade, Perturbação de Oposição e Desafio POD e
Perturbação de Ansiedade Generalizada. Os pais da criaa solicitaram inicialmente uma ava-
lião psicológica em decorrência dos comportamentos de seu filho de autoagressão e heteroa-
gressividade e de dificuldades nas interrelações com seus pares e figuras de autoridade e que
gostariam de outra intervenção psicoterapêutica diferente da que o seu filho estava experen-
ciando em virtude da manutenção desses comportamentos desadaptativos. A avaliação psicoló-
gica iniciou-se com uma entrevista clínica estruturada com os pais, a fim de colher dados signi-
ficativos referentes ao desenvolvimento da criança nas áreas física, cognitiva e psicossocial, ao
seu histórico de doenças e possíveis sintomas psicopatológicos, também acontecimentos trau-
ticos e, por fim, quais os comportamentos desadaptativos apresentados pela criança nos diversos
meios sociais, como família e escola, para fazermos a anamnese. Neste primeiro contato, os pais
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Avaliação e interveão infantil na abordagem dopsicodrama: um estudo de caso
relataram que a criaa desde os 2 anos e meio de idade fazia acompanhamento psicoterapêu-
tico, desde os 3 anos de idade fazia terapia da fala, desde os 4 anos fazia acompanhamento com
psicopedagogo e desde os 6 anos de idade tinha acompanhamento pedopsiquiátrico. Em seguida,
foram realizadas três sessões de avaliação psicológica com a criança e, para facilitar o estabe-
lecimento dessa relação e adesão ao processo avaliativo, foram feitas dramatizações com fanto-
ches e brincadeiras com jogos indicados à faixa etária da criança. Em continuidade da avalia-
ção psicológica, usamos a técnica psicodramática denominada de átomo familiar/social (Filipini,
2014), houve a aplicação de testes projetivos como HTP e desenho livre (Campos, 2014) e do Teste
quantitativo Matrizes Progressivas Coloridas de Raven – Escala Especial para crianças (Angelini
et al., 1987). Além disso, dados significativos para hipóteses diagnósticas foram obtidos a partir
da aplicação aos pais do instrumento Multimodal Treatment Assessment Study – MTA-SNAP-IV
(Mattos et al., 2006) e entrevista com a equipa psicopedagica da escola do cliente.
Após a avalião psicológica, a necessidade de intervenção psicoterapêutica confirmou-se
de acordo com solicitado pelo pedopsiquiatra e, na sessão devolutiva/orientação aos pais, apre-
sentamos o laudo psicológico da criança e indicamos o Psicodrama como a escolha para o pro-
cesso psicoterapêutico, visto que os métodos psicodramáticos ultrapassam as verbalizações e
proporcionam a revivência dos conflitos apresentados pelo cliente através da ação, o que pro-
porciona condições de sociabilização às crianças por meio da dramatização com fantoches e do
desempenho espontâneo de seus papéis (Gonçalves, 1988; Lepsch, 2015).
O Psicodrama como intervenção psicoterapêutica para o público infantil foi descrito em
1922 por Moreno, por meio do protocolo do atendimento de Karl, uma criaa de 5 anos que
tinha acessos de raiva contra sua mãe (Petrilli, 2002). Moreno intitulou o seu trabalho como “O
Tratamento Psicodramático do Comportamento Neurótico Infantil - O todo do psicodrama
simbólico, pois o princípio do tratamento era o de representar a situação traumática central em
numerosos ensaios e versões para reduzir a um mínimo a tensão angustiada da criança (Filipini,
2014; Petrilli, 2002).
Moreno (1993) acreditava na possibilidade do adestramento da espontaneidade, particular-
mente, em criaas, e o seu objetivo era usar o adestramento da espontaneidade em auxílio ao
cerceamento da criatividade, retomando a possibilidade do ato criador. Como refere Moreno
(1993, p. 191), a educação deve ser pela ação e para a ação e a Teoria e Método da Espontaneidade
é uma resposta a essa exigência.
Destacamos a Teoria dos Papéis de Moreno (1993) como um dos pilares da ptica clínica com
criaas. Os papéis podem ser psicossomáticos, ligados às funções fisiológicas de comer, respi-
rar, dormir, evacuar, urinar, etc., psicológicos, referente à fantasia (super-heróis, etc.), e sociais
(filho-mãe, etc.), referente à realidade (Fonseca, 2008).
A criança treina entre o ir e vir da realidade e fantasia, e a alternância do desempenhar des-
ses papéis sociais e psicológicos permite que ela discrimine o real do imaginário (Fonseca, 2008).
Os papéis vão formar e desenvolver a personalidade e o tempo de formão dessa personali-
dade será mais prolongado quanto maior for a quantidade e diversidade dos papéis oferecidos à
criança (Pio-Abreu, 2006).
Outra valiosa contribuão de Moreno como referencial teórico para o atendimento infantil
foi a Teoria da Matriz de Identidade, considerada como uma teoria de desenvolvimento psicoafe-
tivo da criança (Ferreira, 2020; Pio-Abreu, 2006).
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Marisa Becil Ferreira, Ana Maria Gomes
A relação do bebé com as pessoas ao seu redor lança os alicerces do primeiro processo de
aprendizagem emocional da criança até perceber-se como outra pessoa. A criança passa por
fases de desenvolvimento, iniciando pela completa e espontânea identidade com o outro (pri-
meira fase), depois concentrando a sua atenção na outra e estranha parte dela (segunda fase),
logo após separando a outra parte da continuidade da experiência e deixando de fora todas as
outras partes, incluindo ela própria (terceira fase), depois situando-se ativamente na outra parte
e representando o papel dela (quarta fase) e, por fim, a criança representa o papel da outra parte,
a respeito de uma outra pessoa, a qual, por sua vez, representa o seu papel (quinta parte) (Moreno,
1993).
O modo como a criança está no mundo nas fases iniciais da sua vida e as condições em que
são estabelecidas as ligações com os outros (mãe, pai, irmãos, cuidadores, etc.) ficarão inscritos
na sua personalidade, pois esses fatores ambientais psicológicos e sociais, em conjunto com os
hereditários, constroem a estrutura básica da pessoa no mundo (Fonseca, 2008).
Diversos estudos demonstram que o Psicodrama é efetivo como intervenção psicoterapêu-
tica infantil. Destacamos alguns estudos com temática semelhante ao presente como o estudo de
Guldner (1991) com crianças entre 7 e 10 anos de idade, com algum tipo de dificuldade de apren-
dizagem, que participaram de grupos semanais com o objetivo de melhorar as interações sociais
das crianças e capacitá-las a lidar com seus sentimentos sobre as realidades sociais relacionadas
às suas dificuldades de aprendizagem. Os psicoterapeutas usaram métodos de ação (psicodrama,
sociodrama, dramatização, escultura) para construir maior competência social, usando sua inte-
ração social dentro do grupo como parte da aprendizagem e dinâmica do grupo. Os resultados
demonstraram que os níveis de frustração das criaas diminuíram significativamente e que elas
estavam muito mais à vontade em vários contextos sociais, com aumento da autoestima delas.
Rebouças (2008) relata seu trabalho com os objetos intermediários e intra-intermediários
na psicoterapia psicodramática infantil com resultados positivos na comunicão entre cliente
e psicoterapeuta. Guimarães (2020) explora os objetos intermediários na psicoterapia infantil,
com destaque aos fantoches, que são bastante úteis principalmente em casos de dificuldades de
expressão verbal.
Kopatz e Mingers (2020) avaliaram a eficácia de grupos de psicodrama para crianças no
desenvolvimento de habilidades emocionais, e os resultados apresentados neste estudo quan-
titativo mostraram uma melhora significativa nas competências emocionais das criaas que
participaram dos grupos de psicodrama em comparação das criaas que fizeram parte de dois
grupos de controle e de um grupo com um método psicoterapêutico diferente.
Mojahed et al. (2021) apresentaram um estudo com 48 crianças, entre 8 e 12 anos de idade,
em dois hospitais no Irão, com o objetivo de determinar os efeitos da terapia de grupo baseada
em psicodrama na redução dos sintomas de agressividade, ansiedade social e PHDA, e os resul-
tados demonstraram que o psicodrama é eficaz na redução de agressividade, ansiedade social e
sintomas de PHDA em crianças.
Durante a intervenção, também usamos a técnica da integração sensorial com o objetivo de
auxiliar o cliente no planejamento de habilidades motoras e direcionamento de etapas do movi-
mento, como forma de tratamento da agitação psicomotora e de direcionamento de foco (Effgem,
2017). O processamento sensorial ser entendido como uma fuão neurofisiológica responsável
por registrar, organizar e interpretar as informações sensoriais que são captadas pelos siste-
mas sensoriais, de acordo com a teoria de Integração Sensorial (IS), desenvolvida pela terapeuta
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Avaliação e interveão infantil na abordagem dopsicodrama: um estudo de caso
ocupacional Jean Ayres, que aborda a relação entre processamento sensorial, comportamento,
aprendizagem e desenvolvimento (Cardoso & Blanco, 2019).
Método
Participantes
O cliente é uma criança do sexo masculino com a idade de 7 anos 2 meses, filho único adotivo
desde os 2 anos de idade de uma família nuclear composta por pai e mãe. O cliente frequenta o
segundo ano do 1º ciclo numa escola particular. Não há dados sobre o seu pai biológico, sua mãe
biológica era toxicodependente (consumo de alcool e drogas) e doente mental (esquizofrênica). O
cliente tinha irmãos mais velhos, mas não relatos sobre eles. Esteve em abrigo para crianças
desde os 8 meses de idade por determinão do Conselho Tutelar até a adoção. O pedopsiquiatra
diagnosticou o cliente com PHDA, do tipo misto/combinado com sintomas de desatenção e sinto-
mas de hiperatividade e impulsividade, Perturbação de Oposição e Desafio – POD e Perturbação
de Ansiedade Generalizada e prescreveu para a criança respectivamente ritalina (quando com-
pletou 7 anos de idade), risperidona e sertralina (com 6 anos de idade). O pai adotivo tem 59 anos,
possui nível académico superior e está aposentado. A mãe adotiva tem 43 anos, possui também
nível académico superior e é professora.
Procedimentos e medidas
Protocolo de Avaliação Psicológica
Após um contacto inicial por telefone, foi marcada no consultório da psicoterapeuta uma ses-
são apenas com os pais. A psicoterapeuta apresentou-se aos pais e colocou-se à disposição deles
para ouvir a história do cliente e os motivos que motivaram a sessão por meio da entrevista psico-
gica, com duração de 60 minutos. Em seguida, foi explicado que seria realizada uma avaliação
psicológica a qual demoraria em média três sessões, em que a criança seria atendida sozinha e
seria submetida a testes projetivos, a testes quantitativos, à técnica psicodramática denominada
átomo familiar/social e, para facilitar o estabelecimento dessa relação e adesão ao processo ava-
liativo, seriam feitas dramatizações com fantoches e brincadeiras com jogos indicados à faixa
etária da criança. Também foi explicado que após a avaliação psicológica da criança seria feita
uma sessão de devolução de resultados e de orientação aos pais, a fim de relatar o resultado da
avaliação psicológica e oferecer o delineamento do projeto de intervenção. Foi solicitado o preen-
chimento do instrumento psicométrico Multimodal Treatment Assessment Study - MAT-SNAP-IV
(Mattos et al., 2006) por parte dos pais da criança e o contacto com a escola da criança para mar-
cação de uma reunião com a equipa psicopedagógica. Por fim, na primeira sessão com os pais, foi
estabelecido o contrato quanto aos honorários do psicoterapeuta e a frequência das seses de
avaliação (uma sessão por semana).
Na primeira sessão com a criaa, a psicoterapeuta disse quem era e o que fazia, apresentou-
-lhe o local de trabalho, com os brinquedos, móveis e tudo mais do ambiente, com o intuito de que
ela se sentisse à vontade e bem acolhido. Os brinquedos e materiais gráficos ficaram à disposição
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Marisa Becil Ferreira, Ana Maria Gomes
para serem usados pela criança espontaneamente. Em seguida, ele quis brincar com os fantoches
(objetos intermedrios da relação) (Filipini, 2014). A psicoterapeuta solicitou-lhe que construísse
a sua casa com os objetos da sala e que escolhesse os fantoches para representar a família dele
em busca de seu átomo familiar, que é uma técnica de auto-apresentação (Filipini, 2014). O cliente
escolheu almofadas para representar cada divisão da sua casa (quarto dele, quarto dos pais, sala)
e escolheu, dentre os diversos fantoches de dedo, expostos em uma caixa com roupas diferentes,
correspondendo a várias etnias, tamanhos e idades, alguns para representar os familiares mais
significativos para ele (mãe, pai, bebé, vovô e vovó). Dispôs ele no quarto dele como o fantoche
bebé, o pai e a mãe no quarto do casal e os avós na sala, mas não conseguiu, em seguida, colo-
car-se no lugar de cada personagem com inversão de papéis (Pio-Abreu, 2006). A temática tra-
balhada pela criança foi a familiar: os cuidados com o bebé por parte dos pais e a morte da a,
que foi para o “céu. Em seguida, a psicoterapeuta perguntou se ele gostava de desenhar e, com a
resposta afirmativa, aplicou a bateria acromática do Teste do desenho organizado por John Buck,
denominado HTP (House, Tree, Person), constituída pela sequência de um desenho de uma casa,
uma árvore e uma pessoa em cada folha entregue à criaa na posão horizontal, vertical e ver-
tical respectivamente (Campos, 2014).
Na segunda sessão, o cliente quis brincar de massa de modelar, com o que a psicoterapeuta
concordou para deixá-lo à vontade na sua livre escolha, e fez várias esculturas de bonecos
da série de desenho animado Pokemón. Enquanto brincava, conversou com a psicoterapeuta,
dizendo o nome da Professora dele e que gostava de brincar com o amigo X. Em seguida, pediu
para desenhar, o que propiciou a aplicação de mais de um teste projetivo – o desenho livre (cro-
mático) (Gonçalves, 1988). Foi desenhado um menino, e a psicoterapeuta procedeu a um inquérito
semelhante ao de John Buck. Em seguida, a psicoterapeuta aplicou o Teste Matrizes Progressivas
Coloridas de Raven Escala Especial para crianças, validado no Brasil (Angelini et al., 1987).
Mais uma vez, a criança pediu para brincar com os fantoches, e a temática foi de novo a família.
A história criada por ele envolvia um bebé em perigo, que era ajudado pela sua mãe. Havia uma
bruxa que lutava com a mãe, que morria, mas depois a bruxa transformava-se numa fada e fazia
a mãe dele viver de novo. O bebé crescia e os seus pais morriam e iam para o “céu. O rapaz e a
namorada dirigiram até a casa dos pais, que viveram de novo.
Na terceira sessão, o cliente chegou e pediu para desenhar. Depois de fazer o desenho livre
de um menino (Campos, 2014), a psicoterapeuta mostrou vários livros infantis para que ele esco-
lhesse um para lerem juntos. O cliente demonstrou interesse pelos livros, manuseando-os e em
seguida escolheu o livro “Clifford vai viajar” de Norman Bridwell, que conta a história de um
cachorro gigante e suas aventuras. Ele leu algumas partes sozinho e outras a psicoterapeuta. No
fim da sessão, a psicoterapeuta jogou com a criança um jogo de letras formando palavras” com
indicação para crianças maiores de 5 anos. O cliente brincou e formou várias palavras.
Paralelamente às três sessões de avaliação com a criança, houve uma reunião na escola com
a diretora, a pedagoga, a psicóloga e a professora da criança com duração de uma hora a fim
de obter dados mais específicos, tais como competências interpessoais com pares e rendimento
académico.
Na sessão de devolução dos resultados da avaliação psicológica e de orientação, a psicotera-
peuta retornou aos pais como percebia o funcionamento da criança em relação aos papéis que
ela desempenhava e a sua inserção no átomo familiar/social, quais as tensões e conflitos que
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Avaliação e interveão infantil na abordagem dopsicodrama: um estudo de caso
estavam presentes e de que recursos dispunha para lidar com as necessidades apresentadas em
consonância com as queixas dos pais.
Destacamos entre os recursos e as medidas usadas na avaliação a entrevista psicológica, que
consiste em um processo de investigação que ocorre num tempo delimitado dirigido pelo psicó-
logo com o objetivo de descrever e avaliar sintomas, a história do indivíduo, as dificuldades que
enfrenta, suas perdas e seus prejuízos, as condições em que vive, sem perder de vista os critérios
diagnósticos das diferentes psicopatologias (Tavares, 2000).
O instrumento Multimodal Treatment Assessment Study MAT-SNAP-IV foi desenvolvido
para avaliação de sintomas da PHDA e da POD em crianças e adolescentes de modo corres-
pondente à versão original (Mattos et al., 2006). Pode ser preenchido por pais ou professores e
emprega os sintomas listados no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais
(DSM-5) para PHDA e da POD (Mattos et al., 2006). São 26 itens divididos em três subescalas: as
questões de 1 a 9 correspondem à desatenção; as questões de 10 a 18 para hiperatividade/impul-
sividade; e as questões de 19 a 26 para características opositoras/desafiadoras. Cada resposta
adotou a seguinte pontuação: 0 para nada, 1 para “só um pouco, 2 para bastantee 3 para
muito. A classificação média para cada subconjunto pode ser calculada totalizando as pon-
tuações dos itens no subconjunto, a seguir: quanto às questões de 1 a 9, escores menores de 13
são sintomas clínicos não significativos, de 13 a 17 são sintomas suaves, de 18 a 22 são sintomas
moderados e de 23 a 27 são sintomas severos; quanto às questões de 10 a 18, escores menores de
13 são sintomas clínicos não significativos, de 13 a 17 são sintomas suaves, de 18 a 22 são sin-
tomas moderados e de 23 a 27 são sintomas severos; e quanto às questões de 19 a 26, os escores
menores de 8 são sintomas clínicos não significativos, de 8 a 13 são sintomas suaves, de 14 a 18
são sintomas moderados e de 19 a 24 são sintomas severos (Oliveira et al., 2021).
O instrumento psicométrico Teste Matrizes Progressivas Coloridas de Raven Escala Espe-
cial para crianças tem 36 itens, divididos em três séries de 12 itens cada (A, Ab, B), com dificul-
dade crescente dentro de cada série e entre as séries, sendo que esses itens representam figuras
nas quais falta uma parte que deve ser completada, utilizando um dos seis encaixes apresentados
como alternativas de solução (Pasquali et al., 2002). O problema envolvido nas várias figuras pode
associar-se à percepção da diferença, similaridade, identidade, mudança, simetria, orientação e
complemento da gestalt (Pasquali et al., 2002). No Brasil, o Teste Matrizes Progressivas Coloridas
foi validado por Angelini et al. (1987), com uma amostra representativa de 1417 crianças de cinco
a 11,5 anos da cidade de São Paulo, divididas em 14 faixas etárias de seis meses, apresentando
normas percentílicas por idade, a saber: Grau I ou intelectualmente superior”, se o escore está
no percentil 95 ou acima dele para pessoas do seu grupo de idade; II ou definidamente acima
da média na capacidade intelectual, se o escore está no percentil 75 ou acima dele, II +, se o
escore está no percentil 90 ou acima dele; III ou “intelectualmente médio, se o escore está entre
o percentil 25 e 75, III +, se o escore é maior do que a mediana ou percentil 50, III -, se o escore é
menor do que a mediana; IV ou definidamente abaixo da média na capacidade intelectual, se o
escore está no percentil 25 ou abaixo dele, IV -, se o escore está no percentil 10 ou abaixo dele; e
V ou “intelectualmente deficiente, se o escore está no percentil 5 ou abaixo dele para seu grupo
de idade.
O teste projetivo HTP (House, Tree, Person) foi organizado por John Buck (Campos, 2014) e
consiste em uma bateria acromática e outra cromática de desenhos sequenciais, mas feitos em
folhas distintas entregues nas posições horizontal, vertical e vertical respectivamente de uma
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casa, de uma árvore e de uma pessoa. Depois do término dos desenhos, o examinador procede
ao inquérito relativo a cada um dos desenhos, que são questionários de associações para serem
respondidos pelo cliente de cada desenho. O desenho livre também é uma técnica projetiva em
que se solicita ao cliente que ele desenhe o que quiser, de forma cromática ou não, em que se deve
estar atento às reações dele às instruções, como indícios de ansiedade, resistência, desconfiança,
ou, ao contrário, de cooperação ou de aceitação da tarefa. Durante o desenho, devemos anotar o
tempo de reação e os comportamentos verbais e não verbais do cliente (Cunha, 2000). Quanto aos
testes projetivos desenho livre e HTP (House, Tree, Person), as indicações a respeito da dinâmica
da personalidade projetada nos desenhos foram descobertas a partir de informações do cliente,
associação livre, interpretação dos símbolos pela análise funcional e comparação de um desenho
com outro desenho de uma série, sendo essas informações reunidas pelo emprego do método da
consistência interna (Campos, 2014). A avaliação dos desenhos é feita baseada no conteúdo e nas
características do desenho, como tamanho, localização, pressão do traço e a presença ou ausên-
cia de determinadas partes e também as respostas do cliente durante o inquérito (Campos, 2014).
A técnica do átomo familiar/social é usada na avaliação psicogica com o objetivo de per-
ceber quais as pessoas que fazem parte dele, como a criança se relaciona com cada uma e quais
tensões e conflitos estão presentes nesse sistema (Moreno, 2008; Filipini, 2014).
Protocolo de Intervenção Psicoterapêutica
Quanto aos procedimentos, na primeira sessão de intervenção, a psicoterapeuta solicitou um
desenho livre cromático ao cliente (ele desenhou um personagem do desenho animado Poke-
món), como aquecimento e, após a confeção do desenho, dramatizou com fantoches novamente
a temática familiar, em que havia o bebé, o pai e a mãe. Ao perguntar o nome do bebé, a criança
respondeu o seu próprio nome. A história criada pelo cliente foi que o bebé crescia e virava um
super-herói, que voava e soltava raios. Ele ajudava a pegar um gato que estava em cima de um
trator. Ele voltava a ser criança e, na escola, tinha aula de matemática. A psicoterapeuta, no papel
da professora, perguntou à mãe da criança como ele estava na sala de aula, e o cliente, no papel
da mãe da criança, disse que estava bem. Dentro da história, depois da escola, a criança foi para
a casa de uma amiga e brincaram de se transformar em super-heróis com o poder de voar. Os pais
buscavam a criança na casa da amiga dele e iam para casa. Ao chegar lá, a criança voltava a ser
bebé, chorava e era cuidado pelos pais. A psicoterapeuta fez o papel do bebé, chorando muito, e
o cliente fez o papel dos pais e ajudou o bebé, que cresceu de novo e virou um super-herói. Termi-
nada a dramatização, foi encerrada a sessão.
Na segunda sessão, a psicoterapeuta usou a técnica de integração sensorial para trabalhar o
foco, a atenção e a concentração da criança a partir dos cinco sentidos. A psicoterapeuta explicou
ao cliente que fariam uma brincadeira em que ele teria de colocar uma máscara para não ver, pois
teria de descobrir o que iria comer, tocar, ouvir e perceber sem a visão. A psicoterapeuta iniciou a
técnica com a estimulação do paladar ao dar ao cliente, que estava sentado em uma cadeira, um
alimento. Ela pediu para ele morder a comida devagar, perceber a consistência, se era salgada
ou doce. Ele disse que era dura e salgada. Depois pediu para o cliente deixar dissolver a comida
na boca e perceber se era mais salgada ou menos salgada do que antes. Ele disse que era menos
salgada e, ao ser questionado sobre o que era, ele disse que era um salgadinho. A psicoterapeuta
tirou a venda dele e deu os parabéns para o cliente por ele ter acertado que era um “salgadinho,
especificamente batata chips, mostrando o saco para ele. Em seguida, a psicoterapeuta colocou
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a venda de novo e colocou na mão do cliente outro alimento. Ele apertou a comida devagar e a
cheirou, dizendo que tinha cheiro de chocolate. Ao morder, disse que era doce, mole e que tinha
gosto de chocolate. A psicoterapeuta pediu para o cliente deixar desmanchar na boca e sentir se
era o mesmo gosto, e ele disse que sim. Em seguida, a psicoterapeuta tirou a venda dele e mostrou
o chocolate. O cliente lavou a mão para continuar com a integração sensorial. A psicoterapeuta
reforçou novamente batendo palmas por ele ter acertado os dois alimentos. Em seguida, o cliente
quis deitar-se no so, e a psicoterapeuta mostrou como era o som da voz dela em lugares diferen-
tes da sala nomeando cada um deles para estimular a audição dele. Explicou ao cliente que ele
teria de adivinhar com a venda nos olhos, de que lugar na sala ela estaria falando. A psicotera-
peuta começou a falar em diferentes lugares da sala, perguntando onde estava. O cliente respon-
deu corretamente a maioria das vezes e, quando ele errava, a psicoterapeuta o orientava pergun-
tando se ele ouvia a voz perto dele ou longe. Às vezes, o cliente queria olhar, mas a psicoterapeuta
dizia que ele tinha de ser honesto e colocar a máscara. A psicoterapeuta ao terminar a segunda
parte do exercício, deu parabéns ao cliente e relatou que ele estava aprendendo a ter atenção no
que ele estava comendo e ouvindo. Na continuação, a psicoterapeuta pediu para o cliente tirar
a máscara e levantar-se. Com a venda, ela pediu para ele tocar com a ponta do dedo partes do
corpo dele (orelha esquerda, orelha direita, nariz, barriga, etc.) para que o cliente se autoperce-
besse. Sempre reforçando o cliente com palavras de incentivo e palmas, a psicoterapeuta repetiu
que ele tinha prestado atenção no que ele tinha comido e ouvido e tinha percebido corretamente
as partes do corpo dele. O cliente pediu para comer mais um chocolate, e a psicoterapeuta deu
um chocolate para ele. Depois, com a venda, o cliente teve de descrever os objetos que tocava, se
era liso ou não, pequeno ou não, leve ou não, mole ou não (brinquedos na sala), conseguindo per-
ceber pelo tato essas características. Ao terminar, o cliente tirou a venda e viu todos os objetos.
A psicoterapeuta reforçou verbalmente que ele tinha acertado. No final, a psicoterapeuta jogou
com o cliente um jogo de meria com figuras de frutas com o objetivo de treinar a atenção e o
foco dele. A psicoterapeuta explicou as regras do jogo e os dois jogaram três vezes, sendo que o
cliente ganhou duas vezes.
Na terceira sessão, o cliente escolheu brincar com o jogo de formar palavras e, em seguida, a
psicoterapeuta convidou-o a dramatizar o seu dia a dia na sala de aula. Pediu para ele montar a
sua sala e trazer para a cena os colegas que se sentam perto dele. A criança rapidamente trouxe
dois colegas que foram representados por almofadas. A psicoterapeuta pediu que ele fosse cada
um de seus colegas e fez perguntas ao cliente em cada papel perguntando sobre o pprio cliente.
A psicoterapeuta fez o papel da professora, mas o cliente disse que ela não estava fazendo como
a professora dele e, a partir daí, o cliente entrou no papel da professora, a convite de sua psico-
terapeuta, e agiu e falou como a professora. Nesse momento, a psicoterapeuta ficou no lugar do
cliente e disse que não ia fazer o dever e que não queria ficar na sala. O cliente, no papel da pro-
fessora, disse que o aluno teria de fazer a atividade na hora do intervalo. Em seguida, a criança
voltou para o seu papel, e a psicoterapeuta pontuou em ato que ele deveria fazer as atividades
junto com os colegas na hora em que a professora determinasse se não quisesse ficar na sala
durante o intervalo, ao que ele concordou. Foi finalizada a dramatização.
Quanto às medidas, faz-se importante relatar que a prática psicodramática assenta-se sobre
o tripé: contextos (social, grupal e dramático), instrumentos (cenário, diretor, protagonista, ego-
-auxiliar e plateia) e etapas da sessão (aquecimento, dramatização e compartilhar) (Pio-Abreu,
2006). O contexto social, na psicoterapia infantil, inclui a criança, sua família, sua rede mais
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Avaliação e interveão infantil na abordagem dopsicodrama: um estudo de caso
ampla de relações, sua cultura, religião e nível socioeconômico, sua história, seu encaminha-
mento e o motivo que resultou na vinda ao trabalho psicoterapêutico(Filipini, 2014, p. 53). Na
psicoterapia psicodramática individual infantil, o grupo é constituído pelo cliente e pelo psico-
terapeuta. O contexto dramático é o momento da dramatização propriamente dito, é o “como
se”, durante o processo psicoterapêutico, e há o movimento do contexto grupal para o dramático
e vice-versa, pois a criança interrompe, às vezes, uma cena e retorna ao contexto grupal (Fili-
pini, 2014). No atendimento individual, não há o instrumento denominado plateia. Na sessão
psicodramática com criaas, o compartilhar pode acontecer no próprio desenrolar da cena
durante a dramatização ou, se a criança for mais velha, pode ocorrer após a dramatização (Fili-
pini, 2014).
Durante a sessão psicodramática, em especial durante a dramatização, o psicoterapeuta faz
uso de técnicas de ação com o objetivo de favorecer o cliente a atingir um clímax esclarecedor e
terapêutico (Pio-Abreu, 2006). As cnicas cssicas do Psicodrama são: soliquio, que consiste
em pedir ao cliente que “pense alto, como se fosse possível haver um alto-falante em sua cabeça;
duplo, que tem por objetivo entrar em contato com a emoção não verbalizada do cliente a fim de
ajudá-lo a expressá-la; espelho, que consiste em o terapeuta se colocar na postura física que o
cliente assume em determinado momento com o objetivo de que o cliente, olhando para si de fora
da cena, perceba com todos os aspectos presentes nela; e inversão de papéis, que propicia além
da vivência do papel do outro, o emergir de dados sobre o próprio papel que, sem este distancia-
mento, não seria possível (Cukier, 2018).
Resultados
Os resultados da avaliação psicológica foram baseados nos dados obtidos na entrevista clí-
nica com os pais e na aplicão do instrumento psicométrico Multimodal Treatment Assessment
Study - MAT-SNAP-IV (Mattos et al., 2006) aos pais, na reunião com a equipa psicopedagógica
da escola, nas sessões psicodramáticas com a criança, em que o cliente dramatizou o seu átomo
familiar/social com fantoches e foi submetido aos testes projetivos (desenho livre e HTP) (Cam-
pos, 2014) e o instrumento psicométrico (Matrizes Progressivas Coloridas de Raven Escala Espe-
cial) (Angelini et al., 1987).
Na entrevista com os pais, foi relatado que o cliente apresenta em casa um comportamento
desafiador não obedecendo os pais quando esses pedem para ele fazer as tarefas da escola, como
tomar banho, parar de mexer no telemóvel e, durante a confecção dos deveres de casa, o cliente
fica disperso e irritado, reclama muito e não consegue ficar sentado. Os pais relataram também
que o cliente apresenta excessiva labilidade de humor, sono agitado, comportamentos ansiosos
como gaguejar, roer unhas e comportamentos autoagressivos (de se morder), de heteroagressivi-
dade (de bater a outras criaas e à sua mãe). Os responsáveis também destacaram que a criaa
é carinhosa, criativa e que, em casa, às vezes, arruma a sua cama e organiza os seus brinquedos.
De acordo com os pais, as medicações prescritas pelo pedopsiquiatra especificamente para a
PHDA, do tipo misto/combinado com sintomas de desatenção e sintomas de hiperatividade e
impulsividade (10mg de ritalina pela manhã), POD (0,75mg de risperidona pela manhã e à noite)
e Perturbação de Ansiedade Generalizada (0,75mg de sertralina pela manhã) melhoraram os sin-
tomas característicos de cada perturbação, mas não houve a remissão deles.
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Quanto ao instrumento psicométrico Multimodal Treatment Assessment Study - MAT-SNAP-
-IV (Mattos et al., 2006) respondido pelos pais, na subescala de desatenção, o cliente obteve 18
pontos, o que demonstra sintomas moderados; na subescala de hiperatividade/impulsividade,
o cliente obteve 15 pontos, o que demonstra sintomas suaves; e na subescala de características
opositoras/desafiadoras, o cliente obteve 7 pontos, o que corresponde a sintomas clínicos não
significativos.
Os dados obtidos na reunião com a equipa da escola (diretora, orientadora psicopedagógica,
psicóloga e professora) relataram que a criança fugia da sala de aula e gritava com os colegas e
com a professora no início do ano escola. Em virtude disso, o aluno foi para outra turma em que
a professora tem experiência com o público infantil com comportamentos disruptivos e na qual
um auxiliar especializado treinado na mesma temática para acompanhá-lo, o que melhorou o
seu desempenho académico em sala de aula. Porém ainda tem dificuldades de concentração nas
atividades escolares e de relacionamento com as outras criaas, apresentando agressividade
verbal e física para com os seus pares.
Com relação ao Teste Matrizes Progressivas Coloridas de Raven – Escala Especial para crian-
ças, o cliente respondeu as questões em 8 minutos e obteve o escore de 24 pontos no total, sendo
10 pontos na série A, 8 pontos na série AB e 6 pontos na série B, com discrepância de 0 ponto em
cada subescala, o que equivale ao percentil entre 75 e 90 pontos, com o enquadre na classificação
II (definidamente acima da média na capacidade intelectual).
Quanto ao teste projetivo HTP (House, Tree, Person), de acordo com o protocolo de John Buck,
cada folha de papel em branco foi apresentada pela psicoterapeuta ao cliente respectivamente
com o seu eixo maior horizontalmente para a casa e com o seu eixo maior em posição verti-
cal para a árvore e a pessoa, mas o cliente inverteu a segunda folha, referente à árvore, para a
posição horizontal, demonstrando relutância em seguir regras. Foi lhe entregue um lápis preto e
uma borracha para a bateria acromática. Os traços no desenho da casa e da pessoa foram fortes
e com muita pressão, indicação de sujeito extremamente tenso. O tamanho do desenho da casa
foi extremamente pequeno, o que traz a possibilidade de desajuste ao meio e problemas emo-
cionais entre o sujeito e as figuras parentais. Destacamos que a porta é pequena em relação à
casa, o que tende a refletir retraimento no intercâmbio pessoal. A árvore desenhada apresentou
vários frutos, o que é visto como gosto pelo resultado imediato. O desenho da figura humana foi
do sexo do cliente, demonstrando aceitação do seu género. Destacou-se o rosto sem olhos, nariz
e boca, o que pode indicar ausência de relação com o meio, as mãos com dedos grossos e curtos,
demonstrando dificuldade de inter-relação, e s para dentro, o que é visto como ambivalência
no comportamento. Com relação ao desenho livre cromático, o cliente desenhou um menino na
segunda sessão e apresentou o mesmo padrão do Teste HTP, pois o rosto tinha um olho e não
tinha nariz e as mãos tinham dedos grossos e curtos, o que reitera a tendência de dificuldade de
inter-relação. A psicoterapeuta, inspirada no inquérito de John Buck, perguntou quantos anos
tinha o menino e como ele se sentia. O cliente respondeu que o menino tinha 9 anos e estava ale-
gre. Na terceira e última sessão de avaliação, mais uma vez o cliente desenhou um menino, mas
dessa vez am do rosto não ter olhos, nariz e boca também não tinhas mãos, o que mais uma vez
indica a dificuldade de manter relações no ambiente.
A técnica do átomo familiar/social evidenciou a proximidade do cliente com os pais e os avós
paternos e como ele se vê (um bebé), que necessita de ser cuidado pelos pais. Essa técnica trouxe
essa configuração afetiva e demonstrou a estrutura de relações ao redor do cliente (Moreno, 2008).
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Com relão aos resultados apresentados na intervenção psicoterapêutica com o Psicodrama,
destacamos na primeira sessão que a temática familiar foi trazida pelo cliente nas cenas drama-
tizada e que pela primeira vez o cliente conseguiu inverter alguns papéis (fez o papel da mãe e do
pai), desempenhando os personagens de forma clara e segura. O cliente pôde no aqui e agora da
dramatização expressar vivências impressionantes do passado que se exteriorizam de alguma
forma nas vivências atuais (Filipini, 2014). Na segunda sessão com a utilização da técnica da inte-
gração sensorial, que trouxe como resultado o treinamento da atenção e do foco do cliente, que
se manteve na maioria do tempo com a atenção voltada para os estímulos sensoriais, ativando
o paladar, o tato, a audição, a visão e o olfato, e do jogo de memória, que estimulou a atenção
visual. Na terceira sessão sociátrica, com a dramatização de uma cena do dia a dia na escola, foi
possível à criança perceber o seu comportamento e pensar a seu respeito ainda em cena (Filipini,
2014). Por fim, nas três sessões de psicoterapia, o cliente aceitou todas as atividades propostas
pela psicoterapeuta, apresentou criatividade nas histórias dramatizadas com fantoches, sempre
com a temática familiar, foi organizado e perfeccionista ao confeccionar as esculturas de massa
de modelar, identificou as letras do jogo “formando palavras” e leu corretamente os livros de seu
interesse.
Discussão
A partir da entrevista psicológica, houve a possibilidade de se definir a série de procedimen-
tos que em continuidade integraram a avalião psicológica. Portanto, os instrumentos psicomé-
tricos Multimodal Treatment Assessment Study - MAT-SNAP-IV respondido pelos pais e Teste
Matrizes Progressivas Coloridas de Raven Escala Especial para criaas, conjuntamente com
os testes projetivos desenho livre e o Teste HTP (House, Tree, Person) e a técnica psicodramá-
tica átomo familiar/social foram utilizados a partir das hipóteses diagnósticas levantadas pela
anamnese estruturada na entrevista psicológica com os pais tais como possíveis perturbações de
desenvolvimento e dificuldade nas inter-relações.
O teste Multimodal Treatment Assessment Study - MAT-SNAP-IV (Mattos et al., 2006) res-
pondido pelos pais da criaa corroborou o diagnóstico de PHDA feito pelo pedopsiquiatra bem
como o relato da equipa psicopedagógica da escola do cliente. Porém, na sessão psicoterapêutica,
respondeu ao instrumento psicométrico com atenção, pensando antes de marcar as respostas, o
que demonstra que, quando em ambiente que se sente seguro e relaxado, melhora a sua concen-
tração, foco e atenção. Os sintomas de PHDA podem variar conforme o contexto em um determi-
nado ambiente e até serem mínimos ou ausentes quando a criança está em uma situação nova,
es envolvido em atividades especialmente interessantes ou es interagindo em situações indi-
vidualizadas como em um consultório (American Psychiatric Association, 2014).
Em virtude de défices pririos de PHDA poderem causar limitações funcionais no sucesso
acadêmico com prejuízos em habilidades intelectuais (American Psychiatric Association, 2014),
o cliente foi submetido ao Teste Matrizes Progressivas Coloridas – Série Especial (Angelini et al.,
1987), e os resultados demonstraram que o cliente apresenta nível intelectual acima da média.
Quando estimulado e reforçado verbalmente no consultório pela psicoterapeuta, o cliente conse-
guiu ler corretamente os livros e formar palavras nos jogos específicos voltados para a melhoria
do processo de alfabetização.
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Destacamos que, apesar de o manual de John Buck com relação ao Teste HTP, ser mais ade-
quado para indivíduos acima dos 8 anos, o cliente conseguiu realizar todos os desenhos. Os testes
projetivos desenho livre e HTP aplicados ao cliente durante a avaliação psicológica revelaram
dificuldade de contato com o meio (socius), seja com seus pares, seja com figuras hierarquica-
mente superiores a ele, apresentando imaturidade emocional com comportamentos de retrai-
mento e inacessibilidade, não conseguindo expressar-se adequadamente em situações de tensão.
A construção do átomo familiar/social do cliente permitiu verificar as suas relações, qua-
lificando o afeto da relação interpessoal, e trouxe a história psicodramática da progressão de
um conflito relacional cronologicamente, o que foi importante para compreendermos quais são
as figuras importantes afetivamente para o cliente e suas dificuldades a partir dessas relações
(Khouri, 2020).
O resultado obtido no teste Multimodal Treatment Assessment Study - MAT-SNAP-IV (Mattos
et al., 2006) não corroborou o diagnóstico de POD, o que traz a necessidade de aprofundarmos
mais na avaliação dessa criança inclusive com a inclusão da equipa psicopedagógica nesse ins-
trumento psicométrico.
Diante da avaliação psicológica, a psicoterapia é indicada a fim de ajudá-lo no seu desenvol-
vimento emocional e relacional, destacando a necessidade de desenvolver limites para ele e de
treinar situações de como lidar com frustrações. Vários estudos demonstram que uma das pos-
sibilidades para essa intervenção é a psicoterapia psicodramática, que possibilita à criança, por
meio da dramatização, o acesso às suas recordações e a oportunidade de ela liberar suas emo-
ções e alcançar papéis positivos de seu repertório relacional (Amatruda, 2008; Carvalho & Quei-
roz e Melo, 2017; Lepsch, 2015). A abordagem do Psicodrama, por meio de dramatizações, seja
com objetos intermediários, seja interpretando diretamente personagens, permite que a criaa
revele o seu mundo e jogue com esses papéis a partir de hisrias criadas por ela e também de
cenas do seu dia a dia (Filipini, 2014; Lepsch, 2015). É importante que a criança realize atividade
sica coletiva, pois jogos cooperativos operacionalizam a aprendizagem da socialização (Neu,
2015; Pimentel et al., 2021).
Com relação aos resultados apresentados na intervenção com a psicoterapia psicodramática,
percebemos que os recursos técnicos do Psicodrama vêm favorecendo a criatividade da criança,
que facilmente imagina e cria histórias de comportamentos já estabelecidos e do seu quotidiano
familiar e escolar (Filipini, 2014; Petrilli, 2010).
A utilizão da técnica de integração social teve como objetivo o treinamento do foco e aten-
ção do cliente a partir dos cinco sentidos, visto que, como referem Shimizu e Miranda (2012,
p. 257) na presença de dificuldades do processamento sensorial, ocorre um défice no planea-
mento e produção do comportamento ou movimento, podendo desencadear comprometimentos
no desempenho motor, dificuldades da criança em se organizar e manter a atenção, bem como
dificuldades na aprendizagem escolar”.
Considerações Finais
O presente trabalho teve como objetivo expor um estudo de caso de uma criança a partir da
avaliação psicológica até o início da sua intervenção psicoterapêutica na abordagem do Psico-
drama.
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Avaliação e interveão infantil na abordagem dopsicodrama: um estudo de caso
Esse processo terapêutico partiu da relação interpessoal da psicoterapeuta com o seu cliente
durante as sessões psicodramáticas a fim de metabolizar os conflitos da criança, dar continência
e promover devoluções para capacitá-la a elaborar e retomar o seu desenvolvimento psicoemo-
cional, propiciando condições para o surgimento de novos papéis e o fortalecimento de papéis
pouco desenvolvidos ou mal estruturados (Gonçalves, 1988; Lepsch, 2015).
A psicoterapeuta teve como base o Psicodrama, mas fez uso também de outras técnicas como
a integração sensorial, além da aplicação de instrumentos psicométricos e de testes projetivos,
que permitiram chegar às hipóteses diagnósticas e iniciar a intervenção psicoterapêutica de
forma adequada às particularidades da criança. Como refere Silva (2014, p. 271) o terapeuta
deve ser flexível o bastante para adaptar as técnicas psicoterapêuticas ao seu cliente, sem jamais
deixar de perseguir os objetivos estabelecidos para o tratamento em função de necessidades e
das especificidades da sua perturbação.
A criança que faz parte deste estudo nasceu num contexto socioafetivo que não foi favo-
vel para o seu desenvolvimento, mas, a partir do conceito do Psicodrama de que o eusurge
dos papéis que ela representa, podemos entender que a criança se constitui por meio dos papéis
que representa (Filipini, 2014). Assim, a psicoterapeuta ao identificar esses papéis, explorá-los e
expandi-los, compreendendo os seus limites e as suas potencialidades, traz a possibilidade de a
criança construir um novo “eu” mais criativo e espontâneo, mais saudável.
Referências
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
AUTHOR INSTRUCTIONS
Elaboration and submission of articles
The preparation and submission of papers for the Psique journal abides to international scientic standards,
contingent upon the fulllment of several requirements listed below:
1. Papers submitted for publication must be original. The authors sign a declaration (Apendix 1) where they
warrant that:
A) are in fact the authors and are fully responsible for the content of their paper;
B) that their work abides to the international ethical and methodological standards within the eld
of Psychology proposed by the American Psychological Association APA) and by the European
Science Foudation (European Code of Conduct for Integrity of Research);
C) and that, they have not simultaneously submitted the paper for publication elsewhere.
D) The journal will use all means to guarantee the above criteria, namely, to request proof of
documents and through the use of plagiarism soware (Urkund). Authors will be informed in case of
indicators of plagiarism, and can comment on these indicators before the rejection of the manuscript.
2. Copyright of the publication is vested in Psique, while the copyright of texts rests with the individual
author(s); in case of later republication elsewhere, reference to the Psique publication should be indicated. The
journal does not carry out any embargo on the articles. The author(s) may disclose the article in auto archive
systems or in institutional repositories.
3. Submitted papers may be sent as an attached le to the Editorial Coordination of the journal Psique: Odete
Nunes (onunes@autonoma.pt; psique@autonoma.pt).
4. The rst page of the paper must contain the author(s)’ identication, institution, city and country, as well as
a contact e-mail address of all the authors of the paper.
5. Texts may be presented in Portuguese, Castilian, French or English.
6. Proposed papers will be subjected to blind peer review carried out by at least two specialists (PhD in
Psychology) from the journal’s Editorial Council, the majority of whom are external referees to Universidade
Autónoma de Lisboa.
7. These are the steps involved in the process of manuscript submission and acceptance:
Manuscripts are received by the journal’s editor and sent to reviewers, specialists in Psychology. Our
is a double-blind peer-review system: both reviewers’ and author’s anonymity is preserved;
Reviewers will assess manuscripts and express their opinion on their quality and pertinence for
the journal’s aim and scope and may should suggest specic improvements. In case both reviewers
disagree on their assessment, the editor may assess the manuscript and decide about its publication
or request the opinion of a third reviewer;
Authors will be informed of the editorial decision, which may be:
a) Accepted (the manuscript is accepted for publication as it is);
b) Conditionally accepted (requires minor revisions), in this case the paper may be accepted by
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the editor once the author introduces minor revisions;
c) Invited to re-submit aer major revisions (the theme is of interest, yet the manuscript needs
major revisions). In this case, authors are advised to rewrite the manuscript in accordance to
reviewers’ suggestions and re-submit it. Re-submitted manuscripts are sent to reviewers for re-
assessment;
d) Rejected (when the manuscript does not meet the criteria for publication).
8. The common indicator for sending the original les is “.doc”.
9. There is a 30 pages limit to the size of papers, excluding the reference list, tables and illustrations.
10. The images, (diagrams, maps, tables and graphs) should be indicated and identied in accordance with the
last edition of the Publication Manual of American Psychological Association (APA).
11. The structure of the paper should follow the guidelines set forth in the last edition of the Publication
Manual of APA. The title, the summary, and the keywords, should be presented in the original language of the
paper and in English. The summary should not exceed 200 words and the keywords should not be more than
ve.
12. Text quotations and bibliography references shall be in accordance with the guidelines of the last edition
of the Publication Manual of APA, for example:
A. Scientic Journal Papers: Herbst-Damm, K. L., & Kulik, J. A. (2005). Volunteer support, marital
status, and the survival times of terminally ill patients. Health Psychology, 24, 225-229. https://doi.
org/10.1037/0278-6133.24.2.225
B. Books: Mitchell, T. R., & Larson, J. R., Jr. (1987). People in organizations: An introduction to
organizational behavior (3rd ed.). McGraw-Hill.
C. Book Chapters: Bjork, R. A. (1989). Retrieval inhibition as an adaptive mechanism in human
memory. In H. L. Roediger III & F. I. M. Craik (Eds.), Varieties of memory & consciousness (pp. 309–
330). Erlbaum.
13. Whenever necessary, and without any interference to its inclusion in the“.doc” document, the original les
of tables and gures may be sent separately, in JPEG, TIFF or XLS format.
14. Footnotes should be in accordance with the guidelines of the last edition of the Publication Manual of APA.
15. Psique publishes ve types of papers:
A) Empirical papers that present reports of original research.
B) Literature reviews papers that develop research synthesis, meta-analyses, and critical evaluations
of material that has already been published.
C) Theoretical papers in which the author develops advances in theory based on previous published
literature.
D) Methodological papers that present new methodological approaches, modications of existing
methods or discussions of quantitative and qualitative data analytic approaches to scientic research.
E) Case studies, reports of case material obtained while working with an individual, a group, a
community or an organization.
16. The journal Psique has a limit of one paper by the same author in each issue.
17. The editorial board of Psique, responsible for the evaluation of the manuscripts to be published, is
constituted by, at least, 75% members from academic institutions outside the hosting institution of Psique.
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18. The publication of Psique is semi-annual, from the year of 2018, with publication date from January 1st to
June 30th and from July 1st to December 31st.
19. Psyche subscribes to the codes of ethics and good editorial practices, namely:
The Code of Conduct and Best-Practice Guidelines for Journal Editors, from the Committee on
Publication Ethics: Committee on Publication Ethics (2011). Code of Conduct and Best-Practice
Guidelines for Journal Editors. Retrieved from http://publicationethics.org/les/Code_of_conduct_
for_journal_editors_Mar11.pdf
The White Paper on Promoting Integrity in Scientic Journal Publications, Council of Science
Editors Scott-Lichter, D. & Editorial Policy Committee, Council of Science Editors (2012). CSE’s
White Paper on Promoting Integrity in Scientic Journal Publications. Retrieved from https://www.
councilscienceeditors.org/wp-content/uploads/entire_whitepaper.pdf
In case of publication they permit the use of their work under a CC-BY license [http://creativecommons.org/
licenses/by/3.0/], which allows others to copy, distribute and transmit the work as well as to adapt the work
and to make commercial use of it.
For more details on the ethical obligations of authors, reviewers and editorial coordination, consult the
Publication Ethics and Best- Practice Guidelines tab.
21. The editorial process is totally free of costs for the authors. Psyche is a non-prot scientic publication.
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APPENDIX 1
Lisbon, xx xx 20xx
Dear authors
The editorial coordination of Psique asks the authors of the manuscript titled “xxx”, to be published in
volume xxx, to sign below in agreement to granting Psique the Copyright for the publication of the paper
in printed and online forms. The granting of the copyright to Psique is only legitimate if all authors sign
this
agreement.
By signing this document, the authors guarantee that the article submitted for publication is original,
exclusively of their authorship and that it respected the international ethical and methodological
standards in the scientic eld of Psychology, namely the ones proposed by the American Psychological
Association (APA) and the European Science Foundation (European Code of Conduct for Integrity of
Research). Authors are fully responsible for what is written in the articles and ensure that they do not
submit the work simultaneously to another journal for publication.
Psyche holds the copyright of the entire publication. However, each author has the copyright of his
own text. If authors decide to later republish it elsewhere, they are asked to refer to the publication in
Psique. The journal publishes in open access, does not carry out any embargo on the articles and authors
can share the article in auto le systems or in institutional repositories.
Below are the full names of the authors for signature:
Xxxxxxxxxxxxxxxxxx
_______________________________________________________________
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
_______________________________________________________________
Odete Nunes
Editor in Chief of Psique
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INSTRUÇÕES AOS AUTORES
Elaboração e submissão de artigos
A elaboração e submissão de artigos para a revista Psique subordina-se aos padrões cientícos internacionais,
de acordo com as seguintes condições:
1. Os artigos submetidos para publicação têm de ser originais e inéditos. Os autores assinam uma declaração
(Anexo 1) onde garantem:
A) Que realizaram o trabalho que apresentam e que são integralmente responsáveis pelo que está
escrito nos artigos;
B) Que respeitaram os padrões éticos e metodológicos internacionais vigentes na área cientíca
da Psicologia, propostos pela American Psychological Association (APA) e pela European Science
Foundation (European Code of Conduct for Integrity of Research);
C) E que não submeteram o trabalho simultaneamente a outra revista para publicação;
D) A revista usará de todos os meios para garantir os anteriores critérios, designadamente, podendo
pedir prova de documentos e através do uso de um soware de plágio (Urkund). Os autores
serão informados no caso de existirem indicadores de plágio, podendo pronunciar-se sobre esses
indicadores antes da rejeição do artigo.
2. A Psique detém os direitos de autor sobre a publicação, no entanto, cada autor tem o copyright do seu
próprio texto; no caso de o republicar mais tarde noutro local, pede-se a referência à publicação na Psique. A
revista não procede a qualquer embargo dos artigos. O(s) autor(s) pode divulgar o artigo em sistemas de auto
arquivo ou em repositórios institucionais.
3. Os artigos enviados para submissão devem ser remetidos em suporte eletrónico à Coordenação Editorial:
Odete Nunes (onunes@autonoma.pt; psique@autonoma.pt).
4. Na primeira página do artigo deve constar a nome completo do(s) autor(es), sem siglas, a respetiva liação,
local e país, bem como o(s) e-mail(s) de contacto de todos os autores do artigo.
5. Os textos podem ser apresentados em português, castelhano, francês e inglês.
6. Os artigos propostos são submetidos a um processo de arbitragem cientíca, de revisão cega por pares (blind
peer review) feita por, pelo menos, dois especialistas (Doutorados em Psicologia) que fazem parte do Conselho
Editorial da revista, e cuja maioria é externa à Universidade Autónoma de Lisboa.
7. O processo de submissão e avaliação dos manuscritos submetidos seguirá os seguintes passos:
Os artigos são recebidos pelo Editor da revista e enviados para dois revisores. Os artigos serão
enviados sem o nome dos autores para os revisores. Todo o processo de avaliação dos artigos é feito
sob o anonimato dos autores para garantir uma “revisão cega por pares”. No processo de avaliação,
os revisores também serão mantidos anónimos para os autores;
Os revisores avaliarão os artigos e expressarão a sua opinião sobre a qualidade do artigo, sobre a
pertinência da sua publicação na revista e poderão indicar sugestões de melhoria tão especícas
quanto possível para a reformulação do artigo. No caso das opiniões dos revisores serem discordantes,
o Editor poderá decidir sobre a publicação, após a sua própria análise ao artigo, ou pode pedir um
outro parecer a um terceiro revisor;
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
Os autores serão informados da decisão editorial, num período médio de três meses, que pode
consistir em:
A) Aceite (o manuscrito foi aceite para publicação na sua forma atual);
B) Aceite condicionalmente, mediante pequenas reformulações, neste caso, após as alterações
introduzidas, o artigo reformulado pode ser aceite pelo editor;
C) Convidado a re-submeter após reformulações substanciais (o tema interessa à revista, porém,
o artigo necessita de uma reformulação profunda). Nestes casos, os autores são convidados a
reformular o artigo de acordo com as sugestões dos revisores e a re-submeter à revista. Após
a reformulação dos artigos, estes serão enviados novamente aos revisores para uma segunda
avaliação;
D) Rejeitado (quando foi considerado que o manuscrito não cumpriu os critérios para
publicação na revista).
8. A linguagem de base para o envio dos cheiros originais é “.doc”.
9. A dimensão dos artigos tem um limite de 30 páginas, excluindo a lista de referências bibliográcas, tabelas
e guras.
10. As imagens (esquemas, mapas, tabelas e grácos) deverão ser referidos e identicados em obediência à
última edição do Publication Manual of the American Psychological Association (APA).
11. A estrutura dos artigos deve obedecer às regras da última edição do Manual de Publicações da APA. O
título e o resumo devem ser escritos na língua original do artigo e em inglês, bem como as palavras-chave do
artigo. O resumo tem uma dimensão limite até 200 palavras e seguem-se-lhe as palavras-chave, no máximo
de cinco.
12. As citações e referências bibliográcas são feitas de acordo com as normas da última edição do Manual de
Publicações da APA, por exemplo:
A) Artigos de Revista Cientíca: Herbst-Damm, K. L., & Kulik, J. A. (2005). Volunteer support,
marital status, and the survival times of terminally ill patients. Health Psychology, 24, 225-229.
https://doi.org/10.1037/0278-6133.24.2.225
B) Livros de Autor: Mitchell, T. R., & Larson, J. R., Jr. (1987). People in organizations: An introduction to
organizational behavior (3rd ed.). McGraw-Hill;
C) Capítulos de Livros: Bjork, R. A. (1989). Retrieval inhibition as an adaptive mechanism in
humanmemory. In H. L. Roediger III & F. I. M. Craik (Eds.), Varieties of memory & consciousness
(pp.309 -330). Erlbaum.
13. Sempre que se justique, sem prejuízo da sua inclusão no documento em “.doc”, os cheiros originais dos
quadros e guras podem ser enviados em separado, em formato JPEG, TIFF ou XLS.
14. As notas de rodapé são feitas de acordo com as normas da última edição do Manual de Publicações da APA.
15. A Psique publica cinco tipos de artigos:
A) Artigos empíricos que apresentam relatórios de investigações cientícas originais.
B) Artigos de revisão de literatura que desenvolvem análises críticas de material anteriormente
publicado.
C) Artigos teóricos em que o autor desenvolve avanços sobre teorias inovadoras ou anteriormente
publicadas.
D) Artigos metodológicos que apresentam novas abordagens metodológicas, modicação de
métodos existentes ou discussões sobre as abordagens quantitativas ou qualitativas na investigação
cientíca.
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E) Estudos de caso que reportam material de casos obtidos ao longo do trabalho com indivíduos,
grupos, uma comunidade ou uma organização.
16. A revista Psique tem um limite máximo de publicação de um artigo de um mesmo autor em cada volume.
17. O conselho editorial da Psique, responsável pela avaliação dos artigos publicados, é constituído em, pelo
menos, 75% por membros de instituições académicas externas à instituição de acolhimento da Psique.
18. A publicação é semestral, com data de publicação de 1 de janeiro a 31 de junho e de 1 de julho a 31 de
dezembro.
19. A Psique subescreve os códigos de ética e boas práticas editoriais, designadamente:
O Code of Conduct and Best-Practice Guidelines for Journal Editors, do Committee on Publication
Ethics Committee on Publication Ethics (2011). Code of Conduct and Best-Practice Guidelines for
Journal Editors. Retrieved from http://publicationethics.org/les/Code_of_conduct_for_journal_
editors_Mar11.pdf
O White Paper on Promoting Integrity in Scientic Journal Publications, da Council of Science
Editors Scott-Lichter, D. & Editorial Policy Committee, Council of Science Editors (2012). CSE’s
White Paper on Promoting Integrity in Scientic Journal Publications. Retrieved from https://www.
councilscienceeditors.org/wp-content/uploads/entire_whitepaper.pdf
Para mais detalhes sobre obrigações éticas dos autores, revisores e coordenação editorial, consultar
o separador Ética Editorial e Boas Práticas.
20. Em nenhuma etapa do processo editorial se estabelecem custos para os autores. A Psique é uma publicação
cientíca sem ns lucrativos.
21. Em caso de publicação, os autores permitem o uso do seu trabalho através da utilização da licença
creative commons, CC-BY [https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/], que permite a cópia, distribuição
e transmissão do conteúdo, assim como a sua adaptação para uso comercial.
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APÊNDICE 1
Lisboa, x de x de 20xx
A Revista Psique solicita que os autores do manuscrito intitulado “xxx”, a ser publicado no volume xxx,
concedam os direitos autorais do manuscrito para publicação na forma impressa e eletrónica. Informa-
mos que a concessão dos direitos autorais só será legítima, se todos os autores assinarem a presente carta.
Ao assinar o presente documento os autores garantem que o artigo submetido para publicação é ori-
ginal, é exclusivamente da sua autoria e que respeitou os padrões éticos e metodológicos internacionais
vigentes na área cientíca da Psicologia, propostos pela American Psychological Association (APA) e pela
European Science Foundation (European Code of Conduct for Integrity of Research). Os autores são in-
tegralmente responsáveis pelo que está escrito nos artigos e garantem que não submeteram o trabalho
simultaneamente a outra revista para publicação.
A Psique detém os direitos de autor sobre o conjunto da publicação, no entanto, cada autor tem os direi-
tos de autor do copyright do seu próprio texto. No caso de o republicar mais tarde, noutro local, pede-se
a referência à publicação na Psique. A revista publica em acesso aberto, não procede a qualquer embargo
dos artigos e os autores podem divulgar o artigo em sistemas de auto arquivo ou em repositórios institu-
cionais.
Seguem abaixo os nomes completos dos autores por extenso para assinatura:
Xxxxxxxxxxxxxxxxxx
_______________________________________________________________
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
_______________________________________________________________
Odete Nunes
Editor Diretor Psique
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REVIEWERS INSTRUCTIONS
Article Review
The articles submitted to be published in Psique will be evaluated by two experts in the scientic domain of
the paper, Ph.D in Psychology.
These are the steps involved in the process of manuscript submission and acceptance/rejection:
1. Manuscripts are received by the journal’s editor in chief and aer a preliminary analysis will be
sent to two reviewers, in a double-blind peer-review system. Both reviewers’ and author’s anonymity
is preserved;
2. Reviewers will assess the manuscripts and express their opinion on the quality and pertinence for
the journal’s aims and scope and should suggest specic reformulations to improve the quality of the
manuscript.
3. In case both reviewers disagree on their assessment, the editor in chief may assess the manuscript
and decide about its publication or request the opinion of a third reviewer.
Each reviewer should carefully read the manuscript and issue a justied and reasoned report on the
appropriateness of manuscript for publication in Psique. The dimensions to consider in the evaluation process
are the following:
1. Relevance and up to date of the theme of the manuscript for the scientic eld of Psychology;
2. Coverage, adequacy and up to date of the analyzed scientic literature;
3. Appropriateness of the methodological procedures in relation to the objectives of the study;
4. Clarity of writing and correction of the article structure, according to the APA structure criteria;
5. Validity of the results obtained in relation to the objectives and the methodological procedures
developed;
6. Scope, articulation and in depth of the discussion of the results obtained;
7. Formal correction of bibliographical references, formulas and tables; according to the APA formal
criteria.
For guidelines on the ethical criteria in the editorial process please read the Publication Ethics and Best-
Practice Guidelines.
Authors will be informed of the editorial decision, usually during the period of three months, which may be:
a) Accepted (the manuscript is accepted for publication as it is);
b) Conditionally accepted (requires minor reformulations), in this case the paper may be accepted by
the editor once the author introduces the minor reformulations;
c) Invited to re-submit aer major revisions (the theme is of interest, yet the manuscript needs major
revisions). In this case, authors are advised to rewrite the manuscript in accordance to reviewers’
suggestions and re-submit it. Re-submitted manuscripts are sent to reviewers for re-assessment;
d) Rejected (when the manuscript does not meet the criteria for publication).
On the link below you will nd the evaluation format for the evaluation of manuscripts submitted to Psique
Manuscript Evaluation Sheet.
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVII • Issue Fascículo 2 • 1st july julho-31st december dezembro 2022
INSTRUÇÕES AOS REVISORES
Revisão de artigos
Os artigos submetidos para serem publicados em Psique serão avaliados por dois especialistas no domínio
cientíco do estudo, doutorados em Psicologia.
As etapas envolvidas no processo de submissão e aceitação / rejeição dos manuscritos são as seguintes:
1. Os manuscritos são recebidos pelo editor da revista e, após uma análise preliminar, serão enviados
para o parecer de dois revisores, sob um sistema de revisão de pares anónimo duplo. É preservado o
anonimato tanto dos autores, como dos revisores.
2. Os revisores avaliarão os manuscritos e emitirão o seu parecer sobre a qualidade e pertinência dos
manuscritos, face aos objetivos e âmbito da revista e devem sugerir reformulações especícas para
melhorar a qualidade dos manuscritos.
3. Caso os dois revisores não estejam de acordo sobre a avaliação de um manuscrito, o editor pode
avaliar o manuscrito e decidir sobre sua publicação ou solicitar a opinião de um terceiro revisor.
Cada revisor deve ler cuidadosamente o manuscrito e emitir um relatório justicado e fundamentado sobre
a adequação do manuscrito para publicação na Psique. As dimensões a considerar no processo de avaliação
são as seguintes:
1. Pertinência e atualidade do tema para o campo cientíco da Psicologia;
2. Cobertura, adequação e atualidade da literatura cientíca analisada;
3. Adequação dos procedimentos metodológicos face aos objetivos do estudo;
4. Clareza da escrita e correção da estrutura do artigo, de acordo com os critérios APA;
5. Validade dos resultados obtidos face aos objetivos e aos procedimentos metodológicos
desenvolvidos;
6. Abrangência, articulação e profundidade na discussão dos resultados obtidos;
7. Correção formal das referências bibliográcas, fórmulas e tabelas, de acordo com os critérios
formais APA.
Para instruções sobre os critérios éticos no processo editorial, por favor, leia o separador Ética Editorial e Boas
Práticas de Publicação.
Os autores serão informados da decisão editorial, geralmente durante o período de três meses, que pode ser:
a) Aceite (o manuscrito foi aceite para publicação na sua forma atual);
b) Aceite condicionalmente, mediante pequenas reformulações. Neste caso, após as alterações
introduzidas, o artigo reformulado pode ser aceite pelo editor;
c) Convidado a re-submeter após reformulações substanciais (o tema interessa à revista, porém, o
artigo necessita de uma reformulação profunda). Nestes casos, os autores são convidados a reformular
o artigo de acordo com as sugestões dos revisores e a re-submeter à revista. Após a reformulação dos
artigos, estes serão enviados novamente aos revisores para uma segunda avaliação;
d) Rejeitado (quando foi considerado que o manuscrito não cumpriu os critérios para publicação na
revista).
Em seguida para download, encontra a cha de avaliação de manuscritos para publicação na Psique
Ficha de Avaliação de Manuscritos
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVIII • Issue Fascículo 1 • 1st january janeiro-30th june junho 2022